Madagascar, carnet de voyage (2008)

“Madagascar, carnet de voyage” (2009)

cinanima2009

Cinanima2009

Sítio oficial do filme

exploração

Uma crítica prévia ao IMDb. Estou a escrever sobre um filme que passou há 2 dias num festival listado pelo IMDb, e segundo o site oficial do filme até já passou noutros festivais. Do IMDb esperava-se que já estivesse listado.

Que experiência interessante. Ainda estou a lidar com este pequeno filme, dias depois de o ver. Há uma atitude descomplexada perante o meio que se trabalha, perante as técnicas de animação, e perante o próprio aspecto que se pretende atribuir ao filme que me cativa enormemente. E, como nos filmes que mais aprecio, e que considero merecerem ser vistos e revistos repetidamente, há uma coerência entre estrutura, forma, e conteúdo, que é rara e sempre louvável. Ao mesmo tempo, neste filme como, aliás, em muitos outros filmes curtos de animação, claramente as raízes criativas das mentes envolvidas estão em outras áreas que não o cinema, e isso, neste caso é uma coisa boa. Isso porque não existem por trás de filmes como este compromissos formais, nem formatações herdadas de um excesso de exposição a outras obras. Neste caso os “vícios” formais estão totalmente relacionados com os desenhos em si. Esses desenhos são a razão de ser do filme. São obra de um artista talentoso sobre a folha branca, que sabe trabalhar o contorno e a aguarela, e que soube transportar o espírito de um e de outro para a animação em filme.

Mas o que mais me interessou aqui foi uma atitude assumida provavelmente durante a viagem que deu origem a este filme, que foi transportada para os desenhos produzidos sobre ela (e para as fotos!) e que finalmente transpirou igualmente para o filme que agora comento. Todo o filme tem um carácter provisório, de improviso, e de trabalho contínuo, aberto, e ainda em progresso. Todas as sequências, assim como as relações entre elas, surgem de forma informal, quase até casualmente. Ora, é possível que um caderno de viagens, o real, em papel, tenha genuinamente esse carácter informal, porque o caderno sucede conforme os acontecimentos muitas vezes imprevisíveis de uma viagem. A viagem acontece, simplesmente, e os desenhos vão-se construindo, “simplesmente”. Mas transportar esse espírito inquisidor de viajante, e a espontaneidade resultante para um filme, que naturalmente tem meses ou até anos de preparação e execução, é algo muito complicado, e que eu apreciei aqui.

O truque para o sucesso aqui, para mim, é a plasticidade adicional que o realizador consegue atribuir aos desenhos. Aquelas subtilezas que nos permitem entrar nos contornos, e ver personagens animados nas aguarelas. E um aspecto também interessantíssimo, é o facto de por várias vezes estar acusado no filme o facto de que na verdade não estamos a ver um filme, estamos a visitar um caderno pessoal. Esse caderno é por várias vezes assumido, quando vemos as argolas laterais que seguram as folhas, ou a capa do caderno, ou páginas a virar. Vou querer rever este filme.

A minha opinião: 4/5

Klotz & Klumpen (2008)

“Klotz & Klumpen” (2008)

cinanima2009

Cinanima 2009

IMDb

tem tudo que ver com os olhos

Esta é uma das formas mais engraçadas de trabalhar o humor com animação: desenvolvimento de personagens. Neste caso, falar de desenvolvimento de personagens não tem o significado habitual que usamos em cinema. Não tem a ver com profundidade, com motivações, com ter personagens a descrever arcos de evolução. Em animação, para mim, desenvolver um personagem significa explorar as expressões, nas caras, nos movimentos corporais, permitidos pela própria forma escolhida para cada personagem. Tem a ver com a exploração das possibilidades plásticas das formas. Este filme engraçado é um exercício simples desse tipo de exploração.

Verifiquem o cenário. Uma paisagem vasta de neve, uma estrada, e uma paragem de autocarro. Tudo renderizado de forma muito simples, parece-me que foi intenção descomplicar os elementos que vemos, para que pudessemos concentrar-nos no que interessa, os personagens, Chump e Clump. Um é um paralelipípedo suavizado, o outro é simplesmente redondo. Por si só, isto já lhes dá características diferentes. Depois, a maior parte da piada está naquilo que eles fazem com os olhos. A expressão dos olhos, os capilares vermelhos causados pela ressaca, olhos que sorriem, olhos desesperados, olhos tristes, olhos chorosos. Tem piada, muita. Muito bom trabalho. Vejam-no, este filme está a milhas dos renders perfeitos dos grandes estúdios de animação de hoje (Pixar e Dreamworks). Mas estes tipos sabem o que faz os personagens serem engraçados, não precisam muito mais do que as ferramentas básicas.

A história encaixa bem naquilo que eles queriam fazer com os personagens e o cenário. Por isso é que temos cogumelos mágicos colocados para que se pudesse construir uma ficção alucinogénica com os personagens. Muito bem.

A minha opinião: 4/5

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Pigeon: Impossible (2009)

“Pigeon: Impossible” (2009)

cinanima2009

Cinanima 2009

IMDb

escala

A comédia é um género especialmente bom para se trabalhar em animação. Isso porque os conceitos de comédia de situação, os maneirismos, ou interacções irreais entre elementos (como animais ou objectos) ganham novas possibilidades.

Na mesma sessão do cinanima, vi duas comédias seguidas. Duas visões diferentes de como usar as mesmas ferramentas. Este é o menos interessante dos dois (o outro foi ‘chumps & clumps). Não é que as ideias trabalhadas aqui sejam menos interessantes do que as de chumps. Simplesmente eles não as trabalham tão bem como os tipos do chumps fazem com as opções deles. Por isso aqui temos basicamente o sucesso da comédia confiado na interacção entre o pombo e o james bond, e as coisas imprevisíveis que o pombo pode fazer porque é suficientemente pequeno para entrar na mala assassina. Interacção homem-animal, e relações de escala estranhas. É isso.

Algumas piadas são boas, mas o sentido de estilo e a precisão visual das piadas não estão assim tão desenvolvidos. Mas tem piada.

A minha opinião: 3/5

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Bave circus (2008)

“Bave circus” (2008)

cinanima2009

Cinanima

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movimentos normais

As possibilidades da animação na construção de mundos diferentes ou simplesmente diferentes relações entre elementos comuns do nosso mundo (como neste caso) são infinitas. Um dos truques mais comuns é animar elementos do nosso quotidiano e estabelecer relações especiais entre esses elementos e nós. Lembro-me de um pequeno filme onde essa relação funcionava perfeitamente, In Memoriam, porque referia-se directamente ao tema: era sobre um marionetista cujas marionetas ganhavam vida quando ele não estava a ver, e cumpriam os sonhos mais queridos do seu criador. Aqui a associação é bastante baseada no simples jogo de escala dos caracóis em relação ao rapaz, e a simulação de um circo com as possibilidades de uma simples casa na árvore. Não é um cenário imediatamente fascinante, mas penso que era possível usá-lo para o que se pretendia. Mas o cenário não é suficientemente interessante, penso que a definição do espaço não é suficientemente contrastada, e falta alguma escuridão em todas as cores. Na verdade, há uma cena interessante: um caracol, que salta alto, a câmara começa a cena a olhar para baixo e gira até que vemos o caracol na contra luz, contra um buraco na cobertura da casa. Foi um bom momento porque a luz simula as luzes da ribalta de um circo. Tirando isso, os movimentos são bastante pobres, acho que nos dias que correm podemos esperar mais das animações digitais que deliberadamente trabalham temas de movimento como as acrobacias de circo.

A minha opinião: 1/5

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Blow (2001)

“Blow” (2001)

blow

IMDb

Depp merecia mais

Estava à espera de uma coisa diferente aqui. Creio que fui enganado pela imagem chave associada a este filme, uma com Depp e Penélope deitados lado a lado, a olhar para nós, sobre um fundo vermelho. A imagem disse-me que eu ia ver um filme sobre pessoas, sobre duas pessoas, eventualmente ligadas, eventualmente apaixonadas. Eventualmente eu ia ver uma história de amor, um filme centrado numa relação.

Foi uma promessa muito melhor que a desgraça que o filme é. Absolutamente inconsequente, tira-nos tempo e não nos dá nada em troca. É totalmente incompetente em tudo, excepto pelo elemento redentor que é ver Depp e Franka Potente a actuar.

O filme segue totalmente o modelo de filme de gangsters de Scorcese, aquele forjado no Goodfellas. É uma mistura de estilo, uma certa ideia de charme na máfia, associada à violência que vem com isso. Na prática, seguimos um certo personagem, e entramos em vários aspectos da vida dele. Literalmente entramos na cabeça dele, já que a voz off é um elemento importante para fazer isto funcionar. Entramos na cabeça dos personagens tanto como entramos na mecânica do mundo que nos é mostrado. Uma referência claro a isto é que temos aqui Liotta a representar o pai de Depp, o mesmo Liotta que era o personagem de Depp em Goodfellas. Vêm? O que se passa é que, com Goodfellas, esse mundo era polido, brilhante, tão sedutor como decadente. Os personagens eram peças reluctantes de um inevitável jogo de xadrez. E nós eramos um deles. O filme era visceral, a violência era inevitável. Aqui tudo é preguiçoso. Não vale a pena estar neste filme, não me interessa nada do que vejo. O mundo do filme é incompleto, não sentimos pulso verdadeiro em nada do que nos é dado. Não temos amor ou amizado, apenas sexo e palavras amigáveis. Não temos violência, só murros e truques, não temos comprometimento, as coisas simplesmente acontecem.

Mas no meio de tudo isto, temos Depp, e uma muito interessante e pouco exposta Potente. Os únicos momentos puros do filme são aqueles em que o ecran é partilhado pelos dois. Há compreensão mútua entre eles, que ultrapassa o guião, ou as frases ordinárias que eles têm de dizer. Ultrapassa a vista curta dos produtores. Infelizmente, Potente não aparece o suficiente, e é-nos retirada do ecran demasiado cedo. Depp luta para existir como artista no resto do filme. O contraste entre ele e os outros mostra-me que eu queria estar a ver outro filme, onde alguém realmente se importasse com o que Depp pode fazer. Não este. Este é o filme errado. Penélope Cruz aqui é só gritos, aspecto físico (que aliás é usado de forma nada lisonjeira), e o contraste com o personagem de Potente. 2 das 3 mulheres que definem a vida de Jung (a outra é a filha). Penélope faz essencialmente o que ela pena que deve ser feito, e isso é bom quando o realizador sabe onde quer chegar (como Almodóvar ou mesmo Woody). Aqui não. Precisávamos de um filme em que Depp estivesse deitado lado a lado com Potente, e essa imagem tivesse alguma importância.

A minha opinião: 2/5

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The Shock Doctrine (2007)

“The Shock Doctrine” (2007)

shock doctrine

IMDb

península das flores

Como cinéfilo, a primeira questão que se me coloca em relação a este filme é o que é exactamente isto: uma curta? um anúncio publicitário a um site? um alertador de consciências? Talvez se o realizador fosse mais anónimo o filme caísse definitivamente entre o segundo e o terceiro. Mas eu considero que Cuarón terá ambições cinematográficas em seja o que for que faça. E na verdade o que ele tentou aqui é bastante interessante, e já foi conseguido antes com uma perfeição insuperável há 20 anos, por Jorge Furtado.

Para mim este filme é uma curta que, para funcionar, tem de obedecer a regras de publicidade. Por isso tem necessariamente uma mensagem curta, que tem de atingir o espectador e ficar com ele, e não deixar qualquer tipo de dúvida sobre o que os realizadores querem passar. Aqui essa mensagem é simplificada ao mínimo, já que é suposto consultarmos o site a seguir, e os textos de Naomi Klein depois de o vermos. Por isso, afinal de contas isto deve ser un anúncio.

Que problemas temos aqui? O filme vai directo ao assunto, talvez demasiado. Tudo nos é dado sem a mínima preocupação de saber se vamos acreditar ou se temos argumentos para acreditar. Eu aprecio a Naomi. Talvez ela carregue demasiado na tecla da conspiração, que sempre me causa suspeitas – tenho teorias da conspiração contra os teoristas da conspiração. Mas em geral, creio que ela é uma pessoa lúcida e que as ideias dela são fundamentalmente honestas, e já agora, provavelmente bastante perto da verdade. Mas aqui nesta curta, é suposto acreditarmos em tudo que nos é dito, sem raciocinarmos por um segundo. É um produto anti capitalista que funciona com as mesmas ferramentas do sistema capitalista. É aquilo que combate. No entanto, eu estaria disposto a acreditar que 6 minutos e meio não chegam para estabelecer uma teoria ou para me levar a acreditar nela, mas em 1989 Jorge Furtado construiu uma em 13 minutos. Vejam esse filme. É perfeito, é credível, cada linha, cada opinião que nos dão, e é suportada por conceitos adjacentes. Raciocina connosco, e apela aos sentidos no processo, é perfeitamente balançado, o filme. Mas lá está, Furtado era um publicitário, não um realizador, ele tinha experiência com mensagens comprimidas.

Este filme não vai desiludi-los totalmente, mas vejam “Ilha das Flores” para ver este feito na perfeição.

A minha opinião: 2/5

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X (1963)

“X” (1963)

x ray man

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caleidoscópio

Parece-me que houve uma tentativa válida e honesta neste filme, de fazer algo eminentemente visual. A história tem a ver literalmente e unicamente com visão, é sobre o que as pessoas vêm, o que poderiam ver, e como isso afectará o seu mundo. Assim, temos o Frankenstein e o monstro no mesmo corpo, um médico obcecado com ver sob a superfície. A metáfora é bastante clara e básica, mas apesar disso é tolerável: aquele que quer ver tudo acaba por ver nada. Toda a luz é equivalente a nenhuma.

O problema, provavelmente, é a distância enorme entre as ideias dos escritores e a solução visual encontrada pelos realizadores. Eu sei que este filme tem um baixo orçamento, feito pelo mestre disso, mas também me parece que o dinheiro, ou a falta dele, dificilmente pode tornar-se a desculpa para tentativas desinteressantes de fazer um filme visual. Não é a pobreza de um cenário ou a fotografia básica que desviam os bons realizadores de tentar coisas interessantes. Para lá disso, este filme não é assim tão barato. Mas o problema é que os planos são concebidos de forma banal, muito ortodoxos, feitos para cumprir calendário e não para tentar ser imaginativo.

No entanto há aqui uma tentativa interessante, ainda que falhada. Suponho que, porque isto foi feito nos anos 60, o rock progressivo era apelativo para a juventude, o alvo maior deste filme, há uma tentativa de colocar o raio x de Milland como uma ilusão psicadélica. Por isso todos os planos “ponto de vista” são vistos como uma decomposição abstracta da realidade em cores, com um efeito adicional de caleidoscópio. Os momentos em que esses pedaços são inseridos são feitos como partes delirantes de Xavier. Não me parece que seja suficientemente interessante para eu dar mais atenção a este filme, mas apreciei o esforço, é o melhor que temos aqui.

Visão e transcendência. Ciência e religião. Neste caso, eu não me importaria com essa ligação, é inconsequente aqui.

Apreciei os pedaços cómicos, quando Xavier vê as pessoas nuas a dançar. Funcionaria de forma perfeita se pudessem mostrar tudo, não apenas os pedaços inúteis como aqui, mas tudo bem.

A minha opinião: 2/5

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“Alfred Hitchcock Presents: Triggers in Leash (#1.3)” (1955)

“Alfred Hitchcock Presents: Triggers in Leash (#1.3)” (1955)

ah presents

IMDb

saca e eu disparo

Aqui temos uma versão interessante da fórmula de 30 minutos que define esta série. Parece-me que as pessoas envolvidas podiam fazer qualquer coisa com o episódio específico que lhes cabia. Eram exercícios de resolução de uma curta medida de tempo para desenvolver uma ideia que, para funcionar, teria de ser clara, limpa, cativante e eficiente. Ou não ser nada disto mas feito de uma forma a que as audiências se questionassem. Tinha de funcionar. À medida que investigo mais isto, penso que provavelmente podemos ver todos os episódios da série e ficar no final com um glossário interessante de manipulação narrativa cinematográfica, ainda que provavelmente não tanto em termos visuais, o que é compreensível porque: -dos realizadores que trabalharam na série, não há assim tantos com carreiras interessantes; -isto É televisão, as coisas são filmadas e editadas a ritmos muito superiores aos filmes.

Aqui temos uma ideia interessante. Construir (e manter!) uma tensão baseada em nada. Um único cenário, para prevenir distracções, e uma disputa que nos fará seguir os dois cowboys, e querer saber qual deles (ou nenhum) vai quebrar e sacar primeiro. O facto de usarem um único espaço é já importante, porque denota já uma tentativa de criar algo tenso (e intenso). Pelo facto deste ser um episódio de 25 minutos (mais as intervenções de Hitch) eles não precisam de assegurar quaisquer planos de contextualização fora deste espaço para permitir aos espectadores respirarem. Nós aguentamos 25 minutos dentro do mesmo espaço.

O interessante aqui é ver os truques narrativos e modos que eles escolheram para construir a tensão, ou aliviá-la quando necessário, e a inteligência da conclusão. Assim, a tensão aumenta dependendo da posição dos cowboys no espaço e, mais importante, da posição de Maggie em relação aos cowboys. Por isso há aqui um posicionamento muito espacial dos personagens que eu aprecio, e que a câmara apoia. Tememos por Maggie, quando ela está mesmo atrás de Del, e tememos quando ela está entre os dois. Comédia: isto é uma comédia, afinal, e temos um equilíbrio bastante curioso entre o tiroteio iminente e a estranheza de termos, por exemplo, dois tipos que não conseguem comer em condições porque não podem parar de se olhar nos olhos. A comédia acontece não porque eles actuam de forma cómica, mas porque a situação o implica. Esse é um excelente tipo de comédia. E claro, a reviravolta final, quando pensamos que vimos algo, é-nos dito que fomos tão enganados como os cowboys.

Os comentários de Hitch, especialmente o final, são uma vez mais impagáveis, aqui realçados pela reviravolta nonsense realmente engraçada. O valor destes comentários é que não são meras anotações do que vimos, são uma continuação da narrativa, depois do fim do episódio.

A minha opinião: 4/5

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“Alfred Hitchcock Presents: The Gentleman from America (#1.31)” (1956)

“Alfred Hitchcock Presents: The Gentleman from America (#1.31)” (1956)

ah presents

IMDb

má escolha

Este não é um dos melhores episódios da série. Na verdade, o falhanço deste episódio provavelmente realça a pouca distância que há, neste tipo de história, entre um episódio estranho e agradável, e um nonsense simplesmente caricato e inconsequente.

O que retenho como aspecto dominante de muitos dos episódios é que nos é permitido definir o grau de manipulação humana ou eventos supranaturais inexplicados que ocorrem (ou esse grau é-nos revelado). Assim, neste caso, suspeitamos que o americano está a ser manipulado, mas também nos perguntamos se não estaremos nós mesmos a ser também manipulados. O enredo é previsível, mas deixa alguns pontos escuros, que poderiam ser suficientes para nos fazer ter dúvidas. Há realmente um fantasma? Será que os manipuladores iriam cair na sua própria armadilha e ser apanhados no meio de algo que não compreendessem? Será que o americano iria ultrapassar os trapaceiros e conseguir algo mais inteligente? Aparentemente eles escolheram a solução mais aborrecida. O americano faz exactamente o que os caçadores de dinheiro pretendiam, tudo acontece de acordo com o livro (não aquele que ele lê, antes fosse). Temos uma reviravolta menor, a de descobrir o que acontece ao americano depois da noite na mansão, mas em vez de nos darem ironia, eles moralizam. Má escolha, para mim.

Assim, o episódio falha no enredo e, para mim, falha em construir a tensão na casa fantasma. Isso tem que ver com direcção, mas também provavelmente devido ao próprio fantasma, que é ridículo segundo os valores de produção actuais, e por isso envelheceu mal.

A minha opinião: 1/5

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“Alfred Hitchcock Presents: The Case of Mr. Pelham (#1.10)” (1955)

“Alfred Hitchcock Presents: The Case of Mr. Pelham (#1.10)” (1955)

ah presents

IMDb

género: desconfortável

Ando-me a alimentar destas pequenas aventuras. Mesmo que já tivesse obviamente ouvido falar desta série, nunca a tinha tentado. Para já vi uma meia dúzia de episódios, e por casualidade vários deles realizadores por Hitchcock. Este é um deles. Depois de ter visto estes episódios, considero que eles merecem comentários individuais, apesar de me parecer razoável considerá-los parte de uma “série”. Ou seja, bem para lá do genérico imortal, o esquisso do Hitchcock que Alfred, ele mesmo, desenhou, e a neste momento inseparável banda sonora, há algo em cada episódio (pelo menos os que vi até agora) que os une. Ainda não sou capaz de dizer rigorosamente o que é, mas aparentemente e em geral, cada episódio tenta brincar com as noções básicas do género mistério (a casa cinematográfica de Hitch), misturado com o nonsense e o bizarro. Não assume demasiado estes dois últimos, não tanto como Twilight, mas parece-me que têm maior interesse visual do que os de Twilight, ou não fosse o patrono desta série Hitchcock. De qualquer forma, os episódios são desiguais, e bastante diferentes na sua concepção, diferentes escritores, diferentes realizadores, diferentes actores. Por isso vejo-os como curtas, parte de um universo maior onde elas existem juntas.

Este Mr Pelham é um exemplo muito bom e equilibrado dos diferentes géneros que eles usam. Talvez por isso começo os meus comentários aqui. A direcção de Hitch é bastante discreta. É competente, claro, totalmente destacada de quaisquer valores televisivos banais – que aliás, há 50 anos provavelmente não existiam tão enraizados nas mentes das pessoas como hoje – mas à excepção de alguns planos movimento, perfeitamente executados, o trabalho de câmara é normal. Esses planos movimento são na verdade notáveis, por isso reparem neles, normalmente começam as cenas, com um certo enquadramento, que indica um certo ambiente, e esse enquadramento é corrigido através do movimento da câmara para nos fazer encontrar algo que interessa, como quando Ewell entra pela primeira vez no clube, a câmara ajusta a nossa atenção para Ewell, e põe-nos na acção. A subtileza é notável.

Mas o interesse está na narrativa, a própria história. Tenho a sensação que a ideia aqui era enganar-nos e fazer-nos acreditar que estávamos a ver um caso de polícia, um usurpar de identidades, apenas para nos deixar cair na estranheza absurda do inexplicável. No final, não sabemos o que é que vimos, e podemos vir a não confiar no que vemos. Quem era o Pelham real? Quem era o Hitchcock real, no final? Como se isto fosse uma espécie de “being malkovich” curto.

Funciona, não é fascinante para lá da piada de sentir o ambiente, mas é bom. Ewell… não sei como é que ele conseguiu ser o homem a espreitar por baixo da saia de Monroe. A actuação dele é tão ruidosa e denunciada que dói. As intervenções de Hitch são impagáveis.

A minha opinião: 3/5

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve

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