Arquivo de Agosto, 2010

Toy Story 3 (2010)

“Toy Story 3” (2010)

IMDb

Totoro

Os primeiros 10 anos da Pixar na exploração de filmes de animação foram uma preparação para grandes resultados. Ratatouille e Wall.E são um glossário de conclusões narrativas e visuais conseguidas pelo estúdio. Mas Up foi um falhanço. Alguns especulam que por causa do 3D, que é preferido pelos fazedores de dinheiro-Disney, outros discutem que é a própria Disney que está a mexer os cordéis hoje em dia, e que as mentes criativas da Pixar estão limitadas agora. Alguns aplaudem essa mudança para os códigos da Disney, outros realçam a perda de poder criativo. E essas opiniões caem, positivas ou negativas. sobre este Toy Story. E apesar de eu estar preocupado com a “disneyzação” da pixar, penso que este filme é um caso diferente na sua filmografia, e na verdade ultrapassa Up em muitos aspectos.

O 3D é um desperdício. A não ser que eu sinta que eles têm alguma coisa a dizer a este respeito, não sei se vou voltar a tentar ver um filme da Pixar em 3D. É uma mera decisão executiva sem consequências visuais para lá da tradicional perda de luz. A curta que precede o filme é a única coisa bem feita a esse respeito.

Não temos um ambiente completamente absorvente, como em Wall.E (apesar de a cena do lixo aqui ter que ver com esse filme), em vez disso vivemos na memória dos velhos filmes Toy Story. Na verdade, essa componente nostálgica deste filme (especialmente para tipos da minha idade) conta muito aqui, e pode até toldar a minha visão deste filme. Mas admito que é bom ver Buzz e Woody sobreviverem para ver os nossos dias. Por isso é que este filme é um caso especial dentro da Pixar (apesar de se saber que Toy Story 3 foi uma pressão da Disney perante o valor dos personagens juntos dos consumidores).

Não temos movimentos de câmara ou exploração espacial frenética, mas parece-me que aqui se sintetizam algumas das lições retiradas de Ratatouille, que tinha tudo que ver com encaixar câmaras virtuais debaixo das mesas e no meio da louça. Por isso este filme, a esse respeito, funciona com uma recapitulação de episódios anteriores.

A história em si é uma desilusão. A tentação para a auto-referência dos anteriores TS era demasiado grande para ser negada. O que temos é a memória de velhos personagens. Eu até gosto da forma como entramos neste filme, o episódio western do acidente de comboio é um truque eficiente, e também nos diz que vamos ter referências cinematográficas ao longo do filme. E na verdade temos referências incontáveis a géneros incontáveis, todos eles, pelos que contei, retirados de êxitos de audiência. O Ken e a Barbie funcionam bem nas suas próprias cenas, ainda que lhes falte integração numa estrutura maior que, em todo o caso, não é significativa para os fazer esticar o guião para incluir Ken/Barbie como personagens importantes, e não apenas como números de circo.

O que a Pixar tem retirado da Dreamworks é a renderização das expressões faciais dos personagens. Mas espero que da próxima vez tenhamos estes tipos outra vez no trilho da inovação.

P.S. um pormenor notável que realmente apreciei, e que realça a proximidade Pixar-Disney é a inclusão de um personagem de Miyazaki com os outros brinquedos no jardim de infância. é bem conhecida a recente proximidade entre a Disney e a Ghibli, por isso realmente sorri com esta piscadela de olho.

A minha opinião: 3/5

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Day & Night (2010)

“Day & Night” (2010)

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Espelhos

Desde há muito que é um procedimento comum na Pixar. Cada um dos seus novos filmes vem precedido de uma curta animada. Essa curta indica sejam quais forem os temas que preocupam o cerne criativo da companhia nesses momentos. Por isso é que as curtas que precederam Wall.E ou Ratatouille tinham a ver com o poder das acções, poder sobre criação, narrativas, em suma. As longas por sua vez aprofundam o tema e adicionam preocupações visuais. Por isso é que a Pixar é importante: eles têm consistentemente feito verdadeiro cinema, disfarçado de êxitos de bilheteira. No processo, eles elevaram as expectativas em relação aos filmes de animação nos campos do cinema verdadeiro.

Por isso agora temos este Day and Night. Vamos ler os sinais, vamos ler as preocupações, vamos compreendê-las.

Eles lidam com as dualidades a um grande número de diferentes níveis, por isso cada elemento visual neste filme funciona como metáfora e alguns deles funcionam também como experiência visual.

Dois personagens, ambos incrivelmente bidimensionais à maneira da Disney desde há 80 anos. Estes personagens vivem num mundo negro igualmente plano. Mas dentro de cada um deles existe um mundo 3D. Um personagem é a noite, o outro o dia. A um certo momento, a aurora encontra o crepúsculo, e eles mudam os seus estados. Cada personagem tem dentro de si as coisas lindas do dia e da noite, e cada um cobiça as qualidades do outro.

Pode o dia conviver com a noite? Pode a animação plana corresponder às exigências do mundo 3d? Pode a Pixar existir como uma subordinada da Disney? Estas são as questões. O que me faz querer seguir seja o que seja que a Pixar faça é o facto de eles levantarem estas questões. O que me assusta um pouco é que eles tenham tornado essas questões tão óbvias aqui. Estão a perder qualidades? Vão baixar o nível?

A minha opinião: 3/5

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve