Arquivo de Dezembro, 2007

Madame Tutli-Putli (2007)

“Madame Tutli-Putli” (2007)

Cinanima 2007

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Não posso dizer que este filme não foi um desafio visual para mim, porque foi. Isto é o trabalho de pessoas muito competentes, em todos os aspectos técnicos. Gostei especialmente da colocação de olhos reais sobre os personagens construídos. Acrescentou bastante a todo o ambiente. Os cenários são fantásticos, verifiquem todas as diferentes bagagens, roupas, acessórios, e todas as coisas enfiadas no comboio. Verifiquem como os personagens foram desenvolvidos, como as suas expressões são realmente intencionais. Depois verifiquem a edição, com nota especial para a forma como os efeitos sonores (e a música) estão misturados com a composição visual. Realmente bom trabalho. Mas não ficou comigo, porque falhou em desafiar a minha imaginação da mesma forma que desafiou o meu entendimento visual das cenas, cenários, personagens e ritmo. No final, fiquei sem nada dentro, não me deu muito para sonhar ou mesmo pensar, apesar de claramente estar direccionado a provocar essas sensações. Permiti-me mesmo rever mentalmente e reapreciar outros filmes que tinha acabado de ver, e quando isso me acontece, normalmente acontece porque as imagens que passam em frente a mim falham em capturar a minha atenção. Claro que isto pode ser um aspecto de escolhas pessoais, ou encontrar nas imagens mostradas elementos com os quais nos possamos relacionar. Eu não me relacionei com o que vi.

A minha opinião: 2/5 pode funcionar para quem vir, comigo não resultou.

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Le Manteau (2007)

“Le Manteau” (2007)

Cinanima 2007

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Havia aqui um bom elemento para explorar, mas o filme falha basicamente porque ignora esse elemento. Estou a falar do elemento do título, o “casaco” que poderia ter sido o motor para algo ao mesmo tempo puramente cinemático e específico do mundo da animação. Digo isto porque, para mim, muitas animações falham quando tentam demasiado parecer cinema “normal”, e os processos de animação são usados para imitar o que poderia ser feito captando imagens da realidade. Normalmente não aprecio esse tipo de filmes. Aqui tínhamos o elemento que mencionei: um casaco onde uma das personagens “vê” um velho parente falecido em “movimento”. Assim, a “animação” é gerada pelo olho deste personagem feminino. Assim temos uma animação (o casaco dançante) que acontece dentro de outra animação (o filme ao qual assistimos). O problema é que, apesar desta primeira e promissora cena onde compreendemos a diferença entre o personagem feminino e o resto do ambiente, esta ideia simplesmente pára de ser explorada, e não temos mais o casaco animado, ou qualquer outro tipo de jogo visual com esse elemento na relação com a forma como a mulher e os outros personagens o vêm. Pena, poderia ter acontecido algo interessante aqui, mas não da forma como foi feito.

A minha opinião: 1/5 boa ideia na raiz, mas não foi bem explorada.

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Ein Sonniger Tag (2007)

“Ein Sonniger Tag” (2007)

Cinanima 2007

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Quando vejo animações, gosto de ver coisas assim. Temos uma história simples. Nem podemos talvez falar de história. Trata-se apenas de “animar” objectos ou entidades comuns que na verdade correspondem a fenómenos naturais e justificar as mecânicas do mundo físico real baseando-nos na pura imaginação. Na mesma sessão em que vi este, vi antes um terrível “Toot & Puddle, i’ll be home for Christmas”. Em comum com este, há o alvo etário (crianças?). E fiquei tão chateado com este como apreciei o que agora comento. “um dia de sol” tem simplicidade na expressão gráfica, nas explicações imaginadas para o “comportamento” do sol e no tempo: 6 minutos. É baseado em desenhos à mão, com um uso constante de um amarelo areia e sobreposto a esse, tons aguarela subtis. Isto resulta num desafio visual, que compreende a forma como as mentes imaginativas funcionam (as mentes das crianças) e é por isso que é engraçado, exactamente o oposto de “toot…” que trata as crianças como seres completamente atrasados.

Vejam este

A minha opinião: 3/5

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Prílepek (2006)

“Prílepek” (2006)

Cinanima 2007

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Pernas

Isto é trabalho muito interessante. Não é realmente animação (já que todas as imagens são gravadas e não “criadas”) mas assisti a ele num festival de animação. Apesar de tudo, é guiado pelo mesmo tipo de liberdade de pensamento em relação às regras físicas e realidades/mundos criados que tem as boas animações. Por isso justifica-se a sua inclusão num festival de animação. Realmente há vários elementos aqui que retiveram a minha atenção:

. o entendimento do cinema como uma sucessão de imagens. Há, na minha opinião, duas linhas possíveis de pensamento quando queremos levar definições ao limite: uma é considerar o cinema como “imagens em movimento”, a outra é considerá-lo como “sucessão de imagens”. Os filmes mudos eram, sobretudo pelas suas limitações técnicas, compreendidos pelo espectador como uma sucessão de imagens, e o cinema nasceu sobre esta base (na verdade, toda a câmara é na verdade um criador de fotografias em série). Depois temos esse filme importante e genial que é La Jetée, onde Marker deliberadamente elimina o movimento “dentro” da imagem (excepto por um subtil plano de um olho) e faz um filme a partir de imagens que se sucedem (e sim, é cinema no meu dicionário). Aqui temos um compromisso entre ambas as formas: imagem que se transmuta, e sucessão de imagens. Na prática, isto aparece neste filme na forma como a edição está (muito bem) feita, com uso constante de várias imagens separadas que vão mudando rapidamente e contando a “acção” ou os comuns 24fps que dizem ao nosso cérebro que estamos a ver na verdade uma imagem que muda a cada momento (realidade?). Isto é um aspecto realmente interessante neste filme.

. o ponto de vista. Temos um protagonista que passa todo o tempo deitado no chão olhando, tocando, sentindo. A colocação da câmara (e a troca constante de posições, edição uma vez mais) é muito inteligente na forma como nos dá grande consciência do chão e das sensações do protagonista. Temos uma grande sensualidade no toque das pernas, pequenos planos dentro das saias, roupa interior, o olhar de baixo para cima para as pernas. Isto é um trabalho de sensibilidade, e uma forma refrescante de mostrar um velho (o mais velho?) tema.

Vejam este.

A minha opinião: 4/5

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Over the hill (2007)

“Over the hill” (2007)

Cinanima 2007

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Gosto muito do ambiente deste e das escolhas gráficas que suportam esse ambiente.

O filme aparece como uma memória de velhos cartoons americanos, da Warner Brothers e não só. As letras dos créditos, as cores planas e aguareladas, os desenhos simplificados, muito expressiovos e não muito complexos (menos é, neste caso, mais).

Mas, se a expressão disto tudo leva-nos para velhas formas americanas de produzir animação, o tema (e o modo) leva-nos para a Inglaterra “tea pot”, ajudado pelo uso constante de vários padrões de papel de parede que cobrem toda a tela. Assim, temos uma história divertida que subverte alguns dos (muitos) clichés ingleses, relacionados com chá, tricot e velhas senhoras de alta sociedade. Temos uma “aventura” (un conjunto de acontecimentos irreais num cenário e situação irreais) que terminam com um climax de final feliz, como os velhos cartoons tinham.

Assim, não temos génio aqui, mas é trabalho interessante sobretudo do ponto de vista das referências que escolhe e da forma como reflecte essas referências.

A minha opinião: 2/5

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Le programme du jour (2007)

“Le programme du jour” (2007)

Cinanima 2007

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Isto é tão frio cinematograficamente como o tema que trata. Normalmente isso poderia ser uma coisa boa, e uma declaração de coerência e equilíbrio entre o tema e o meio que o trata. Mas aqui coloco esta observação como uma falha que me impediu de apreciar este. Temos animação digital, mas é bastante ineficiente, apesar da sua competência técnica.

Eu realmente apreciei o plano inicial, inspirado (pelo menos assim pareceu) por aquelas estruturas cúbicas que Escher costumava gravar quando sugeria o espaço infinito. A forma como a câmara virtual é usada realmente explora as possibilidades que a animação traz à exploração espacial, com as suas vantagens em relação aos planos “físicos”. Isto foi bem feito, e bem concluído, com o bom pormenor do cubo cadáver a cobrir o único ponto de luz.

Mas depois o que se passa dentro do cubo, entre estes dois planos, é insignificante e vazio. Não me interessou muito esta versão do mundo contemporâneo vazio e frio, porque tudo foi tão cliché aqui, cada elemento é usado vezes sem conta sempre que uma ideia vazia é forçada a parecer profunda.

Por isso, a não ser pela forma como começa e termina, este não foi uma muito boa experiência.

A minha opinião: 2/5

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Eastern promises (2007)

“Eastern promises” (2007)

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um beijo a mais, um olho a menos

*** Este comentário pode conter spoilers ***

É preciso separar o que foi feito aqui da forma como foi feito. Pelo que já vi, Cronenberg é sempre suficientemente competente para entregar obras bem trabalhadas, mas ultimamente ele não tem conseguido alimentar a minha imaginação visual. Suponho que em parte será preguiça intelectual (a idade a revelar-se?) e em parte o conforto de confiar em fórmulas.

Vejo-me como um principiante no mundo da gramática visual e da construção narrativa, mais ansioso por aprender do que experiente para comentar. Assim uso os comentários sobre filmes como forma de marcar o que compreendi em cada duas horas de filme que consigo ver, e assim tentar aparender mais. Cronenberg já me injectou várias vezes muita cor no meu mundo pessoal dos filmes, mas aqui creio que falhou. Isso acontece porque neste momento ele está tão agarrado à convenção cinematográfica, às produções de alto custo e às distribuições para as massas, que parou (pelo menos para já) de ponderar o que pode fazer para juntar imagem e narrativa em formas originais. Esta é basicamente a razão pela qual este filme, apesar de ser uma obra bem montada e sólida, não ter funcionou bem para mim.

Há um mundo muito específico sublinhado aqui, é o da imigração (e sobretudo máfia) do leste europeu. Esse mundo está perfeitamente definido nos seus limites e nas suas regras, e está inserido num outro mundo que provavelmente conhecemos melhor, o de Londres. Londres não é definitivamente assumida, não temos planos localizadores tão predeterminados, nenhum cliché britânico, podemos colocar a história num local diferente se não conhecermos suficientemente bem Londres, ou se não a conhecermos de todo. Até agora, é Cronenberg. Ele cria este “mundo dentro de um mundo” com bastante frequência. Mas normalmente ele deriva entre esses mundos, o da imaginação e o da realidade, as diferenças culturais, etc. Aqui não. Depois deste contexto estabelecido, temos uma história, quase de ópera, linear e clara história, e neste aspecto tudo se resume ao fino interesse de saber o que o personagem de Mortensen realmente quer, e o que acontecerá a Naomi Watts e a sua família. Não há grande intensidade cinematográfica ou perspectiva especial, temos “apenas” uma fotografia competente, edição e actuações (temos um descendente de dinamarqueses, um francês, um alemão e uma australiana a representar russos ou descendentes deles!)

Duas cenas específicas foram a última palavra e a confirmação de que não assistia a um filme do realizador de Crash e ExistenZ, mas trabalho menor de alguém que conhece o ofício, mas não quer realmente aprofundar os limites da sua imaginação mais: as cenas de que falo são o pacto entre Cronenberg e Hollywood: temos o desnecessário, aveludado e inútil beijo entre Watts e Mortensen, e temos um olho a ser arrancado na sauna quando Mortensen se arrasta para a sobrevivência, numa altura em que o dono do olho já parecia morte e ressuscita ao jeito dos maus filmes de terror, para assustar a audiência e extender a acção (que já agora foi exemplarmente conseguida antes deste momento).

A minha opinião: 3/5 o filme está bem montado, mas não há grande conteúdo ou tema visual (cinemático) para se apreciar.

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acerca de uma eleição

7Olhares em primeiro lugar na eleição do melhor blog português 2007 na categoria “entretenimento”

Foi repentino o que aconteceu nos últimos dias. Mas desde a nomeação do 7Olhares para melhor blog português na categoria entretenimento até ao primeiro lugar que o júri decidiu dar, pouco tempo tive de pensar em tudo. Desde que comecei esta ideia, no final de Maio passado, este é o momento de maior orgulho que tenho. Só pela nomeação já valia a pena tudo, ter o primeiro lugar numa lista de nomeados cheia de qualidade, é mais do que podia imaginar há meio ano atrás.

1º. 7 Olhares
2º. Cine-Asia
3º. Deuxieme

4º. Cineblog
5º. Cine7
6º. Hotvnews 2.0
7º. TVDependente
8º. LOST in Portugal
9º. Tvcinews
10. Séries & Filmes
11. Viciado em Cinema e TV (A Sequela)
12. Blog da Trilogia BTTF

Aos outros blogs listados os meus parabéns pela paixão e motivação com que mantêm os seus projectos (eu prefiro chamar-lhes ideias). A forma blog deve ser uma das maiores conquistas em muito tempo em termos de expressão individual e possibilidade de partilha, por isso deve ser estimulada com iniciativas destas.

Recordo o que escrevi no dia em que inaugurei este sítio:

“… Tenho a esperança, mais, tenho a ambição de ser lido e, talvez, ser comentado. É esse o meu convite.”

continua a ser esse o meu convite…

Una Giornata Particolare (1977)

“Una Giornata Particolare” (1977)

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contenção e cinema que baila

*** Este comentário pode conter spoilers ***

Isto está notavelmente bem feito, uma lição em muitos aspectos de encenação e economia de recursos. Scola é alguém que vim a encarar como um caro amigo, pelos grandes momentos que me deu ao descobrir a cada altura o mundo que ele cria com os seus filmes. Aqui está uma das suas composições mais genuínas, bastante complexa na forma como as coisas estão colocadas para nos chegarem como a coisa simples que na verdade é.

A ideia básica é contenção. Poucos personagens, um único cenário (o pátio de um edifício de habitação, provavelmente construído pelos fascistas italianos, ou pelo menos tem esse aspecto monumental de arquitectura fascista). A primeira sequência é essencial: vemos imagens reais e narrações de um dia histórico, quando Hitler visitou Mussolini em Roma. Vemos paradas militares, cerimónias, toda a descrição, tudo isto dura 5 ou 6 minutos, completamente de material documental. Assim, temos um pano de fundo, útil pelo aspecto social (mais que o político) para o que se segue.

Depois recebemos os nossos dois personagens, sozinhos e prontos para se conhecerem. Eles são, de uma forma ou outra, personagens tipo: a dona de casa, com o cérebro lavado pelo fascismo no seu pensamento chauvinista e machista, apesar de sofrer diariamente as consequências dessas ideias. Mastroianni é o pensador livre, homossexual e politicamente antifascista. O drama funciona na perfeição, tudo é realmente intenso, há muitas coisas que nos são contadas (e sobretudo sentidas) por nós à medida que nos aproximamos do final, que deve ser um dos mais tristes na história dos filmes, não só pela conclusão inevitável de que após o dia de sonho, tudo ficará igual, mas pela forma como isto é demonstrado visualmente. Assim, tentei perceber os mecanismos:

. temos sempre o rádio em último plano. Este é a voz da autoridade, a voz do regime (de notar que o personagem de Mastroianni é uma voz da rádio silenciada pelos seus compromissos políticos e inclinações sexuais). Isto aparece sempre como a sombra que nos recorda a cena inicial, o mundo negro que existia então;

. temos a porteira, o resultado cristalizado da ignorância quando associada a um regime manipulativo (como na verdade todo o regime é, seja ele totalitário ou “democrático”). Ela tem a função de relembrar sempre ao nosso casal onde eles vivem, a “verdade” do mundo, ela é a voz da ignorância manipulada;

Estes dois pontos constroem e representam a opressão e contexto/mundo cruel e inumano.

Sobre isto, temos os nossos heróis, e a interacção entre eles. Isto não é explicável por palavras: é preciso verificar-se. Mas a magia aqui (sim, houve verdadeira magia de cinema aqui) provavelmente tem a ver com duas coisas:

. as actuações, de Loren e Mastroianni que foram, na minha opinião, ideais naquilo que diz respeito a representação em cinema: elas foram tão intensas como poucas vezes vi, e foram contidas. Muito poucas vezes assisti a algo assim. Temos expressões faciais que variam ligeiramente, movimentos tímidos; a coreografia dentro do apartamento quando eles interagem é perfeita.

. a câmara: com este filme compreendi que Ettore Scola é um dos melhores (e dos que mais aprecio) herdeiros daquela câmara que dança que Hitchcock inventou (talvez) e que Godard, Polanski, dePalma e, sim, Scola, viriam a adoptar. Verifiquem cada movimento, verifiquem como o pátio é explorado, como o olhar voyeur para cada apartamento é feito e, acima de tudo, verifiquem como a câmara se move dentro dos apartamentos. Os movimentos têm que ver com a respiração e os sentimentos dos personagens, numa forma próxima, talvez, do que Lumet fez com “12 angry men” (mas este é ainda mais significativo, em minha opinião). Esta abordagem vive de trazer a representação para a câmara. Não há mecanismos autónomos. O que o actor faz e o que a câmara faz estão ligados de tal forma que não conseguimos dizer que é mais actor: se o actor se a câmara. Godard tentou algo semelhante na sua cena no apartamento em Le Mépris, mas aqui é mais emocional e efectiva…

. também merece destaque a base estrutural que suporta tudo isto. Alguém comentando no IMDb referiu a relação com as tragédias gregas (tendo o rádio a representar o coro grego). Apreciei essa observação. Concordo com ela mas, em contraste com a contenção e razão que as tragédias gregas sempre têm, há algo mais visceral e claramente italiano que aparece aqui, que é a influência operática na forma como a história se resolve, com tudo acontecendo rapidamente, concentrando em pequenas porções de tempo acções que na verdade levam mais tempo a acontecerem. Os italianos sabem alguma coisa sobre como realçar emoções. Não é esta uma muito melhor homenagem ao melhor que a Itália tem para oferecer do que a visão cristalizada de ressurreição romana que Mussolini inventou e tentou espalhar? cada um faz a sua escolha, a minha está feita.

A minha opinião: 5/5 se querem experienciar tudo o que o cinema já foi capaz de oferecer, terão que ver este.

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Sexo, Amor e Traição (2004)

“Sexo, Amor e Traição” (2004)

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Sexo… sem cinema

Terei que verificar a versão mexicana original deste filme. Senti que faltava alguma coisa quando acabei de o ver. Suponho que esperava mais dos normalmente espontâneos e inteligentes brasileiros. O foco está claramente no sexo. Assim, o dispositivo é simples, colocam-se três homens e trÊs mulheres no enredo, e cria-se a situação artificial que motivará um grande desejo, relações sexuais e espírito voyeur. Tanto os homens como as mulheres são suficientemente atraentes para fazer este truque resultar, e as actuações também são bastante boas (a escola de telenovelas da televisão brasileira tem os seus bons resultados). O ambiente cultural brasileiro é propício ao sexo, assim este é um bom contexto para inserir uma história deste tipo.

O que não funcionou para mim foi tudo o que poderia ter sido feito de uma forma cinemática aqui, mas simplesmente foi desperdiçado: -A porção voyeur, quando os homens observam as mulheres e vice-versa, este tema tem tão bons pedaços de experimentação em cinema que não é preciso ser-se original para se realizar isto com competência, ou pelo menos de forma mais cativante. -também a forma como os vários e múltiplos “casos” se desenvolvem é demasiado forçada, pouco natural. Havia claramente a preocupação de criar pedaços com tensão sexual/sensual/cómica, mas isto não foi contextualizado ou bem construído em termos cinematográficos. Suponho que esse foi o problema.

A minha avaliação: 2/5 apesar de este não ser um bom filme, pode-se passar um bom bocado a vê-lo se se esquecer as suas várias falhas. Mas há muito melhor vindo do Brasil.

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve