Notorious (1946)

“Notorious” (1946)

IMDb

pré-Rope

Hitchcock é um dos realizadores mais importantes de sempre, alguém que mudou as regras e os códigos dos filmes, e introduziu um grande número de elementos na gramática cinematográfica.

Ele dominou e construiu novas coisas que têm que ver com o uso cinematográfico do movimento de câmara, e manipulou a narrativa de formas brilhantes. Os seus melhores resultados podem e devem ser estudados por nós hoje, foram marcos de muito do que se seguiu, e em termos narrativos, algumas coisas que ele fez são inultrapassáveis.

Mas mesmo que hoje, quando vejo os filmes mais antigos de Hitchcock, consiga detectar neles pedaços daquilo que a intuição dele provavelmente estaria a captar, acredito que os anos 50 foram a década em que ele desenvolveu todas as coisas pelas quais eu o adoro hoje, e pelas quais o vejo como um dos mestres. Com Rope temos a primeira vez em que ele realmente construiu algo totalmente novo, naquele caso manipulando o movimento de câmara, criando um olho cinematográfico, brilhante e novo. Dial M… Rear Window, Vertigo, e mesmo Psycho; todos esses são trabalhos que temos de ver.

Mas antes de Rope, o que temos são apenas pistas. Neste filme, há alguns pedaços de enquadramento e movimento de câmara que são concebidos de forma inteligente. A chávena de café envenenada, enquadrada enquanto um diálogo ao seu redor acontece. O plano grua que começa no espaço aberto de um hall, e que fecha na mão de Bergman, que segura a chave. Esses momentos são bons e fazem algo hitchcockiano: uma cena onde aparentemente nada acontece (um diálogo banal, a chegada de convidados), mas através do movimento de câmara e enquadramento, todo um significado é atribuído a um detalhe da cena. Puramente visual, poucas pessoas têm uma mente assim tão acentuadamente visual como a de H..

Mas o grande quadro, aqui e em quase todos os filmes antes de Rope, não é assim tão bom. Como noir, o filme falha, porque o mundo dele está totalmente exposto, todo o tempo; é uma história de espiões simples, que seguimos baseando-nos na tensão do “será que ela vai ser apanhada?”. O noir requer um mundo bizarro e inexplicável, algo que tem a ver com nós não sabermos o que está a acontecer. Aqui o que temos é uma construção tipo mcguffin, aquela história das garrafas de vinho, que só servem para nos pôr atrás delas. E Hitchcock sempre dominou esse truque, mas os melhores resultados dele vêm quando ele usa essa distracção para nos dar uma apresentação incrível para ela. Aqui não.

É verdade que temos Grant e Bergman, um casal quente naquela altura. Eles dão uma boa actuação, e espalham alguma magia de cinema. E Ingrid era uma mulher real, e uma actriz real. Mas este filme está sobretudo baseado em estilo. E o estilo, é sabido, desvanece-se no tempo. Por isso o filme não nos dá muita coisa hoje, porque o mestre ainda não tinha atingido a perfeição das suas manipulações posteriores da nossa mente visual. Por algumas vezes antes de Rope ele esteve perto de atingir isso. Mas aqui, ele está apenas a tentar algumas soluções. O filme em si é um exercício puro de estilo, um estilo que já não procuramos hoje.

Mas Ingrid Bergman era uma grande mulher.

A minha opinião: 2/5

Este comentário no IMDb

0 Responses to “Notorious (1946)”



  1. Deixe um Comentário

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s




Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve