Arquivo de Março, 2008

Helvetica (2007)

“Helvetica” (2007)

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Catálogo

Como um futuro arquitecto, eu senti-me próximo do que estava em discussão aqui. A evolução de muitas das concepções, concepções vulgares, do que arquitectura deveria ser ou, como o design gráfico deveria ser encarado, é bastante similar. Assim, temos design, aqui representado pelas diversas fontes de escrita, que surgem como resposta a uma necessidade, uma representação de um certo momento no tempo, ou o ícone de determinada postura política ou de vida.

O título do filme é uma criação do modernismo, e isso significa que funciona, tenta ser universal, e é durável, em termos visuais. Isso não impede que seja um potencial alvo de críticas. O que se passa é, a natureza humana não permite que os humanos permaneçam iguais sempre. Isso porque a mente humana é criativa. Ao mesmo tempo, os homens gostam de fórmulas. Gostam que lhes digam o que está certo, gostam de confiar. E na verdade, com a excepção de um número reduzido de artistas que têm/tiveram o génio para produzir trabalho gerado numa realidade qualquer paralela, algo que Platão descreve, a vasta maioria dos mortais necessitam referências, fórmulas (mesmo que lutem contra elas), necessitam de restrições, como alguém disse neste documentário. Assim, à Helvetica podem-se juntar muitas fórmulas, as caixas modernistas da Bauhaus, os espaços transparentes de Mies, tudo foram criações que nasceram de mentes criativas e que foram massivamente adoptadas, com resultados notáveis ou com gradual perda de interesse, contexto e qualidade. No final, creio que todos somos, em maior ou menor grau, conservadores e radicais, conformistas e revolucionários, Helvetica e manual, Gropius e Gaudi. É na oscilação entre estes extremos que a criatividade humana funciona, e nos conflitos que existem nesta evolução. Por isso, quem és tu? Que riscos estás disposto a ter? Quão novo estás disposto a ser?. Se fosse (for) americano, em quem votaria? Obama ou Clinton? A ideia por trás do que está neste filme, é que as escolhas que tu fazes definem quem tu és. Mas há um senão. Estamos a falar de escolhas sobre as criações dos outros. As pessoas defendem que a Helvetica faz parte delas, mas também faz parte da American Airlines. E uma janela é aberta, no final do filme.

O facto de, hoje, a democracia tecnológica permitir a alguém ter um poder de comunicação e personalização muito maior dos nossos “bilhetes de identidade”. Pessoalmente não creio que a tecnologia estimule a criatividade, aumenta as opções, sim, mas isso apenas nos dá um maior catálogo de “fontes”. O nosso poder de inovar é o mesmo, com ou sem computadores. Eu até creio que os tempos fantásticos que conseguimos obter ao trabalhar com um computador podem matar o processo criativo, a partir do momento em que nos apressamos a fazer coisas só descobrindo que não são as opções certas quando já é demasiado tarde para mudá-las. Mas é fantástico que hoje uma pessoa possa produzir um filme completo com um telemóvel, ou saber todas as coisas de determinada área de conhecimento com pouco ou nenhum dinheiro. Vai levar vários anos para nós compreendermos que trabalho importante pode ser criado com as possibilidades que temos hoje. Sou céptico, mas também encorajo as possibilidades, e penso sobre o que poderemos fazer com elas. E é realmente apaixonante estar vivo e poder participar no processo. Escrevendo com Helvetica, ou manualmente…

A minha opinião: 4/5 vejam este

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The Transporter (2002)

“The Transporter” (2002)

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pólvora seca

Isto está baseado em nada. Tudo explode, mas nada rebenta. Os elementos usados neste filme serão vistos, suponho, como as características principais nos filmes de acção desta primeira década do século. Temos uma cinematografia específica, baseada em tons azuis que funcionam como um tipo de imagem sóbria, dura, mesmo violenta. Isto supostamente marca o tom da acção, que por sua vez é coreografada, mas também dura, pesada. A edição tem um papel fundamental nisto tudo, muitas vezes não nos é permitido a nós, espectadores, compreender exactamente tudo o que acontece. Os filmes Bourne começaram esta tendência, creio, Casino Royale explorou-a com sucesso, assim como vários outros filmes. Não este. Este é uma colecção de truques inúteis, que não funcionam em nenhum ponto do filme, em nenhuma situação. Não há nada aqui. Copia mal as suas referências, vive de um certo estilo, mas esse estilo aqui está corrompido e é usado de forma incompetente.

A minha opinião: 1/5 afastem-se deste.

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Billy Madison (1995)

“Billy Madison” (1995)

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Sandler com uma ajuda

este é um filme vulgar com dois momentos que o valorizam parcialmente.

O Adam Sandler acostumou-nos a projectos em que tudo gira em torno do seu personagem, todos os elementos existem para realçar as suas qualidades como intérprete de comédia. Ele é um daqueles humoristas que construíu uma carreira em redor de um personagem específico. Neste caso, alguém que é anormal, aparentemente aparte de tudo que, no entanto, acaba por ser capaz de completar feitos puramente honestos e difíceis. Assim é o caso aqui. Mesmo o título dá-nos o que veremos: billy e não muito mais.

Há uma questão de gostos pessoais aqui, se gostar de Sandler, pode-se aguentar este filme, suponho que tem bons momentos do seu ‘personagem’. Mas é, no entanto, uma experiência vulgar sem muito ou nada para dar.

Há, no entanto, dois episódios bem feitos. O primeiro é a participação de Steve Buscemi. Ele aqui faz também referência e brinca com o seu próprio personagem, o psicopata estranho, o velho companheiro de turma de Sandler que se torna um psicopata com desvios sexuais. Isso foi realmente engraçado, pela associação que fazemos com os personagens passados de Buscemi. O outro momento é o excerto musical. Suponho que funciona porque é totalmente inesperado. Pelo menos eu não esperava, e imita com um bom nível cómico os musicais clássicos que referencia. Claro que, para além destes momentos, não muito mais aqui.

A minha opinião: 2/5

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No Country for Old Men (2007)

“No Country for Old Men” (2007) (Este país não é para velhos)

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as crianças que saíram da caixa de areia

Este filme é uma grande experiência em muitos níveis, e um dos melhores usos do widescreen que tenho visto em produções recentes. A fotografia é invejável, e chamo a atenção para todas as cenas que têm lugar no sítio do massacre. Dia, noite, de cima para baixo e ao contrário, todas as situações e ângulos são tentados, todos eles significam coisas diferentes em pontos diferentes da narração. É realmente grande trabalho. Mas há questões aqui para ser analisadas, creio.

Estou convencido que grande parte do gozo pessoal que podemos tirar de um filme (e de outros trabalhos criativos) é uma questão de decisão pessoal. Basicamente temos duas opções: ficar na superfície, ou pensar/sentir. A vasta maioria das audiências médias de cinema funcionam na primeira situação que basicamente se traduz em “gostei da história?”, “gostei das actuações?” (no nível básico de serem convincentes ou artificiais), e eventualmente a beleza das imagens. Para esse tipo de audiências este filme funcionará perfeitamente, porque está construído de situações/enredos/personagens já vistos. Nada do que temos aqui é pouco usual, traficantes de droga, dinheiro, xerife, e a fronteira dos EUA com o México. Ah, e o psicopata. Com estas afirmações, não me estou a retirar da audiência média. Mas procuro os meus caminhos para tentar compreender o que poderá estar por trás do que vi. Neste caso, não acredito que os Coens simplesmente fossem com a corrente, e fizessem tudo o que seria esperado de outros realizadores apenas competentes. Mas de facto, aparentemente eles fazem isso… suponho que foi propositado.

Gosto de tentar encontrar auto-referências em filmes, ou metáforas para as mecânicas das coisas no mundo real. Por isso tentei fazer a minha própria interpretação do mundo que vi neste filme e estabelecer uma possível relação, que pode ter alguma lógica, ou nenhuma de todo. É importante dizer que não li o livro, nem conheço a escrita de McCormack, mas creio que a sua influência neste filme deve reflectir-se na estrutura narrativa, de episódios que são paralelos, por vezes intersectam-se e ligam-se (nem sempre os Coen funcionam desta forma). De qualquer forma, decidi ver o seguinte: temos um filme que começa no rescaldo de uma chacina. Muitos corpos, disputas de droga num território fronteiriço, e uma grande quantidade de dinheiro. Isto está encenado para nós, é a secção do filme em que somos forçados a ver realmente o cenário e em que somos posicionados lá. Temos alguém que é totalmente ignorante em relação ao que se passou, e o destino/acaso leva-o a encontrar o dinheiro. E ele é perseguido por isso. Verifiquemos o caçador. Todos pensam que ele é louco, que “you(ele) don’t have to do this”. Mas ele nunca cede um único milímetro. Ele tem a sua própria moral, ele cria as suas regras, e ainda dá uma chance ao destino, quando usa uma moeda para decidir sobre a vida e morte. No final, ele procura exactamente o mesmo que todos os outros, o ‘macguffin’ (dinheiro), mas intuitivamente sabemos que ele tem outras motivações, apesar de não sabermos exactamente quais. Isto foi feito por dois irmãos, orgulhosos de serem aqueles que brincam numa caixa de areia do canto de Hollywood, fazem os seus jogos e não são aborrecidos por aqueles que estão “apenas” atrás do dinheiro. Mas afinal, eles também jogam o grande jogo, eles também produzem no contexto do Moss e do Wells deste filme, e eles também estão sob a jurisdição do Bell. Eles não são independentes na visão falida europeia, eles nem são cineastas de baixo custo. Eles são estrelas, e o sucesso mediático deste filme fê-los ainda mais estrelas. Assim, creio que assisti a um jogo. Os Coens pondo audiências, investidores, produtores a verem-se a si mesmo, fugindo e temendo os Coens, e a rir disso. Ironia encoberta. Mas tenho um senão neste jogo. O filme encheu muitos bolsos, é visto, e o seu sucesso pode tornar-se uma espécie de paradigma, um estilo para ser perseguido, copiado, e reconhecido. Assim, quem ganhou o jogo?

E já agora, para mim este é o mais “convencional” dos filmes dos Coen, convencional em relação aos outros filmes dos Coen, e também em relação aos filmes convencionais.

A minha opinião: 4/5, é divertido ver Joel e Ethan, mas eles já fizeram melhor. Mas este é um bom filme.

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Fados (2007)

“Fados” (2007)

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Fado também é arte

Tenho sonhado com este filme. Apesar de o ter visto há alguns meses, não o comentei antes porque queria compreender como ele caberia na minha imaginação. E tem mexido com os meus sonhos de uma forma que eu não tinha ainda experimentado antes. Este trabalho é um marco, e vou marcar este como um filme que deve ser visto se se quiser obter a máxima amplitude daquilo que a imagem em movimento tem para oferecer.

Eu tinha experimentado o género musical segundo a visão de Saura. Este supera o que eu tinha experimentado com Iberia e Flamenco. Ele superou tudo o que tinha sido feito antes nesta área. O que se passa é: não tenho a certeza de ter visto cinema aqui. Eu vi uma composição, que implica música, desenvolvimento plástico de cenários base baseados no sentimento que a música causa, enquadramento, movimento da câmara e por aí em diante. Assim, Saura joga com todo o baralho de cartas. Ele joga com a câmara, som e a imagem/composição. Ele usa todas as possibilidades, e sabe tão bem onde quer ir.

Provavelmente, como português, eu liguei-me com este filme de forma especial. Fado é uma arte em desenvolvimento, é uma forma de expressão que saltou já da “periferia”. Amália Rodrigues tentou saltar barreiras, ela procurou fazer do Fado algo mais jazzístico no sentido em que podia tocar com mais “notas”, quebrar formas, quebrar mesmo a ideia de formas rígidas. Ary dos Santos foi o equivalente no campo das palavras (e suportou nesta pesquisa o emergente Carlos do Carmos, que actua neste filme). Mas quando Amália começou, ela tinha o fascismo a suportar o “tradicional” e o fado tinha o papel fundamental de suportar a alma das pessoas, e a saúde do império. Por isso ela nunca teve a oportunidade para levar a música para todo um nível novo, como tem sido feito em anos mais recentes.

Mariza apareceu, entretanto, bem apoiada pelas pessoas certas, e ela levou o fado, musicalmente, para um novo nível artístico. Fado é também música, disse-lhe Morelembaum. Novos desenvolvimentos musicais estão em curso. E agora temos este filme. Aqui a questão torna-se mais universal e relaciona-se com outros “desportos”. Várias formas de expressão “paralelas”, que intersectam o fado sem serem exactamente fado. Sob essas expressões, Saura coloca superfícies coloridas planas, e ele usa-as à sua vontade, para realçar o melhor que os “números” (danças ou música) têm para oferecer. Assim, ele usa espelhos para multiplicar as áreas ou para reflectir movimentos que lhe interessam, e usa cores fortes, normalmente para colocar caras em contraste. Aqui ele consegue momentos de génio. Sonho com aquele laranja amarelado, creio que chorei uma lágrima no meu lugar sobre aquele laranja… O génio aqui aparece quando Saura consegue usar todos os meios que tem para realçar o valor da música. Ele cria uma nova forma de arte, que poderá estar para lá do cinema, algo entre o happening e a instalação, mas muito mais interessante que esses dois. Curiosamente, 2007 também nos deu um filme que eu considero essencial, Caótica Ana, de Medem, outro espanhol, e nesse filme comentei uma cena específica que considerei ser algo mais que cinema, algo que incluía o espectador. Muito interessante, o mesmo ano, o mesmo país. Creio que o próximo passo aqui será incluir nestas concepções um olho arquitectónico/espacial. Isso poderia dar-se estudando os arquitectos do cinema (Welles, Tarkovsky, Antonioni…) e referenciá-los, ou transformar esta numa experiência física real, mas aí o cinema estaria ausente. Preferia que isto fosse feito da primeira forma.

A minha opinião: 5/5 senti que estava a assistir à construção de um novo meio, algo que nunca tinha visto antes. A sensação é fantástica.

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The Secret Life of Words (2005)

“The Secret Life of Words” (2005) (A vida secreta das palavras)

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um cenário que actua

Este filme parte de um princípio lindo, um que está em contacto intenso com os temas e a forma dos personagens. Esse princípio funciona porque as actuações o permitem.

Este filme é sobre ser incompleto, pessoas anormais que fogem de situações normais – quaso o contrário o tipo de drama mais comuns estes dias, pessoas normais em situações estranhas.

Há grandes pistas para se compreender visualmente o que os 2 personagens principais sentem física/profundamento. Assim, os personagens estão numa ilha, uma ilha artificial, auto-absorvidos, e disfuncionais, como a plataforma petrolífera. Ela é surda, e capaz de decidir se quer ou não ouvir, ele está temporariamente cego. Compreendi a surdez como alguém que pode decidir se quer estar na ilha (pelo silência absoluto, ou pelo ruído constante da fábrica onde trabalha quando não é uma enfermeira). A cegueira temporária foi o processo pelo qual o personagem de Robbins é forçado a “ouvir” (sinónimo de compreender) em vez de “ver” (sinónimo de preconceber).

A forma como a conclusão apareceu, com a revelação do passado da rapariga surgiu-me como natural, e confirmou que as tensões, revelações, etc todas chegam na verdade pelos planos na plataforma petrolíferas, que fala connosco e revela mais do que os diálogos, esse é o interesse deste filme. Por isso é visual. O dispositivo conta a história. A oposição entre interior e exterior ajuda. Temos sobretudo câmara manual para os diálogos, e travelings para os exteriores.

Eu sabia que Tim Robbins era competente. Por vezes ele é fantástico. Ele é um actor inteligente, um daqueles que é um artista por direito próprio que tem uma porção criativa muito grande nos projectos onde trabalha, ele tem o seu próprio ‘método’. Sarah Polley foi uma surpresa. Ela tem talento, ela projecta o personagem internamente, ela é muito contida, mas sempre emocional. Não tenho a certeza quanto a isto, mas ela lembra-me em parte o tipo de actor que Henry Fonda era (e a sua filha também). Vou seguir a carreira dela. Ela realizou um filme recentemente, estou interessado em descobrir como ela transportou as suas qualidades como intérprete para o campo da realização.

Isabel Coixet tem um toque pessoal, não é original, ela não arrisca muito, mas referencia bastante bem os cineastas que segue. Gosto disso. Esta experiência vale a pena, é algo que nos pode tocar profundamente se tivermos a capacidade para entender as abstrações das interpretações minimalistas e projectar essas abstracções na forma como o cenário está filmado. Isso é interessante…

A minha opinião: 4/5

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Breaking and Entering (2006)

“Breaking and Entering” (2006)

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visual, mas pouco vigoroso

Interessa-me muito o trabalho de Minghella. Há uma poesia visual transversal a todos os seus filmes, bons ou maus que, apesar claramente enraizados em referências específicas, são bastante pessoais e honestos. Muitas vezes tenho a impressão que ao longo de todo o filme ele está apenas a mostrar uma única imagem, que é distorcida, desvanecida, ligeiramente mudada. Assim ele é coerente no seu próprio mundo. Ele é abstracto na forma como cria sensações e sentimentos que podem não estar directamente relacionados com a história ou os personagens do filme. E tem um elemento que sempre joga em concordância com o que ele pretende: a música de Gabriel Yared. Quando (se) eu comentar no Paciente Inglês, todas estas observações serão mais significativas e farão mais sentido (apesar de eu sentir aí a necessidade de explorar estas ligações com mais intensidade). Mas, em geral, estas são as características que prepassam os filmes de Minghella. Este não é excepção. Ele escolhe uma localização, facilmente identificável (Londres), e coloca aí a sua narrativa visual poética. Ele constrói a sua própria cidade dentro da localização real. Não admira que o protagonista seja um arquitecto. Apesar de tudo, o filme tem pouco que ver com arquitectura.

O que se passa aqui é que há cineastas que operam (independentemente do que façam) sobretudo num mundo espacial (Welles, Antonioni, Tarkovsky, dePalma…) e outros enraizados em imagem, em enquadramento (Wenders, Lynch, Lang, Antonioni outra vez…). Minghella é um deste segundo tipo. Ele baseia a sua narrativa visual em imagens enquadradas, e as possibilidades que isso traz à nossa imaginação. É como se o filme que vemos aqui fosse a maqueta que o jovem ladrão constrói ao longo do filme, e os personagens fossem os modelos humanos escalados que ele coloca lá. A necessidade de escapar (ou a necessidade de mudar) aparentemente conduz o destino desses personagens. O rapaz que procura o espaço abstracto (arquitectura em processo) para escapar à sua realidade marginal, Binoche que procura o caso amoroso para escapar à sua solidão, Law que participa no mesmo caso para escapar à sua difícil vida familiar. A banda sonora de Yared tem aqui uma ambiguidade interessante entre uma visão épica e um ambiente contido. Onde eu creio que este filme falha (ou pelo menos não funciona como outros filmes deste realizador) é na sua falta de energia. É menos vigoroso que “mr ripley” e menos meditativo que “english patient”. Suponho que é coerente dentro do mundo que mostra, mas esse mundo não é tão eficiente ou interessante como o mundo dos outros dois filmes. Vejo este como um trabalho menos bom do realizador, mas vale a pena ver uma vez.

A minha opinião: 3/5

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve