The Artist (2011)

“The Artist” (2011)

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o sorriso

Já vimos coisas assim antes, não vimos? Filmes que não sobre filmes mas antes uma carta de amor a outros filmes.

Essas incursões ficam longe de me fascinar tanto como qualquer coisa nova que seja feita. Segundo penso, o cinema referenciado mais fascinante que existe é aquele que capta as lições de grandes filmes passados e que prolonga essas noções um pouco mais. Ou as quebra. Temos pessoas como os Coen ou de Palma que fizeram uma carreira a perverter ideias de pessoas antes deles. Se falamos de filmes mudos, então Guy Maddin é alguém que realmente pegou naquilo que deixamos de apreciar com The Jazz Singer, e perverteu todas as ideias para criar uma nova. É esse o tipo de referência que estou a procurar com essa paixão.

Este entra na gaveta Cinema Paraíso: uma paixão genuína e expansiva por um certo tipo e momento da história do cinema, moldado pela nostalgia. Compreenderás estes filmes se entenderes essa nostalgia, mas não necessariamente os filmes a que ela se dirige. Doçura desenvergonhada coroa esta atitude. Decidimos entrar nesse mundo ou não. Eu já o entrei várias vezes. Mas não fico lá mais do que alguns momentos sem sentir que estou a desviar-me de algo realmente importante que está a ser feito noutros filmes.

Dito isto, esta é uma homenagem bastante boa, nesse sentido plano. Alguns elementos funcionam muito bem aqui, e um é realmente interessante desde um ponto de vista cinematográfico:

O que funciona incrivelmente bem é o actor principal. Quem quer que o tenha escolhido compreendeu o potencial dele, e ele compreendeu o que era preciso para um actor mudo viver no ecran, e o realizador definitivamente compreendeu a cara dele, cada ângulo dela. Ele sorri de uma forma que vi poucas vezes. Aquele sorriso transporta o filme. Quando ele não sorri rapidamente entramos no ambiente depressivo do personagem. Actores que representam actores é algo sempre interessante. Fazê-lo basicamente com um sorriso apenas, fá-lo merecedor de Oscar. Já agora, ele é sempre um actor no filme. Quando ele está a actuar nos filmes mudos do filme, ele tem uma atitude semelhante em termos de consciência da câmara à que tem no mundo real do filme.

A narrativa desenvolve-se à volta de filmes, e termina com filmes, claro. Por isso é que os amantes se juntam a fazer um filme, e o amor dele por ela é reafirmado pelas cenas de outro filme que eles fizeram. É a auto-referência necessária para que estes filmes funcionem.

E há uma cena notável. O sonho “sonoro”. O nosso personagem mudo sonha que o mundo ganha som, objectos, tudo começa a produzir sons, excepto a sua própria voz. Isto é notável porque nada é explicado, tudo está no olho. A simples edição de sons numa cena de outro modo muda faz-nos compreender o drama deste personagem à beira da extinção. Esse foi um momento cinematográfico.

A minha opinião: 4/5

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve