Arquivo de Junho, 2010

Gran Torino (2008)

“Gran Torino” (2008)

IMDb

crepúsculo

*** spoilers ***

Podemos ver este filme como ele é, como se nos apresenta; é como quem diz, com o apelo as audiências que a história transporta: -imigração numa visão contemporânea, encarar as sociedades ocidentais como instituições em transição, até ao ponto em que os bairros em tempos tranquilos do american way of life são ocupados e revividos pelas famílias dos países em tempos inimigos. -A promessa tensa de acção que nunca se verifica mas que transporta o filme. Como entretenimento, o filme vale o bilhete porque nos perguntamos sempre o que surgirá a seguir, mesmo que nada venha realmente a acontecer (num sentido gráfico e físico). Por isso a promessa tensa de acção, que afinal nunca deixa de ser drama. Bom jogo de géneros.

Podemos ver este filme no contexto das visões políticas de Clint Eastwood, dentro do lugar que os conflitos raciais e de gangs ocupam em áreas suburbanas como a do filme. podemos ver este filme como “político” ou de “orientação social”.

Podemos escolher ver algum dos filmes que descrevo acima, ou considerar outras camadas. Eu quero ver este filme como um passo sólido do trabalho de Clint, o realizador. Para mim, este filme é claramente um do crepúsculo da sua carreira. Não porque ele já não seja novo, mas porque este filme é tanto sobre a carreira de clint como actor como é sobre o seu próprio cinema. Por isso é que temos o personagem dele como uma paródia de todos aqueles polícias e cowboys duros e irascíveis, de Leone a Siegel. O engraçado é como esse personagem se torna o seu próprio anti-personagem no final. Como o tipo “feel lucky punk” duro acaba por não ser violento para derrotar os maus. Isso é certamente um twist muito para lá da simples surpresa de nos sentirmos enganados quando vemos o filme. Espero que Eastwood viva para fazer mais uma dúzia de novos filmes, mas este filme tem o sabor de uma conversa tranquila entre um realizador e a sua audiência, como os últimos Kurosawa ou Welles, ainda que Eastwood esteja muito longe da importância do trabalho desses 2. Mas a carreira de Clint é sem dúvida um carro clássico, que vale a pena conduzir e ver. E não tem a ver com a performance, tem a ver com o comprometimento.

A minha opinião: 4/5

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Phantom of the Paradise (1974)

“Phantom of the Paradise” (1974)

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In the court of King Williams

Criadores talentosos em contexto underground. É fantástico estar no mundo deles! É aí que os apanhamos no máximo da sus criatividade pura e descontrolada. não manipulada, selvagem. O resultado do que eles fazem nesses contextos dificilmente é o melhor que eles produzem, mas muitas vezes são essas as criações mais apaixonadas, e quase sempre indicam os elementos que eles vão dominar quando “crescerem”.

Aqui temos um filme que existe em 3 níveis (pelo menos os que interessam a mim):

– este é um filme dentro de um contexto social e cultural. O tipo de música que ouvimos aqui (não as múltiplas paródias, mas a música que é suposto ser “boa”) foi uma reacção aos anos 60, ou simplesmente o passo seguinte na evolução. Dentro do mesmo espírito underground que criou este filme, havia uma tendência crescente para extender e inventar formas que pudessem acomodar as fantasias dos novos músicos. É aquilo que conhecemos hoje como rock progressivo. Este filme inventou o caminho para que Tommy, Live at Pompei, ou mesmo o The Wall pudessem existir.

– Paul Williams, grande talento. Muito do que funciona neste filme é a visão dele, desde o ambiente até às próprias raízes da história. As paródias dele são fantásticas, mas o material “verdadeiro” é suficientemente bom. Gostei de o conhecer melhor, e É engraçado que ele represente o tipo que rouba a sua própria música.

– de Palma, que era o meu principal motivo de interesse ao vir a este filme. A verdade é que eu não sabia muito bem o que esperar, e acabei por apreciar bastante mais os outros níveis do que este do realizador. Aparentemente, a esta altura ele tinha claro o que queria explorar, mas estava longe de dominar algum dos seus enormes talentos visuais, ou então este filme foi um trabalho tão colectivo que ele simplesmente não foi capaz de fazer a sua afirmação pessoal nele. Seja como for, temos aqui provavelmente o primeiro split screen da carreira dele (não tenho a certeza), algo que ele usaria toda a sua carreira com resultados incríveis. Para lá disso, não temos ainda o olho mágico da câmara dele.

A história interessa apenas pelo facto de termos uma batalha entre a criatividade e a sede de dinheiro, algo que todas as pessoas envolvidas aqui deveriam conhecer bastante bem nesses dias.

Jennifer Harper tem uma cara bonita, e ilumina o cenário quando canta.

A minha opinião: 3/5

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve