Archive for the '5/5' Category

The Tree of Life (2011)

“The Tree of Life” (2011)

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Rayuela

Como é que vemos um filme assim? Temos de baixar todas as defesas. Temos de não nos permitirmos tentar encontrar um sentido para tudo o que vemos. Temos de receber tudo, e deixá-lo entrar, tão suavemento como o filme entra dinossauros, células, evolução planetária ou uma simples sala de uma família com problemas. Sem julgamentos, sem considerar nada a não ser a pura experiência de estar lá, onde quer que seja que o filme nos leve. Não procurem explicações, porque não houve razão racional para lá da intuição para as imagens serem como são.

Imagina um filme sobre tudo, com uma história remota que fala sobre todos os temas, em todos os tempos possíveis do mundo.

Imagina um filme sem princípio nem fim. Meta-narrativas circulares, onde podemos começar seja em que ponto (qualquer um) e podemos criar a narrativa interna que quisermos. Um céu de imagens (como o poster mosaico do filme) onde podemos fazer as nossas escolhas, e criar a história que quisermos. Ou podemos escolher enquadrar a história mais palpável do filme da forma que quisermos. Cada um é que sabe. O desafio é que temos de testar os limites da nossa própria imaginação para viver o filme na sua extensão total. Nada é predefinido. Vão onde quiserem.

Agora imagina que tudo isto é feito por alguém que passou a sua vida inteira em cinema a tentar contornar a ideia das velhas sobreposições narrativas. O mestre absoluto de narrativas não relacionadas, dos detalhes fora do ecran. O homem que filma mãos e campos de milho quando quer dizer amor. Que filma o universo para construir uma das expressões mais poderosas de intimidade, da solidão da mente, na história do cinema. Contraste.

Não sei se este é o melhor filme de sempre. Provavelmente é a experiência mais forte que recebi em primeira mão, enquanto era novo.

O que é? um filme na cabeça de Sean Penna? Uma história enquadrada no universo? parte dele? metáfora para ele?

Já ouvi bastante acerca do quanto este filme é uma espécie de 2001. Não me parece. Kubrick e Malick são 2 tipos diferentes, 2 abordagens diferentes, objectivos, processos, e resultados diferentes. Kubrick manipula a narrativa com perfeição. Obcessivo. O xadrez a inundar o cinema. Malick é a outra ponta do pau. Intuição visual pura, realçada pela bagagem intelectual de Malick. Simplesmente porque estes 2 realizadores não gostam de aparições públicas, e porque tanto este filme como 2001 têm planetas, isso não os aproxima.

Em 1963, Cortázar publicou um dos livros mais importantes do último século, Rayuela. O título deste comentário tem a ver com o título do livro. Penso que este filme e esse livro têm aspirações semelhantes. Traça o teu caminho, tens os capítulos, mas tens de montar uma ordem para eles.

A forma como isto é feito é com pura maestria em cada ferramenta da concepção fílmica. Cada imagem conta, cada plano foi filmado com competência e paixão, cada frame, cada movimento de câmara – Lubezki já trabalhou com Malick, Iñarritu, Cuarón. Cada colaboração adicionou imenso ao que estava a ser tentado. Ele consegue realmente ler as aspirações do realizador, e entrega nada menos do que mestria. A esta altura ele já entrou em suficientes projectos importantes para ser considerado um dos melhores cinematógrafos de sempre. A edição é de classe mundial. Cada corte, seja nos planos espaciais virtuais ou nas cenas de família, importam para a narrativa, seja ela qual for. O que leva isto para um novo nível é a forma como neste filme Malick supera o seu já incrível uso da música. A edição tem sempre presente de forma igual o peso das paisagens visuais e sonoras. Vejam, absorvam.

Este filme exige incrivelmente muito de nós, espectadores. Exige que sejamos uma pessoa diferente depois de o ver, que possamos mesmo ter de mudar a nossa abordagem genérica ao acto de ver filmes ou, pelo menos, que acomodemos em nós uma nova forma de ver filmes. Num nível básico tem a ver com as intuições de Malick. A outro nível, tem a ver com o que aparece no ecran. Mas em última análise, tem tudo a ver com a forma como tu te colocas no universo proposto.

A minha opinião: 5/5

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Inception (2010)

“Inception” (2010)
Origem

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o despertar da mente, com um salto

Isto é um virar de página, uma declaração importante de um realizador importante de hoje. É também o topo (para já) de quaisquer coisas interessantes que Nolan tenha explorado até agora. Di Caprio está nesta viagem e provavelmente este é o melhor esforço dele para se tornar um actor sério no mundo dos filmes. Ele conquistou-me aqui.

Eu sou um espectador perfeitamente definido. Interessam-me emoções, sentimentos (de amor ou outros), e a sua representação visual. E realmente importam-me muito os dispositivos narrativos e a construção narrativa de um filme. Realmente desprezo os filmes que banalizam as emoções simples e reais. Por isso aprecio mais filmes que concebem uma estrutura narrativa coerente mesmo que não atinjam tanto uma tensão emocional, do que filmes que mostrem o amor, a amizade, a empatia, como pornografia sentimental. Por isso, o topo deste jogo para mim naquilo que diz respeito ao cinema é a sensibilidade e histórias honestas, suportadas por estruturas narrativas inteligentes.

É isso que temos aqui, brilhante e lindo como vi poucas vezes. O próprio conceito abstracto daquilo que está a ser contado mistura-se com o adn do filme. O filme em si constrói o conteúdo que é suposto termos na história. A estrutura do filme É a história. A forma como entramos em todas as sub estruturas mimetiza a forma como os personagens o fazem. É tão simples como isto para explicar, e tão complexo como este filme para compreender.

Há várias noções aqui, que me são caras, e que me emocionaram. Temos camadas Óbvias (sonhos dentro de sonhos) que nos são literalmente e constantemente explicadas por muitos personagens no filme. Mudarmos de camada é literalmente ir mais fundo, num sentido espacial. Cada camada tem autonomia, mas é severamente afectada pela forma como as outras camadas evoluem. Por isso, um espirro numa camada pode equivaler a um terramoto noutra.

A noção mais bonita é a de que temos pessoas no interior de pessoas. Temos pessoas que alteram a alma de outras, tocando-se intimamente, tocando num sentido mais profundo do que alguma vez tivemos em cinema. Nolan quase consegue que o cinema funcione como literatura na forma como atingimos o interior de um personagem para lá daquilo que conseguimos ver. A esse nível, a melhor sequência é provavelmente a visita a Paris. Di Caprio e Page. Como ela manipula as memórias que ele tem de Paris, como ela literalmente manipula o cenário. E a sequência final, a cidade em colapso, uma reinvenção das memórias que di Caprio tem das suas próprias memórias. Uma das melhores coisas aqui é a forma como a emoção surge colada ao espaço. Cada cenário é o próprio retrato de uma memória, de uma sensação. Pela forma como está feito, esta é uma forma original de associar filme com o uso visual do espaço. Vou marcar este filme.

Marion Cotillard como o personagem que, por aquilo que nós podemos ver, é apenas uma memória (inventada ou não) e dificilmente uma pessoa real. A performance dela é incrível, eventualmente a melhor do filme.

Jogamos o jogo das memórias inventadas/partilhadas, que existem sobre a realidade, e vamos descendo até ao nível onde essas memórias podem ser manipuladas e mudadas, criando-se ou inventando-se novas. Essa é a origem. Consegues criar a memória deste filme? Consegues recrear os seus níveis quando sonham com ele? E mais importante, consegues inseri-los nos níveis da tua própria vida tão naturalmente como se eles tivessem sido criados por ti?

A minha opinião: 5/5 experimentem este.

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Red-end and the Seemingly Symbiotic Society (2009)

“Red-end and the Seemingly Symbiotic Society” (2009)

O filme no FestivalFocus
O filme no sítio da produtora

Cinanima2009

construtores de espaço

Que filme interessante, no momento certo. Depois de um festival rico, interessante, com o qual ainda estou a lidar neste momento, tenho a recordar vários momentos altos. Este filme é, de todas as experiências que tive aqui, uma das mais fortes, mais fascinantes e que mais me interessa., pelos meus interesses pessoais no estudo das relações entre espaço e a exploração desse espaço por meios visuais. Este filme é uma das melhores experiências recentes que eu tenha visto em filme que abordem tão explicitamente o tema. Apenas por isso, já merece entrar numa lista especial, que vou fazendo, de filmes que importam para a minha construção mental do tema de espaço e cinema.

Mas para além disso, este filme é realmente interessante. Vamos ver do que trata. Há uma história. Essa história tem a ver com a vantagem da diferença, um mundo onde todos são negros, a diferença que pode fazer alguém vermelho. Banal, até aqui. Para além disso, há a ideia de ciclo que perpassa toda a narrativa. A ideia lavoisiana de que tudo se vai transformando, e tudo vai irremediavelmente desaparecendo. Melhor aqui, porque o filme apoia visualmente o texto que procura sustentar. Tudo isto é razoavelmente interessante, mas nada que me faça perder o sono, ou sonhar especialmente alto.

Mas depois, há algo mais que sim fascina, e sim está feito de forma exemplar, quase perfeita. Está incorporado na história, e é totalmente apoiado e compensado por aquilo que vemos. A história é sobre seres que constroem os espaços que habitam, que usam, que desenvolvem. Nós vemos a construção. o filme começa dentro de espaços supostamente naturais, mas já por si interessantes, onde os insectos recolhem os cubos que serão as peças que construirão os espaços mais tarde usados para experiências. Nós vemos a recolha das peças, nós vemos o transporte, e sobretudo, nós vemos a construção de cada espaço, até à última peça. Por fim, após isto, nós vemos esses espaços, que não existem apenas no campo abstracto da história, estão realmente construídos, para a câmara os possa fotografar. Agora reparem nisto: embora haja apoio digital na pós-produção deste filme, ele é no essencial um stop motion. Quer isto dizer que não só os insectos são objectos reais que foram fotografados, todos os espaços que vemos são maquetes concebidas para serem fotografadas. Ou seja, quando vemos os insectos a construírem o espaço, é como uma vincagem das características constructivas dos cenários, é como se estivessemos a acompanhar o processo de trabalho. A história do filme é a história no filme. Subtil, bem feito, e arquitectónico!

Alguns dos espaços são bem concebidos, para o efeito que se pretende. As grutas iniciais, a cúpula construída com cubos (de açúcar?) e um espaço construído com placas perfuradas. Deste último espaço, que até me pareceu o mais interessante e complexo, e mais adequado para ser explorado pela câmara, penso que faltou um investimento na iluminação mais cuidada dos planos aí construídos. A vantagem (para mim) das placas perfuradas é a possibilidade de criar ambientes através da difusão da luz. Mas isso iria contra a imagem geral do filme. A câmara aposta sobretudo nos travelings laterais para dar coesão a todos os planos do filme, e a exploração do espaço tem sobretudo a ver com os ângulos e pontos de vista escolhidos. Não há nada inventado aí, até porque é difícil expandir mais o glossário de possibilidades que Welles ou Tarkovsky inventaram. Mas é um trabalho consistente. A minha maior queixa é o facto de a fase final do filme abdicar totalmente desta exploração espacial para dar um seguimento às partes (quanto mim) menos interessantes da história.

A minha opinião: 5/5 é uma experiência, vou descobrir como ela se acomoda na minha cabeça… e isso dirá como evolui esta classificação.

Being John Malkovich (1999)

“Being John Malkovich” (1999)

malkovich

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viagem ao teu (outro) eu

Há filmes que definem o que o que os meus sonhos vão ser. Outros ajudam-me a persceber de que são esses sonhos feitos. Talvez estas duas ideias sejam mais parecidas do que eu penso. No entanto, este filme é do segundo tipo. Pelo menos para mim. Eu sou um romântico, incurável. Choro perante o amor, incorrespondido, verdadeiro. Para além disso, estes últimos meses têm sido um período difícil na minha vida, tempo de mudança, indecisão, não sobre amor, mas tudo o resto. Por isso automaticamente eu sou o personagem de Cusack, alguém a quem não deixam controlar as minhas marionetas.  Tudo isto já torna este filme especial para mim.

Mas isto é cinema, e é isso que faz o filme para mim, aqui. Assim, naquilo que toca ao cinema, o que temos é uma mistura entre um realizador inspirado e competente, dois dos melhores actores a trabalhar hoje (Cusack e Keener), uma mente interessante, que até se empresta para ser o palco do filme, literalmente (Malkovich), e um dos melhores argumentistas de sempre.

Até um certo limite, a escrita de Kaufman assemelha-se à de Medem. Ambos concebem o mundo como um céu negro infinitamente polvilhado de pontos estrelados luminosos. Depois, sobre esse céu, pegam num marcador e unem pontos, até que tenham desenhado as suas constelações pessoais, até que tenham desenhado as suas almas no céu. Se estivermos dispostos a perceber o que eles pretendiam com cada ponto que escolheram tornar seu, vamos saber que estamos num mundo diferente, não separado do nosso, porque o intersecta, mas estaremos realmente “dentro” da cabeça de alguém. Não a vamos controlar, não vamos manipular, mas seremos abensonhados. A diferença, no entanto, entre Medem e Kaufman, é que o primeiro dirige sempre os filmes que escreve. Por isso temos sempre uma visão coordenada que toca cada pedaço do que vemos. Kaufman colabora, e no processo ganha o que os realizadores têm para dar, mas corre o risco de ser mal compreendido. Neste filme, todas as compensações e interpretações pessoais por parte dos intervenientes principais parecem-me perfeitamente balançadas. Esta é uma experiência doce, algo que não vão esquecer.

Spike Jonze tem uma carreira como realizador de video clips, e isso reflecte-se, ele leva a representação das dramatizações das marionetas de Cusack para um nível alto, e essa é uma peça fundamental da metáfora. Marionetas, a ilusão de uma vida criada no palco, levada para vidas encenadas no mundo real. A forma como Schwartz tem de se tornar outra pessoa para poder ser ele mesmo, para poder expressar-se livremente. Para poder ter a ilusão de amor verdadeiro! Que drama profundo, este. A forma como Maxine controla os controladores, engana os enganadores, manipula todos, mesmo os que supomos serem manipuladores; apenas para descobrir que não o deveria ter feito. A forma como Lotte é definitivamente a mais manipulada, e por isso é a única não corrompida. A forma como, em última análise, Malkovich não existe. A forma como Lester é o mais próximo de Deus que temos no filme.

Indecisões, meio caminho entre lugares, meios pisos. Canais entre pessoas, pessoas como recipientes que podem conter várias personalidades. Criar literalmente a nossa própria realidade, ao atenuar as definições do Eu. Isto tem tanto a ver com amor como com o processo de viver esse amor. Tanto a ver com a verdade como com o que a verdade significa. Tanto a ver com uma história como com a forma como se contam histórias. Isto é tanto um filme como é um ensaio sobre filmes, sobre cinema. Isto é uma obra prima de auto-referência.

A minha opinião: 5/5 provavelmente “o despertar da mente” supera este, mas este filme fará parte de ti, se o deixares.

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Palermo Shooting (2008)

“Palermo Shooting” (2008)

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o amigo alemão

A qualidade suprema de Wenders como autor, para mim, é que ele sabe que os seus filmes não têm tanto que ver com o que as imagens mostram como têm que ver com as imagens em si. Esta é a sua magia, e a sua maldição. Por isso é que eu tenho um abrigo nos filmes dele e por isso é que eles são cada vez mais mal compreendidos (os primeiros comentários a este mostram que irá pelo mesmo caminho). Wenders sabe isto, quando ele faz um filme está a reflectir sobre a natureza da imagem, e como isso afecta a visão, e como a visão afecta a compreensão, e como a compreensão afecta o significado, a essência.

Não poucas vezes, ele dirige-se directamente ao tema, e incorpora-o no enredo do filme. Este é o caso. Filme sobre imagens. Pessoas que são sobre imagens. Pessoas que se tornam as imagens que perseguem. A primeiríssima cena torna-o claro porque “enquadra” (que significativa é esta palavra com Wenders) uma paisagem, através de uma janela de um edifício que tem em si mesmo tudo que ver com enquadramentos. Um volume puro cheio de buracos quadrados, cada um correspondendo a enquadramentos diferentes, dependendo do momento em que se olha, da posição, distância à janela… Este edifício reflecte a personalidade do fotógrafo, é em si mesmo uma sucessão de enquadramentos, uma cápsula fechada interligada com vistas parciais do exterior.

Depois temos uma história sobre a criação de imagens. Um personagem fotógrafo que perde a alma porque se torna um falsificador, ele esquece a essência, não mais procura a verdade da imagem, pelo contrário cria a sua própria verdade forjada. Céus australianos reflectidos nas janelas de S.Paulo, esse tipo de coisa. A introdução de Milla existe para isto, já que ela é fotografada “artificialmente” e logo transportada para o “verdadeir” ambiente. Depois o fotógrafo retira-se, isolado, para um sítio que ele sente ser “verdadeiro” (um grande porto, significa Palermo).

Logo, as grandes coisas acontecem em Palermo.

A mulher. O seu trabalho é recuperar imagens, é encontrar a verdade das imagens, é interpretar a visão de alguém. Aqueles olhos do pintor, que fitam a “câmara”, o que ele estava a ver é o que ela quer ver. Vejam as oposições, vejam como o fresco está integrado no filme: detalhe vs visão geral, compreensão vs perder a essência, longo vs curto. Vejam como o tempo da imagem é compreendido. A mulher leva anos a trabalhar uma imagem, o fotógrafo produz milhares sem compreender uma única.

A Morte. Não é a morte, é Dennis Hopper, e isto interessa. Ver como Hopper foi inserido neste projecto clarificou totalmente as coisas para mim, e completou um pedaço da minha vida em filmes que agora sei que estava incompleta. Hopper é aqui aquele que “enquadra” de forma superior, o homem que observa a vida, que puxa as cordas (apesar de estar só a fazer o seu trabalho). Ele é um agente superior, alguém que está para lá e para cima do que vemos. Quando as pessoas o olha, ele devolve o olhar. Ele grava tudo, vemos isso, aquela metáfora de “shooting” com duplo sentido. Assim, ele é tão enquadrado como enquadra. Agora, lembrem-se do Amigo Americano. Vejam esse filme antes deste se puderem, poderão entendê-los como 2 metades da mesma ideia, como eu entendi. Vejam o semelhante que são os 2 personagens de Hopper. Lá ele era também o mestre manipulador por trás das acções que tínhamos. Na verdade ele estava a manipular alguém que “enquadrava” (literalmente, um homem que fazia molduras para quadros). Ele usava o “enquadrador” enquanto fornecia a “imagem” principal. Esse filme, que eu considero essencial, tinha tudo que ver com o mesmo jogo de imagens. Agora temos uma actualização, q tem a ver com a mudança dos tempos (e entretanto mudou profundamente a nossa relação com as imagens) e como Wenders mudou. Dennis Hopper é a ligação, e o seu papel é um eixo pivot.

Agora, eu acredito que para se estabelecer uma relação de sucesso com um criador, temos que aceitar os seus trabalhos pelo que eles são. É como amar, para além da atracção, a amizade, para além da conversa de rotina. Temos que apreciar as qualidades e sobretudo reconhecer as falhas do trabalho, e teremos de viver com elas. É esse o meu tipo de relação com Wenders. Os seus filmes nos últimos 10 anos tornaram-se mais e mais no limite de se tornarem monólogos intelectuais, algo que devemos sentar e ouvir, e agitar afirmativamente a cabeça. Isso é algo que eu não tolero noutros realizadores (Stone, Tarantino), mas que estou disposto a aturar com Wenders, porque me interessa o que ele tem a dizer. Se, estiverem dispostos a ter diálogos discursivos e a sensação que o homem por trás das cenas nos está a tentar levar a acreditar que ele tem A verdade, poderão deixar que este filme mude as vossas vidas. Eu deixei.

Uma qualidade paralela que poderão apreciar é ver como a música define o ambiente, independentemente do cenário. Wenders sempre foi muito bom a compreender isto, agora fá-lo com a ajuda de música portátil. A edição musical é fantástica.

A minha opinião: 5/5

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The Libertine (2004)

“The Libertine” (2004)

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representação desconfortante, desequilibrada

Não sei o que se passou aqui. Esta foi, estou certo, uma experiência profunda, há coisas aqui que realmente me causaram impressão, cenas que não esquecerei que vou querer rever isoladas, e algumas pinceladas de mestre em sobreposições narrativas. No entanto falhou em agarrar-me emocionalmente como o fez intelectualmente. E o que mostrou à minha mente foi uma forma fortíssima de criar um vínculo visual a uma alma. Então como pode ter isto acontecido? Este filme é sobre um representador que cria representações. Wilmot é, ele mesmo, um actor, ele representa um personagem, um que ele definiu para si mesmo e na verdade, o selo que deixa depois de morrer é mais o de um personagem que o de um artista. O filme sublinha isso. Os seus pontos altos e baixos acontecem com duas das suas performances, em dois ‘palcos’, o teatro e a câmara de lordes. Claro que ele escreveu ambos, mas o primeiro é uma rábula intencionalmente má e o segundo é relativamente banal e funciona apenas pela presença física de Wilmot.

Ele cria uma actriz. Ele aprofunda as representações dela, ele ensina-a, torna-se o seu amante, mas ‘é o teatro’, alguém diz. Ele vê-a no palco, não na rua, ele apaixona-se pela representação, não pela vida. Por isso temos vida como uma representação, viver como uma peça, morrer como um personagem. Isto é perfeitamente enquadrado com Depp a falar directamente para nós, no início e no fim. São monólogos particularmente bons, ele agarra-nos, ele está ostensivamente a representar. Provavelmente, nenhum actor vivo poderia fazer aquelas cenas específicas melhor do que o que Depp fez.

As cenas onde ele ensina a actriz também são de cortar a respiração e eventualmente podem mudar uma vida. Não tenho uma entrada para o mundo do Shakespeare, ainda não o consigo atingir correctamente. Isso provavelmente mata os trechos de Hamlet para mim. Apreciaria se alguém mais consciente neste aspecto pudesse comentar isso. Mas a câmara captura todas as nuances, abraça a actuação, é lindo assistir.

Esta é uma das melhores actuações de Depp. Ele é fantástico, ele coloca camadas de ambiguidade espiritual no personagem, deixa-nos ver o seu interior tanto como o nevoeiro constante (mesmo em planos de interior) nos deixa ver o envolvente. Samantha Morton é friamente efectiva, uma mulher fora do seu tempo, funciona porque ela tem uma cara enigmática e sabe criar um olhar mortal.

Então de que não gostei eu? Porque a verdade é que o resultado final não me encheu e alguma peça fundamental está a faltar. Que peça? Algumas cenas não funcionam, a morte de Downs é confusa, ineficiente e hollywoodesca (‘i told you…) e em alguns pontos a escrita não é tão económica como deveria. Mas isso não chega. Isto vai-me incomodar até eu conseguir compreender. Talvez funcione totalmente e esse desconforto que me deixa seja parte da maestria do filme.

A minha opinião: 5/5

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Bin Jip (2004)

“Bin-Jip” (2004)

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Amor e Visão

Tenho de começar a prestar mais atenção ao cinema coreano. Entre as experiências narrativas de Wook-Park e esta linda demonstração de emoção de Kim Ki Duk, os meus sonhos estão a mudar. Pergunto-me o que tenho ainda para conhecer.

Fui trazido a este por alguém que gosta de mim. O facto de que ela queria que eu o visse prova o quanto ela se interessa. É uma viagem fabulosa ao interior de algo onde tudo o que se faça magoa pelo quão sensível é.

Casas vazias, temporariamente ocupadas por alguém que almeja a invisibilidade. Um ser abstracto que se encontra a si mesmo sendo outros, por um pouco. Ele usa regras diferentes para o contacto humano, e é tão humano… Contentores vazios onde ele (e a sua parceira) podem Não ser quem eles não querem ser, e ao mesmo tempo serem sistematicamente toda a gente. Que conceito lindo.

O film gira em tordo de uma ideia preciosa de não toque, de ser capaz de amar apenas por olhar, de apropriação pela não posso de nada. Por isso eles não roubam, por isso não têm nada. O homem alcança a invisibilidade ao ser retirado do mundo, do contexto. A invisibilidade treina-se.

Apenas uma frase é dita pela mulher ao homem, e nenhuma dele a ela. Ela diz simplesmente que o ama, no final de tudo.

As distâncias, neste filme, põem-nos perto de nós mesmos. É o fantástico aqui.

Tenho, contudo, uma queixa. É visual, talvez um formalismo meu. Todo o conceito de como isto está feito é tão pungente e lindo que não peço nada mais para estar feliz com um filme assim, mas se as cores, se os espaços, suportados pela cinematografia, tivessem sido melhores, o filme poderia ter-me partido em bocados. Se Chris Doyle estivesse aqui, creio que poderia ter sido ainda melhor.

A minha opinião: 5/5, este foi o único filme que vi deste realizador até agora, e realmente quero ver o resto. Dependendo dos outros filmes, poderei reclamar este filme lindo como uma experiência que muda os meus sonhos e a minha vida.

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Two for the Road (1967)

“Two for the Road” (1967)

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emoção cinematográfica

Esta é uma das experiências mais efectivas e carinhosas que já tive com filmes. Posso passar uma vida a tentar perceber porque é que funciona tão bem. E será uma boa vida.

Este é um dos grandes filmes que Stanley Donen promoveu e ajudou a criar nos seus anos em Inglaterra. Ele fez vários esforços em produções independentes que, ao mesmo tempo, tentavam vender-se e encontrar um lugar no mercado de cinema global, mas por outro lado eram projectos pessoais onde Donen podia explorar o que queria.

Pela relação entre cinema e emoções humanas, creio que creio que este é o melhor filme dele (dos filmes que vi até agora). É uma peça honesta de cinema, que tem o que eu peço: -é efectiva em formas que ressoam dentro de mim muito depois de o ver, como um eco que atravessa a mente e a alma; -funciona e explora o cinema como um meio em evolução, e propõem coisas novas; -encena uma história numa forma que eu nunca tinha visto.

Assim, o que temos (como sempre com Donen) não é uma única visão individual em jogo. Em vez disso temos o resultador de 2 mentes brilhantes coordenadas (Donen e Mancini) e de uma sincera, honesta e competente (Frederic Raphael). O que eles criaram foi uma longa peça de emoção não-explosiva concentrada, uma divagação de 111 minutos. Nunca tinha visto um filme com este efeito sem pontos quentes relevantes no enredo. Nada aqui é clássico na forma como não arqueia a história com pontos altos e baixos, mas transforma a história num modo. Mas tem uma história! Esse é o truque. A honestidade dela existe, creio, por causa de Raphael. Ele enraizou o enredo na vida real e é responsável, numa grande medida, pelo sucesso do filme. Os filmes são sobretudo sobre outros filmes, no sentido em que usam convenções, emoções encenadas, reacções planeadas, de acordo com um ‘género’. Um género é provavelmente um guia para um certo tipo de filme. Isso não se passa aqui. A vida invadiu o filme, e isso é o que o filme tem de especial.

Como está feito é o revolucionário aqui: temos uma história sobre uma vida normal, um casamento normal, cuja única razão para ser retratada no filme é porque é normal. O que fazem é tirar essa vida normal do seu contexto diário normal, e escolher as situações de excepção dessa vida. Vidas que correm como carros numa estrada. A estrada como vida. Funciona porque evitamos perguntar-nos certas questões: onde vivem eles exactamente? como é o quarto deles na sua casa? Onde é que ele compra o jornal quando acorda? O que faz ela na sua vida quotidiana? O que temos são vida e problemas diários destacados do seu contexto diário. E é realmente muito bom.

A construção cinematográfica também foi nova nos seus dias, e ainda eficiente hoje. Os 4 momentos distintos ao longo dos 10 anos retratados aqui são cortados e vêmo-los separados e em paralelo. Os penteados de Audrey e os carros que usam fazem a diferença para nós. Isto é uma questão de escrita. A edição ajuda a que tudo funcione. É um trabalho poderoso.

Audrey Hepburn deixa as coisas correrem. Que ela era relativamente limitada como actriz é um facto, mas aqui ela faz algo notável que é subtrair o seu estatuto de estrela do ecran, e jogar com o realizador. É uma prova que ela sabia o seu papel e o que era necessário fazer para que as coisas funcionassem.

Se quiserem, vejam o filme imaginando Paul Newman no papel de Finney, já que ele foi a primeira escolha de Donen. É um exercício engraçado.

Creio que todos deviam ser expostos a este pequeno filme pelo menos uma vez na vida.

A minha opinião: 5/5

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Das Leben der Anderen (2006)

“Das Leben der Anderen” (2006)

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motivos para ser Humano

Um dos pensadores vivos que mais admiro é George Steiner. Ele é um homem de grande inteligência na forma como sabe porque o conhecimento é significativo, e porque é importante Conhecer. Entre outros temas que têm sido uma constante na sua vida, um tem estado comigo todo o tempo desde que Steiner o mostrou: a contradiçao brutal entre acçoes humanas ou, como ele diria melhor; como pode alguém chorar de noite, profundamente comovido por uma sonata de Schubert, e na manha seguinte friamente ordenar o assassínio de milhares de pessoas.

Este tema fundamente esteve vivo na minha cabeça todo o tempo, durante este feliz e deprimente filme. Há mesmo uma referência directa ao tema nele. Assim, o tema aqui é como os significados da arte, ou a simples referência a ela podem influenciar uma mente treinada para Nao ser influenciada e mecanicamente Nao se comportar humanamente. Mentes treinadas para confiar naquilo que lhes ensinam.

A forma como isto é montado é com uma das construçoes cinematográficas mais subtis que tenho visto. O foco está nos artistas, reprimidos, subjugados por um regime repressivo. No mundo enquadrado pelo filme tudo gira em torno deles. Esses artistas sao espiados, constantemente. Nós vêmo-los, e nessa visao temos a companhia de alguém cujo trabalho é literalmente observar. Ele começa com inumanidade fria (a primeira cena assegura isso), observaçao obcessiva, que esse regime provavelmente consideraria simplesmente ‘profissional’.

No caminho, ele envolve-se com o sujeito que observa (vidas modeladas pela arte). Várias coisas sublinham isto: a Arte transforma a sua mente ao ponto de el jogar duplo e começar a escrever uma história inventada para proteger a história real que o escritor está a escrever; ele rouba um livro do sujeito a quem observa, e lê-o secretamente em casa; ele pede a uma prostituta para ficar com ele mais tempo que o acordo previa, basicamente para ser mais que sexo. Por fim, ele reescreve o final de toda a história ao esconder um objecto proibido (uma máquina de escrever!) entrando assim secretamente e mudando a vida do artista.

Temos aqui uma expressao perfeita do perigo do verdadeiro compromisso com a arte, essa que abraça ideias que interessam.

A câmara é subtil, move-se a maioria do tempo, o seu movimento nao concentra atençoes, mas adiciona sempre algo à tensao do momento, sobretudo com travelings subtis. E vejam o uso do espaço. Vejam como o interior do apartamento é usado, como a cinematografia cuidadosamente captura todas as nuances e como eles aumentam e diminuem o espaço interior, de acordo com o que os personagens sentem. Depois notem como a humanidade desse ambiente colorido contrasta com o sotao onde o observador está, e mesmo como ele abstractamente recria o espaço em baixo, pelo som dele.

Ulrich Mühe realmente teve um envolvimento tocante e uma actuaçao inteligente. Pena que nos tenha deixado tao cedo, aqui vale realmente a pena vê-lo, e actua totalmente no campo que me impressiona mais: o da subtileza, esse tipo de actuaçoes feito com grande expressao retirada de movimentos imperceptíveis. Muito do que passa está na sua cara, tantas vezes cuidadosamente enquadrada.

O rescaldo de tudo acontece quando o artista escreve um livro, supostamente sobre a história que vimos. Como se o filme tivesse sido na verdade feito a partir desse livro. Tive sorte por ver um filme assim. Que privilégio.

A maioria das vezes, aprecio um filme pelas suas qualidades como veículo para novas/interessantes formas de passar uma história, ou por como a sua qualidade/apresentaçao visual me dá temas para sonhar. Este funciona nos dois aspectos anteriores, mas fá-lo num tema que interessa. Isso é tao raro.

A minha opiniao: 5/5, vejam se querem sentir-se mais humanos.

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Fados (2007)

“Fados” (2007)

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Fado também é arte

Tenho sonhado com este filme. Apesar de o ter visto há alguns meses, não o comentei antes porque queria compreender como ele caberia na minha imaginação. E tem mexido com os meus sonhos de uma forma que eu não tinha ainda experimentado antes. Este trabalho é um marco, e vou marcar este como um filme que deve ser visto se se quiser obter a máxima amplitude daquilo que a imagem em movimento tem para oferecer.

Eu tinha experimentado o género musical segundo a visão de Saura. Este supera o que eu tinha experimentado com Iberia e Flamenco. Ele superou tudo o que tinha sido feito antes nesta área. O que se passa é: não tenho a certeza de ter visto cinema aqui. Eu vi uma composição, que implica música, desenvolvimento plástico de cenários base baseados no sentimento que a música causa, enquadramento, movimento da câmara e por aí em diante. Assim, Saura joga com todo o baralho de cartas. Ele joga com a câmara, som e a imagem/composição. Ele usa todas as possibilidades, e sabe tão bem onde quer ir.

Provavelmente, como português, eu liguei-me com este filme de forma especial. Fado é uma arte em desenvolvimento, é uma forma de expressão que saltou já da “periferia”. Amália Rodrigues tentou saltar barreiras, ela procurou fazer do Fado algo mais jazzístico no sentido em que podia tocar com mais “notas”, quebrar formas, quebrar mesmo a ideia de formas rígidas. Ary dos Santos foi o equivalente no campo das palavras (e suportou nesta pesquisa o emergente Carlos do Carmos, que actua neste filme). Mas quando Amália começou, ela tinha o fascismo a suportar o “tradicional” e o fado tinha o papel fundamental de suportar a alma das pessoas, e a saúde do império. Por isso ela nunca teve a oportunidade para levar a música para todo um nível novo, como tem sido feito em anos mais recentes.

Mariza apareceu, entretanto, bem apoiada pelas pessoas certas, e ela levou o fado, musicalmente, para um novo nível artístico. Fado é também música, disse-lhe Morelembaum. Novos desenvolvimentos musicais estão em curso. E agora temos este filme. Aqui a questão torna-se mais universal e relaciona-se com outros “desportos”. Várias formas de expressão “paralelas”, que intersectam o fado sem serem exactamente fado. Sob essas expressões, Saura coloca superfícies coloridas planas, e ele usa-as à sua vontade, para realçar o melhor que os “números” (danças ou música) têm para oferecer. Assim, ele usa espelhos para multiplicar as áreas ou para reflectir movimentos que lhe interessam, e usa cores fortes, normalmente para colocar caras em contraste. Aqui ele consegue momentos de génio. Sonho com aquele laranja amarelado, creio que chorei uma lágrima no meu lugar sobre aquele laranja… O génio aqui aparece quando Saura consegue usar todos os meios que tem para realçar o valor da música. Ele cria uma nova forma de arte, que poderá estar para lá do cinema, algo entre o happening e a instalação, mas muito mais interessante que esses dois. Curiosamente, 2007 também nos deu um filme que eu considero essencial, Caótica Ana, de Medem, outro espanhol, e nesse filme comentei uma cena específica que considerei ser algo mais que cinema, algo que incluía o espectador. Muito interessante, o mesmo ano, o mesmo país. Creio que o próximo passo aqui será incluir nestas concepções um olho arquitectónico/espacial. Isso poderia dar-se estudando os arquitectos do cinema (Welles, Tarkovsky, Antonioni…) e referenciá-los, ou transformar esta numa experiência física real, mas aí o cinema estaria ausente. Preferia que isto fosse feito da primeira forma.

A minha opinião: 5/5 senti que estava a assistir à construção de um novo meio, algo que nunca tinha visto antes. A sensação é fantástica.

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve