Archive for the '1960' Category

Ukradená vzducholod (1967)

“Ukradená vzducholod” (1967)

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voar para longe

A animação checa dos anos 60 é interessante. Havia talento, e uma vontade interessante de explorar, tentar coisas novas. Para além disso, os checos eram provavelmente o povo mais activamente descontente de todos os estados soviéticos satélite. Quando este filme saiu, a primavera de Praga estava quase a acontecer, o país fervia com tensão e vontade de mudança.

As mentes criativas normalmente fervem a temperaturas mais altas em contextos desses. Por isso, assumo que alguma metáfora de procura da liberdade pode ser entendida com esta história. Voar para longe, território de escapatória, a procura de lugares onde podemos experimentar aquilo que em casa é impensável. Os intelectuais que não colaboram com os regimes do outro lado da cortina estavam a ter maus momentos. Isto seria uma metáfora adequada, na linha daquilo que Svankmajer também estava a fazer.

Para além disso, escolher Júlio Verne, tão adorado por este realizador, é em si mesma um comentário ao tipo de efeito que ele estava a tentar alcançar. O motivo pelo qual adoramos Verne é a inventividade da ficção científica que ele propõe. Ele não escrevia f.c. como Philip Dick, em que o outro mundo científico é o enquadramento para uma exploração inteligentemente concebida das coisas próximas a nós, no nosso mundo “real”. Pelo contrário com Verne tem tudo a ver com o mundo que ele descreve, em termos físicos, a verosimilhança da proposta científica, viver nesse mundo, como definido pelo escritor. Ele dá-nos a sedução do hiper realismo, a sensação que aquilo que estamos a ler poderia ser possível (na verdade muito do que ele escrever acontece hoje em dia), envolvido na fascinação por um mundo paralelo fantástico. Sobre tudo isto, experimentar é basicamente o que conduz este tipo de criadores.

O problema deste filme é que os códigos que usa estão ultrapassados. Não me relaciono com a apresentação visual do filme. Este mundo soa plano e nada fascinante hoje. Há sensibilidade visual aqui, na forma como a animação e a acção real são misturadas, a forma como a tonalidade amarela é aplicada para unir todos os pedaços. Houve muito esforço aplicado aqui, e pode ter funcionado nos seus dias. Mas agora não. É um grito de liberdade, e sentimos isso ainda hoje, e nesse aspecto, é bom. Como filme, penso que há outras aventuras que merecem mais ser vividas, outras viagens mais úteis para fazer.

A minha opinião: 1/5

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Marquis de Sade: Justine (1969)

“Marquis de Sade: Justine” (1969)

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frigidez espacial

Acreditem ou não, escolhi ver este filme depois de ver a Árvore da Vida de Malick. E fi-lo não porque queria algo totalmente diferente, mas porque procurava algum tipo de abordagem semelhante ao cinema. Não confundam. O filme de Malick mudou a minha vida, e este é apenas lixo total e deliberado. Mas aqui como no outro, temos realizadores que filmam o que querem, fora de convenções. Ambos confiam fortemente na intuição, no caso de Malick suportada por uma pesada bagagem de estudo e reflexão, e no caso de Franco apenas pelo puro prazer de filmar, ou melhor, de filmar como atitude de vida.

Os filmes lixo são fantásticos, porque por momentos saímos das convenções habituais. O sexo é um dado adquirido na maioria destes filmes, chamam-lhes exploitation, porque supostamente estamos a “explorar” corpos, e o sexo como voyeurs. Poderia argumentar que não sei em que medida isso difere da maioria do nosso mainstream hoje em dia e desde há algum tempo, mas isso é uma conversa diferente. Em todo o caso, a garantia que temos é que dentro dos constrangimentos da produção, veremos o que um tipo ou um número reduzido de pessoas realmente queriam fazer. Isso é reconfortante.

Aqui temos provavelmente o maior orçamento de sempre de um filme de Franco, e por isso provavelmente aquele em que ele esteve mais constrangido, pelo menos em termos de casting. O resultado não é tão visceral, não tão loucamente alucinante como alguns pedaços de outros filmes conseguem ser, mas tem alguns aspectos que recompensam:

-cinema auto-reflexivo: o personagem de Kinski escreve a história das duas irmãs à medida que avançamos. Por isso temos um realizador que faz um filme sobre um escritor (aprisionado) que inventa 2 narrativas paralelas sobre 2 irmãs sem esperança, que espelham 2 atitudes distintas: uma é maliciosa, a outra aprende a retirar prazer das humilhações. Justine é aquela que seguiremos;

-no seu caminho pela humilhação, intriga, e todos os tipos de cobiça sexual por todos os tipos de pessoas, Justine vai passando por um conjunto de cenários. Alguns são perfeitamente olvidáveis, meras árvores em bosques filmados de forma incompetente. Alguns são apenas ordinários, alguns são lugares bem escolhidos de Barcelona (a praça S.Felipe Neri é o mais sedutor desses), e alguns são Gaudí. Isto é interessante, porque os cinematógrafos, talvez o próprio Franco, tiveram interesse nestes cenários. Em termos gerais, a fotografia neste filme é bastante boa comparando com o que podemos ver neste género. Nos locais Gaudí, há a intenção de filmar espaço (veja-se o uso denunciado das grandes angulares em alguns sítios, até ao ponto de distorcer a forma e o foco dos limites da imagem) e, nas cenas do parque, filmar o percursos arquitectónico ao longo dos arcos. Sexo e espaço, essa é uma ideia engraçada e compensadora. Mas Romina Power não faz ideia do que se pede dela, e tudo acaba por se tornar um passeio no parque, em última análise desinteressante na sua maior promessa.

A minha opinião: 2/5

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The Pink Panther (1963)

“The Pink Panther” (1963)

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descentrado

Há tantas personalidades do mundo dos filmes envolvidas aqui que hoje carregam uma grande dose de nostalgia que vale a pena ver este filme só por isso. Isso se conseguirem receber totalmente essa força que essas pessoas demonstram. Capucine, Claudia Cardinale, até a espécie já extinta a que Niven pertencia. Blaker Edwards, que morreu recentemente e, claro, Peter Sellers, uma das pessoas mais genuinamente engraçadas em filme de sempre. Juntem a isso os anos 60, já por si um canal da nostalgia ocidental contemporânea, e a pantera, acabada de nascer aqui. É pesado, provavelmente tanto como ver Audrey Hepburn e Cary Grant no Charade deste mesmo ano. Se inspiramos estes aromas de outros dias e nos deixamos levar por como imaginamos que esses dias seriam, este filme vai brilhar.

O filme por acaso é incrivelmente fresco, como comédia. Não porque alguma coisa do que aqui temos seja ainda remotamente uma moda na actuação cómica de hoje em dia. Não é. O ritmo é lento, e isto arrasta-se comparado com o que faz as audiências rirem hoje em dia. Sabemos que a comédia é, entre todos os géneros, aquele que se desactualiza mais rapidamente. Esta está desactualizada, mas funciona se virmos o seu contexto.

Mas algo estranho e bizarro mata uma parte desta experiência. O filme parece-nos descentrado hoje, e suponho que isso seria notório logo que o filme saiu. Isso porque o filme foi concebido para ter Niven como a estrela, e Cardinale como o sex symbol exótico. Ela até representa uma rainha de um país exótico distante. Capucine e Sellers deveriam ser asteróides orbitando em torno das estrelas principais. Mas Sellers baralha as coisas, e desequilibra este universo aparentemente bem construído. Isso porque ele é a estrela mais brilhante deste firmamento. Aparentemente, o papel dele deveria ter sido feito por Ustinov, mas Sellers acabou por ficar com ele, e o resto nós sabemos, e o muito que ganhamos com isso. Ele é um grande actor, porque de algum modo ele faz as suas habilidades sem parecer abertamente que está a actuar de forma engraçada. E o timing dele normalmente é perfeito.

Por isso, o estranho aqui é que temos um performer brilhante a roubar o filme aos verdadeiros ladrões (ele até vai para a prisão em vez deles no final). O fantástico é que tínhamos Peter Sellers.

A minha opinião: 3/5

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Paris – When it Sizzles (1964)

“Paris – When it Sizzles” (1964)

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pôr do sol na torre

Este é um caso de estudo interessante:

Como filme, não há muitas coisas boas aqui. Realização simples, edição banal, nada relevante, é um produto de velhos tempos, mas pior que outros que seguiam o mesmo modelo.

Como entretenimento, perdeu todo o valor que possa ter tido nos seus dias. E isso não é algo específico deste filme. A comédia romântica é seguramente o género que fica mais facilmente datado, porque lida com necessidades exigências das audiências muito próprias de determinado momento. Por isso, este filme está tão desactualizado hoje como qualquer uma das comédias românticas de hoje estarão em 50 anos.

As actuações dos actores principais são toleráveis, ainda que tenhamos visto Hepburn, Holden e Curtis fazer melhor em muitos dos seus outros filmes. E apesar deste papel não estar tão adequado ao personagem de Audrey, ainda assim temos a classe dela, a mais sublime na filmolândia.

Mas há algo que torna este filme notável e uma peça única que eventualmente terás de ver se te interessa o cinema e as mudanças que os franceses lhe imprimiram no início dos anos 60. Temos aqui um filme sobre escrita de filmes. Desde o início que nos é permitido sabermos que vamos ver um filme que se faz a ele mesmo, que se vai inventando à medida que evolui. Naturalmente os personagens principais teriam de ser um escritor, e uma dactilógrafa, que sem querer se torna ela mesma uma escritora. Temos 2 níveis: o da realidade do quarto de hotel de Paris, que já é ostensivamente artificial (por isso é que Holden diz que mandou colocar ali a torre Eiffel para que ele soubesse que estava em Paris) e o nível do filme dentro do filme, uma realidade provisória, sempre em mudança, e afectada pelo que se passa no quarto. Estas mudanças constantes no filme interior daria a parte de entretenimento (Tony Curtis actua para parecer engraçado, e consegue).

Mas onde as coisas se tornam realmente interessantes é na ligação francesa: há um conjunto enorme de referências explícitas à nova vaga que atingia Paris e o cinema francês desses dias. Essas referências surgem sempre como paródias, algo que tem que ver com filmes onde “nada acontece”. E recebemos este filme como o oposto disso, um festival para o olho, onde a narrativa é recheada de eventos, independentemente do quão ridículos pareçam, mesmo no contexto do filme, e mesmo no contexto do filme dentro do filme! O que temos é a moda antiga, e isso é assumido. E o campo de batalha é literalmente Paris, ao mesmo tempo o palco da nova vaga, onde as mudanças profundas ocorrem, e uma das localizações mais acarinhadas dos “velhos tempos”, um dos lugares mais usados na história do cinema, com todos os seus lugares icónicos, carregados de simbolismo no cinema americano pós-guerra. É isso que está em jogo aqui: o surgimento de novos paradigmas, que ameaçou o que o “cinema americano” para as massas signficava. Por isso é que o título provisório do filme dentro do filme é “A mulher que roubou a torre Eiffel”.

A decadência do personagem de Holden (que espelha o que o próprio Holden estava a passar a esta altura) pode ser vista com um peso simbólico. Os anos 60 foram uma década de cinema europeu brilhante, que Hollywood só conseguiria seguir liderado pela chamada geração Vietname.

O beijo que vende pipocas, é a cena que melhor resiste neste filme, na forma como cumpre os seus próprios clichés assumidos, e é o crepúsculo de um certo tipo de filme. Ah, e tínhamos a Audrey…

A minha opinião: 3/5 um filme mau que realmente deviam ver.

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X (1963)

“X” (1963)

x ray man

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caleidoscópio

Parece-me que houve uma tentativa válida e honesta neste filme, de fazer algo eminentemente visual. A história tem a ver literalmente e unicamente com visão, é sobre o que as pessoas vêm, o que poderiam ver, e como isso afectará o seu mundo. Assim, temos o Frankenstein e o monstro no mesmo corpo, um médico obcecado com ver sob a superfície. A metáfora é bastante clara e básica, mas apesar disso é tolerável: aquele que quer ver tudo acaba por ver nada. Toda a luz é equivalente a nenhuma.

O problema, provavelmente, é a distância enorme entre as ideias dos escritores e a solução visual encontrada pelos realizadores. Eu sei que este filme tem um baixo orçamento, feito pelo mestre disso, mas também me parece que o dinheiro, ou a falta dele, dificilmente pode tornar-se a desculpa para tentativas desinteressantes de fazer um filme visual. Não é a pobreza de um cenário ou a fotografia básica que desviam os bons realizadores de tentar coisas interessantes. Para lá disso, este filme não é assim tão barato. Mas o problema é que os planos são concebidos de forma banal, muito ortodoxos, feitos para cumprir calendário e não para tentar ser imaginativo.

No entanto há aqui uma tentativa interessante, ainda que falhada. Suponho que, porque isto foi feito nos anos 60, o rock progressivo era apelativo para a juventude, o alvo maior deste filme, há uma tentativa de colocar o raio x de Milland como uma ilusão psicadélica. Por isso todos os planos “ponto de vista” são vistos como uma decomposição abstracta da realidade em cores, com um efeito adicional de caleidoscópio. Os momentos em que esses pedaços são inseridos são feitos como partes delirantes de Xavier. Não me parece que seja suficientemente interessante para eu dar mais atenção a este filme, mas apreciei o esforço, é o melhor que temos aqui.

Visão e transcendência. Ciência e religião. Neste caso, eu não me importaria com essa ligação, é inconsequente aqui.

Apreciei os pedaços cómicos, quando Xavier vê as pessoas nuas a dançar. Funcionaria de forma perfeita se pudessem mostrar tudo, não apenas os pedaços inúteis como aqui, mas tudo bem.

A minha opinião: 2/5

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Cape Fear (1962)

“Cape Fear” (1962)

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velhos jarrões

Remakes, ou filmes que foram refeitos, são uma boa experiência apenas por esse facto. Se vimos ambos, podemos ver 2 filmes em paralelo, e o filme reflexivo de imaginar como o segundo filme foi feito, o que estavam os “refazedores” a pensar. Foi assim que vi este. Já tinha visto o remake de Scorcese, antes de ver este, a partir desse momento nunca poderia ver este de forma isolada, no lugar que ele ocupava sozinho. Apenas posso imaginar.

No entanto, imaginei o que estaria Scorcese a pensar. Creio que a intenção dele não era outra senão uma questão de actualização, e cumprir o que na versão original era apenas sugerido. Tudo era mais gráfico em 1991, claro, por isso Scorcese actualizou a violência, e mostrou o que as audiências apenas estavam preparadas para serem levadas a crer, em 1960. Mas a grande coisa que Scorcese fez foi introduzir a tensão entre o Max Cady e a filha. Juliette Lewis realmente impressiona. Neste original temos o desejo sexual do personagem de Mitchum, mas é unilateral, uma simples atracção de uma mente suja a uma criança inocente. E esta é basicamente a questão:

nesta versão antiga tudo é uma questão de bem-mal. É uma abordagem mais pobre (até os motivos para a vingança são menos dúbios do que na versão de Scorcese). Bem, até os actores são menos flexíveis do que aquilo que pedimos a um bom actor moderno. Peck e Mitchum nasceram ambos artisticamente para um cinema em que o “personagem” era algo que era parte das suas personalidades como “estrelas” assim como dos seus papéis. Por isso a actuação deles é rígida, e muito limitada. Eles estão ali para exibirem os seus personagens públicos. Assim, por exemplo, se consideramos Mitchum, ele não está a tentar convencer a audiência de um certo tipo de maldade sofisticada. Ao invés, ele está a dar-nos um perfume de dureza maléfica enquanto tenta ser ele mesmo: o “Homem” bruto mas sedutor. Peck tem a vida mais facilitada, é suposto gostarmos dele por isso ele só tem de ser ele mesmo.

Este é um filme que perdeu as ambiguidades e buscas morais do filme negro original, mas que ainda não chegou a nenhuma nova fase, que inclui actuações modernas (o efeito Brando não se aplicou a estes tipos) e novas formas de construir narrativa. Para mim, soa simplesmente desactualizado, e não me disse muito.

A minha opinião: 2/5

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The Shoes of the Fisherman (1968)

“The Shoes of the Fisherman” (1968)

shoes_fisherman

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propaganda e vida real

Temos que admirar a forma inteligente como esta história antecipa a realidade. A compreensão de que um “infiltrado” do outro lado da cortina, colocado no sítio certo, com o poder correcto, poderia fazer a diferença no desfecho da guerra fria.

Bem, a maioria do que vemos neste filme é lavagem cerebral romântica. O cliché do homem bom, bem intencionado e humilde que, apesar de estar no topo do mundo e da liderança política, ainda se mantém o farol do amor e das vidas dos desfavorecidos. Por isso é que vemos este papa a viver uma vida normal, na cidade “real” e sobretudo, é esse o significado da última cena, que segue “O grande ditador”. Mas com Chaplin, nós Realmente tínhamos um artista comprometido, alguém que nesse momento se preocupava tanto com o que defendia que arriscou tudo o que era como celebridade e mesmo como artista, apenas para passar a mensagem, de verdadeira humanidade. Aqui, temos uma maquinação perversa da história (não li o livro, isto refere-se apenas ao filme). Por isso, aquele discurso final deveria, e eventualmente soa como o grito de rebelião de um homem que tenta e quebra as correntes do interesse maior, em favor dos desfavorecidos. Mas o filme é em si mesmo parte de um esquema que permite a lavagem cerebral desses desfavorecidos, e a colocação da Igreja como o líder espiritual, superior. Bem, os interesses da igreja em relação à Guerra Fria e depois eram políticos, eram mundanos, não eram altruístas. Nem nesta situação nem em qualquer momento dos seus 2000 anos de história.

Mas é notável (e suponho que isto vai para o escritor) a precisão da previsão. Como é que ele assumiu que um papa sairía das cadeias de sofrimento da união soviética? Ele saberia algo? Como é que ele criou a biografia de um homem que realmente se assemelha a João Paulo II? Isso realmente é notável.

As opções cinematográficas são boas. O filme é bastante texturado, tenta filmar muitas coisas no local, e joga com as cores, e as texturas dos espaços interiores do Vaticano, surpreendeu-me as preocupações visuais nesses temas. Também me interessou o uso de filmagens reais repetidamente, sempre que (suponho) havia a necessidade de mostrar pessoas “reais” na praça de S.Pedro. Se foi por necessidades de orçamento, ou uma opção consciente, não sei, mas o facto é que esses momentos com captações reais fizeram toda a construção deslizar para uma sensação deliciosa de documentário que, se lhe adicionarmos os últimos 30 anos de história, farão este um trabalho muito mais forte. Para realçar isto, temos um contador de histórias designado, um repórter que literalmente nos conta os factos, de um ponto de vista público. Esse repórter tem uma história pessoal, que seguimos, e que se mistura com a história do papa a certa altura. Isso não é inocente.

Bem, podemos escolher realçar a eficiência da construção cinematográfica, e como ela é provavelmente mais poderosa hoje do que era nos seus dias, devido aos factos que sabemos hoje. Ou podemos simplesmente ficar com o facto de que filmes como este são propaganda velada, que procuram moldar as opiniões das pessoas sem se assumirem como propaganda. Eu retenho essa nota, mas apreciei a experiência.

A minha opinião: 3/5

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve