Arquivo de Dezembro, 2008

Carmen (2003)

“Carmen” (2003)

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Espanha francesa

Se começarmos a pensar no que envolve este filme, vamos querer vê-lo. Pelo menos eu quis: É a adaptação de uma novela de um escritor francês (imortalizada pela ópera de um compositor francês). O escritor, Mérimée, foi também um historiador-arqueologista-tradutor ou seja, alguém que se interessava por “exotismo”, num tempo em que os mundos rurais de Espanha ou Portugal ainda eram considerados exóticos pelos ingleses e franceses. Essa novela estabeleceu os clichés e os preconceitos em relação à cultura espanhola que ainda são considerados estes dias (e eficientemente explorados pela indústria de turismo). Bizet também ajudou a estabelecer outros clichés, musicais. Mas este filme é espanhol, na produção, mentes criativas e pessoas envolvidas. Por isso, havia aqui uma oportunidade brilhante para um comentário espanhol a esta cultura espanhola descrita por um francês. Essa era a motivação para mim.

Eles começaram bastante bem, e eu penso que eles pensaram no que eu mencionei. Por isso colocam Mérimée na história como personagem, que observa a Andaluzia como um estrangeiro, e tira notas do que vê, partilha mesmo espaço e cenas com a Carmen e José. Isso foi bom e apreciei a audácia de atravessar a linha dos factos (se alguma vez existiu uma Carmen, Mérimée nunca a conheceu.

Mas o problema é que eles nunca saem dos próprios clichés que Mérimée estabeleceu. O filme é visualmente luxuriante, como a ópera o é, musicalmente. Os cenários são brilhantemente barrocos, a (excelente) produção enfatiza ambientes de paixão (operáticos, também), e um ambiente laranja/amarelo sexualmente desviante. Mas eles também enfatizam um pouco demasiado o temperamento dos personagens, desviando a coisa do que poderia ter sido explorado, algo que poderia ter importado e que na verdade é notado:

O drama está construído ao redor de Carmen, e da inabilidade de José jogar o jogo de acordo com as suas regras. Essas regras são definidas por um contexto cultural, e é aí que a fricção existe. Carmen vem de um ramo da cultura espanhola que transcende a Espanha. Ciganos, um grupo nómada, um povo que não queria ou não podia adaptar-se às normas estabelecidas pela cultura católico-romana (essa rejeição ao mesmo tempo procurada e forçada ainda dura hoje em muitos sítios). José é basco, mas isso é pouco visto, bem podia ser de Madrid, que neste caso ia dar ao mesmo, ele é também um cliché. Assim, são essas diferenças culturais que interessam. Como mencionei, isto é notado, mas não trazido para o centro da construção. Eles preferem insistir na sensualidade como o mecanismo do enredo e no sexo como a motivação dos personagens; por isso temos Paz Vega aqui, que tinha estado no sexocêntrico e brilhante ‘Lucía y el sexo’, apenas 2 anos antes. Bem, ela dá o que era pretendido, e é sensual para os meus olhos contemporâneos e contextualizados. Por isso, o problema não é o que eles fizeram aqui, é mais o que poderiam ter feito.

Nota paralela: podemos considerar a Carmen como um símbolo precoce de uma emancipação das mulheres que apenas ocorreria realmente décadas mais tarde. Isto é algo que Mérimée observou, ou algo que ele incluiu como parte da sua visão mais cosmopolita das coisas?

A minha opinião: 3/5

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Trasgredire (2000)

“Trasgredire” (2000)

trasgredire

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Ver e Tocar

Por vezes escolho um conjunto de filmes, 5 ou 6, que exploram, penso eu, alguns temas que me interessam. Desta vez não sabia exactamente o que queria, mas -sabia que tinha algo que ver com formas de explorar uma certa noção de erotismo, ou pelo menos centrar o filme em sexo; -também queria ver formas diferentes de compreender uma mulher pelo cinema.

Este foi o primeiro que eu decidi ver deste meu ‘ciclp’ (apesar de ser o segundo que comento). Está mais centrado numa mulher que em sexo.

Enfatiza Mayarchuk, e toda a história gira em torno de observadores, e desejo por ela. Por isso é uma história de voyeurs, pessoas que observam, pessoas que tocam. Mesmo a própria ideia do que o sexo significa numa relação sublinha isto: pessoas que gostam de ver os seus parceiros copularem com outros. Observar como o combustível do ciúme, e o ciúme como combustível da paixão.

Acima de todos os personagens que se observam, temos Brass que observa Mayarchuk, e o tema visual aqui é explorá-la. Por isso todo o sexo com ela são situações forjadas para mostrar o corpo dela (especialmente o traseiro. Reparem que todo o sexo, mesmo o oral, e as carícias, é por trás).

Claro que estes filmes, apesar de darem maior liberdade aos realizadores para explorar as suas preocupações visuais (o público médio pede pouco destes filmes), também estão agarrados a baixos orçamentos (fracos valores de produção), e um conjunto de regras que têm de seguir. Tinto Brass é aparentemente um mestre deste género (este é o seu primeiro filme q vejo), e creio que há coisas a ser exploradas neste tipo de filmes.

Não achei Mayarchuk apelativa, apesar de eu vir de uma cultura europeia e latina. Por isso, suponho que ela vai ao encontro dos desejos de uma boa porção de espectadores portugueses, espanhóis e italianos, para quem a loira, e grandes tamanhos são o símbolo de uma sexualidade nórdica, tão apreciada no sul da Europa.

A minha opinião: 2/5

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Lila dit ça (2004)

“Lila dit ça” (2004)

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ineficiente

*** Este comentário pode conter spoilers ***

‘Finding Forrester’ mais Nabokov, mais Tornatore. O produto final pode superficialmente assemelhar-se a ‘Lucia y el Sexo’, mas é um jogo diferente. E almas diferentes a jogá-lo.

Penso que no final, o que temos é uma miscelânea de diferentes ideias, diferentes ritmos, diferentes dinâmicas, e não funciona como era pretendido (pelo menos como eu penso que era pretendido). Tenta trabalhar o mudança de idades de um jovem, a flor que cresce no pântano de marginais. Ele é um escritor, isto interessa, mais tarde no filme, e ele relaciona-se com a rapariga.

Ela é Lolita, e no final compreendemos que o rapaz escreve a história que ela lhe diz (daí o nome do filme). Começo a descobrir um dispositivo comum em filmes, que é um sistema em que nos dão pistas de que o filme que estamos a ver é na verdade o filme ou o livro que alguém no filme está a criar. ‘Pepi, Luci…’, ‘Das Leben…’ etc. Um dia faço uma lista.

Vahina Giocante é parte da razão porque este falha para mim. Ela não é Dominique Swain, nem Juliette Lewis. Um papel como este provavelmente pedia alguém como Jennifer Connely nos seus anos adolescentes. Giocante por acaso utiliza bastante bem os olhos, mas não muito mais que isso. Isto poderá ser cultural, mas não a apreciei aqui.

Há um subenredo sobre imigrantes muçulmanos em França (o realizador vem, creio, desse contexto). Creio que o filme pisa demasiado nesse tema. Não tenho nada contra, mas podemos fazer filmes sobre imigração e fricções sociais se queremos (‘La Haine’, feito por um francês) mas este era suposto funcionar noutro nível, o do encontro inocente, revelações íntimas, rapaz conhece rapariga e o que resulta disso. O resto é inútil.

O final é bastante poderoso, provavelmente a parte mais poderosa do filme. Isso acontece porque usa o dispositivo narrativo que referi acima para resolver e terminar o arco dramático do filme. A rapariga tem um livro onde colecciona pedaços de revistas, fotografias, jornais, o material que ela usa para inventar a sua vida centrada em sexo. O rapaz acaba por descobrir que tudo foi uma invenção na cama onde ela é violada, sim, mas o pedaço em que ele revive as fantasias dela pelos excertos do livro foi muito mais poderoso, para mim. Isto compensa parcialmente as fraquezas do resto do filme.

Creio que havia ambição aqui, o realizador está a traçar o seu caminho (este é apenas o seu segundo filme), mas falhou, para mim. E tenho muita pena, cheguei a este filme porque estou a tentar fazer o meu caminho a ver filmes que sejam sobre mulheres, e que tentem compreendê-las, ou dar um ponto de vista interessante (Medem é o meu mestre nesse canto).

A minha opinião: 2/5

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Marnie (1964)

“Marnie” (1964)

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Só uma aresta

Este é um filme menos apreciado de Hitchcock. Creio que falha num ponto que certamente interessava a Hitch, mas acerta noutro nível. De qualquer forma, creio que o que interessava mais a Hitchcock for precisamente o que falhou.

Quem leu as minhas outras opiniões sobre filmes de Hitch sabe que ele trabalhou em fases muito claras, motivadas por temas que lhe interessava dominar. Assim, creio que ele teve uma fase de exploração espacial que começa com ‘Rope’, outra baseada em ambiente/estilo (culminando com North by Northwest) e uma terceira fase onde coloco este filme.

Nesta fase, o mestre tenta encontrar soluções visuais/narrativas para entrar no abismo da alma humana. Imagino que, sendo já um mestre em manipulação visual e narrativa, e tendo criado ensaios sobre como o olho funciona (Rear Window, Rope, Dial M…) estava agora interessado em como poderia colocar o avesso de um personagem nos olhos de uma audiência. O curioso é que nesta fase ele conseguiu o seu melhor na primeira tentativa, Vertigo, um dos melhores filmes de sempre. O que ele fez depois nunca foi tão preciso e interessante, para mim. Nem Psycho, nem Birds, nem este Marnie.

O sucesso de Vertigo é que o personagem de Novak nos engana a nós como engana ao personagem de Stewart e por isso vagueamos nas mesmas ruas labirínticas de ignorância de Stewart. Esse é o truque que ele usa, e a sua capacidade superior para fazer as coisas desenvolverem-se visualmente completa a obra.

Por isso, o ponto onde este filme falha é onde era mais ambicioso: em tentar fazer-nos funcionar como Marnie, e ver o mundo pelos seu solhos. Não temos aqui um dispositivo narrativo que permita a Hitch usar os seus maravilhoso sistemas de narração visual para fazer a coisa funcionar. Por isso é que ele usa o ecran vermelho sempre que quer sublinhar o estado de espírito de Marnie. Excepto por esses momentos que não são suficientes para nos transportar, pelo menos a audiências de hoje, como espectadores somos meros observadores dos factos da vida de uma mulher que percebemos que está perturbada, sem sentirmos essa perturbação.

Também, e isto poderá ser culpa de Hedren/censura, não conseguimos ligar-nos (eu pelo menos não) à sexualidade distorcida e reprimida por baixo da frigidez de Marnie. Talvez o filme que o tema merecia não pudesse ser feito em 1964. O cavalo como um elemento de escape à repressão sexual da sua mãe, o comportamento de repulsa como o cerne da sua capacidade para atrair homens, ou a cena da violação (tanto pelo personagem de Sean como a violação subentendida da sua infância). Pena, mas não sei se Hedren seria capaz de conseguir o efeito pretendido mesmo sem os constrangimentos da censura. Simplesmente parece-me que ela não é esse tipo de mulher (talvez Novak ou Kelly o pudessem ter feito).

O que funciona é aquilo em que Hitchcock nunca falhou: a sua economia visual, e como ele nos agarra na visão e nos leva onde quer. Há cenas que são notáveis por si mesmas. Assim, vejam a cena inicial, como ele estabelece o que Marnie faz, o seu método, o seu disfarce, e a introdução ao personagem de Sean Connery e ao que ele sabe. Vejam a cena do roubo no escritório de Rutland, como o enquadramento é perfeito (em termos de decidir exactamente o que devemos ver) constrói uma cena tensa e puramente visual. E vejam o plano grua relativamente celebrado na festa, realmente é magistralmente económico e significativo. O filme é um falhanço relativo pelo que disse, mas estas cenas fazem-no valer.

A minha opinião: 3/5

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Double Indemnity (1944)

“Double Indemnity” (1944)

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O Personagem controla o destino?

Antes deste, vi o ‘Ministry of Fear’ de Lang, onde ele era um homem que tentava sair de uma concepção visual específica para entrar noutra com efeitos visuais semelhantes, mas usados de uma forma totalmente diferente (e aí estavam as dificuldades de Lang para entrar no novo mundo). Billy Wilder nasceu para o cinema no contexto do jogo noir, foi um dos melhores nesse jogo e fez o melhor filme da primeira fase do noir, para mim. Este é o seu primeiro noir (e apenas o seu quarto filme). Podemos ver onde ele vai, e ver este filme é importante, quanto mais não seja para percebermos as raízes de ‘Sunset Blvd.’, uma obra prima de narrativa cinematográfrica.

Assim, temos um dispositivo comum narração, em que um personagem principal, ao redor do qual toda a história se desenvolve, narra tudo (em sunset assumimos do início que estamos a ouvir um homem morto, aqui ele grava a própria voz, antes de morrer). É um bom sistema, eficiente em 2 sentidos.-Primeiro diz-nos onde a história termina, sabemos que algures, algo vai acontecer para permitir que o personagem chegue onde o vemos no início e isso limita a narrativa em dois pontos: as imagens que primeiro vemos do personagem depois de tudo acontecer, e o primeiro momento do que ele narra em flashback. -Também nos diz sem dúvida quem o narrador é; nós Sabemos que tudo o que veremos vem dos olhos e ponto de vista de Neff, e especialmente, o que não vemos ele também não viu.

O resto é jogo noir comum, vários personagens que lutam por poder sobre a acção, Neff, a ‘femme’ loira, Zachetti; uma mulher que é uma marioneta para todos os manipuladores, Lola, e um ‘detective’ que neste caso não está no centro da história, ao invés tenta compreender as coisas que nós, audiência, já sabemos, e serve como obstáculo a Neff (o personagem de Robinson).

Falha em alguns pontos. Creio que Stanwyck não tem o magnetismo necessário, e ainda mais quando ela partilha o ecran com a maravilhosa Jean Heather, que posa e actua de formas de longe mais interessantes. O seu personagem deveria ter sido muito mais explorado, ela é Lola(ita!). Suponho que os códigos e a censura não teriam permitido que algo realmente interessante fosse feito com este personagem. Zachetti, supostamente é pouco importante e acaba por ser crucial. Mas o facto é que ele não tem qualquer peso. E a conclusão deste jogo é fraca porque na verdade é Neff que escolhe o seu destino, não o contrário… Ele poderia simplesmente ter virado costas e fugir se não fosse por problemas de consciência. Ele deveria ter acabado atado pelo destino que o moveu o tempo todo.

A minha opinião: 3/5

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Ministry of Fear (1944)

“Ministry of Fear” (1944)

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Noir e (sem) Alma

O que aconteceu a Fritz Lang quando ele foi para a América? Todos os elementos mais fortes da sua criação na Alemanha perderam-se. Ando a ver os seus filmes americanos, para já vi 3, e nenhum vale a pena o tempo.

Assim, a história é conhecida: tendo feito um bom número de filmes na Alemanha, todos eles (ou a maioria) tentando explorar os limites do cinema como um palco, e a tentar encontrar a manifestação visual das almas em jogo (expressionismo). No caminho, ele criou trabalhos de poder visual duradouro (M, Mabuse e Metropolis são provavelmente os pontos mais altos, pelo que conheço). Ele não estava sozinho, estava inserido numa tendência na Alemanha. Com a ascensão nazi, ele foi para a América. Aí, ele abandonou a experiência expressionista, e começou a produzir sobretudo um género em evolução, o que se tornaria o filme negro. O noir básico, dos anos 40, pede muito emprestado ao expressionismo que Lang ajudou a desenvolver na Alemanha, mas tinha um desenvolvimento narrativo diferente, e mudou o significado do que os efeitos luz/sombras significavam nos filmes alemães.

Este último aspecto é provavelmente o que fez a coisa falhar. Na Alemanha, ele estava interessado (como expressionista) em passar os sentimentos pesados nas almas dos personagens para nós, e fazer-nos sentir como eles, e criar um mundo que reflectisse uma alma. Para o noir funcionar, o realizador deve concentrar-se em como a história se desenvolve em torno de um personagem. É uma questão de criar um mundo que o personagem principal (e nós) não conheçoa, para poder fazê-lo (e a nós) encontrá-lo. O personagem está no centro desse mundo.

Por isso, este É noir. Tem todos os elementos, na verdade até estão bem montados. Foi feito quando o noir já estava completamente estabelecido como género, e as regras desse género estão todas aqui. Assim, temos o personagem de Ray Milland no centro de uma conspiração criada “especialmente” para ele. Mas depois, Lang quer que mergulhemos nas profundezas da sua alma, o relógio que ele observa no início e ao longo do filme. E isso baralha as coisas, até porque a construção noir é puro noir, mas não assim tão bom, não assim tão cativante.

Somado a isto, temos a vontade de retratar a guerra. Assim, o sub-enredo da conspiração é provavelmente uma mensagem de “suspeitem de toda a gente” dirigida às audiências desses dias. Mas apesar de tudo, é entretenimento.

Assim, o filme não tem alma, porque Lang queria desenvolver almas, mas o então relativamente novo género requeria técnicas narrativas.

A minha opinião: 1/5

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Number Seventeen (1932)

“Number Seventeen” (1932)

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3 visões

Se este tivesse sido o último filme de Hitchcock, teria hoje apenas um pequeno interesse histórico. Mas porque ele seguiu para realizar obras como a Corda ou A Janela Indiscreta, este pequeno filme (e outros) tornam-se importantes para nós compreendermos onde a sua câmara curiosa começou.

Quero ver outros filmes de Hitch deste tempo, mas agora mesmo, para os meus olhos, neste momento ele estava fortemente ligado a 2 concepções visuais específicas, enquanto tentava desenvolver a sua própria.

Assim, temos contrastes fortes, onde as sombras controlam as acções, ou objectos, ou mesmo personagens, e isso defino o modo da acção, seguindo o expressionismo alemão (que mais tarde seria o suporte perfeito para as construções narrativas do filme noir). Neste campo, Hitch não era um génio, mas dominou-o bastante bem. Isto está presente na primeira parte do filme, na casa.

Ele também segue Eisenstein, e a secção do comboio é uma montagem bastante boa. Ele utiliza bem os modelos, e a edição tem um bom ritmo e balanço. Uma vez mais, ele é competente.

Mas o melhor é a primeira parte do filme: o movimento da câmara. Aposto que ele escolheu aquela casa com aquele poço de escadas para poder jogar com o que lhe interessava mais. A câmara move-se e explora espaço, a cena em que o detective (e nós próprios) entramos na casa pela primeira vez é uma demonstração precoce do que a sua ‘fase Corda’ traria. O primeiro terço do filme consiste basicamente em subir e descer as escadas, descobrindo coisas, explorando-as com a câmara.

A sua estratégia ‘McGuffin’ é uma trapalhada aqui, ele ainda não era capaz de engendrar um enredo suficientemente simples e eficiente para que o possamos esquecer e concentrar-nos no que ele faz, no olho. É confuso, e tão complexo (tantos personagens desnecessários!) que corremos o risco de tentar compreender o significado de tudo. Bem, eu não me interessei, e apreciei o filme pela manipulação visual que Hitch faz.

Este filme está partido em pedaços (começando com o enredo) e dividido por tendências cinematográficas. Cada pedaço é suficientemente competente, mas o resultado global é bastante trapalhão. Bem, ele estava a experimentar.

A minha opinião: 2/5

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve