Archive for the 'Cinanima 2009' Category

The Spine (2009)

“The Spine” (2009)

IMDb

Cinanima2009

à beira do precipício

É preciso respirar, é preciso reflectir, para sentirmos e finalmente compreendermos que um filme como este forma parte de nós. É que as curtas tão eficientes e poderosas como esta são necessariamente murros duríssimos no estômago. E este realmente é um filme poderoso. Por isso neste caso levou-me 10 dias, durante os quais vi muito poucos filmes, para perceber que partes de mim foram afectadas pelo filme. E foram realmente 10 dias desconfortáveis e desafiadores.

Eu não conhecia o realizador, esta foi a minha primeira experiência com ele. Vou querer ver outras coisas que ele faça. Este filme faz algo que eu não tinha visto ser feito desta forma antes. Agora que o vi, parece-me incompreensível como é que ainda não tinha sido tentado. Isto é uma espécie de Philip Dick com Gondry com Jonze, sendo que estes dois últimos partilham o facto de ter trabalhado com Kaufman. Animação, no sentido sensível que Landreth lhe dá, parece um meio incrivelmente interessante de trabalhar estes temas, basicamente viagens entre vasos de inconsciência. Uma instabilidade constante que não nos permite saber onde estamos, que nível de consciência estamos a visitar. Todo filme é uma terra de ninguém, um território por explorar, nas partes obscuras do ser.

Cada emoção é perfeitamente controlada, a construção é sólida e perfeitamente equilibrada, e gira em torno de pólos de loucura, depressão, amor, frustração. Vida.

O resultado visual é incrível. A câmara está agarrada ao nosso mundo real, mas as imagens, apesar de nascerem desse mesmo mundo, foram visualizadas noutr sítio, no pequeno espaço entre estar acordado, e a dormir profundamente. Vou querer ver este filme outra vez.

A minha opinião: 4/5

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Red-end and the Seemingly Symbiotic Society (2009)

“Red-end and the Seemingly Symbiotic Society” (2009)

O filme no FestivalFocus
O filme no sítio da produtora

Cinanima2009

construtores de espaço

Que filme interessante, no momento certo. Depois de um festival rico, interessante, com o qual ainda estou a lidar neste momento, tenho a recordar vários momentos altos. Este filme é, de todas as experiências que tive aqui, uma das mais fortes, mais fascinantes e que mais me interessa., pelos meus interesses pessoais no estudo das relações entre espaço e a exploração desse espaço por meios visuais. Este filme é uma das melhores experiências recentes que eu tenha visto em filme que abordem tão explicitamente o tema. Apenas por isso, já merece entrar numa lista especial, que vou fazendo, de filmes que importam para a minha construção mental do tema de espaço e cinema.

Mas para além disso, este filme é realmente interessante. Vamos ver do que trata. Há uma história. Essa história tem a ver com a vantagem da diferença, um mundo onde todos são negros, a diferença que pode fazer alguém vermelho. Banal, até aqui. Para além disso, há a ideia de ciclo que perpassa toda a narrativa. A ideia lavoisiana de que tudo se vai transformando, e tudo vai irremediavelmente desaparecendo. Melhor aqui, porque o filme apoia visualmente o texto que procura sustentar. Tudo isto é razoavelmente interessante, mas nada que me faça perder o sono, ou sonhar especialmente alto.

Mas depois, há algo mais que sim fascina, e sim está feito de forma exemplar, quase perfeita. Está incorporado na história, e é totalmente apoiado e compensado por aquilo que vemos. A história é sobre seres que constroem os espaços que habitam, que usam, que desenvolvem. Nós vemos a construção. o filme começa dentro de espaços supostamente naturais, mas já por si interessantes, onde os insectos recolhem os cubos que serão as peças que construirão os espaços mais tarde usados para experiências. Nós vemos a recolha das peças, nós vemos o transporte, e sobretudo, nós vemos a construção de cada espaço, até à última peça. Por fim, após isto, nós vemos esses espaços, que não existem apenas no campo abstracto da história, estão realmente construídos, para a câmara os possa fotografar. Agora reparem nisto: embora haja apoio digital na pós-produção deste filme, ele é no essencial um stop motion. Quer isto dizer que não só os insectos são objectos reais que foram fotografados, todos os espaços que vemos são maquetes concebidas para serem fotografadas. Ou seja, quando vemos os insectos a construírem o espaço, é como uma vincagem das características constructivas dos cenários, é como se estivessemos a acompanhar o processo de trabalho. A história do filme é a história no filme. Subtil, bem feito, e arquitectónico!

Alguns dos espaços são bem concebidos, para o efeito que se pretende. As grutas iniciais, a cúpula construída com cubos (de açúcar?) e um espaço construído com placas perfuradas. Deste último espaço, que até me pareceu o mais interessante e complexo, e mais adequado para ser explorado pela câmara, penso que faltou um investimento na iluminação mais cuidada dos planos aí construídos. A vantagem (para mim) das placas perfuradas é a possibilidade de criar ambientes através da difusão da luz. Mas isso iria contra a imagem geral do filme. A câmara aposta sobretudo nos travelings laterais para dar coesão a todos os planos do filme, e a exploração do espaço tem sobretudo a ver com os ângulos e pontos de vista escolhidos. Não há nada inventado aí, até porque é difícil expandir mais o glossário de possibilidades que Welles ou Tarkovsky inventaram. Mas é um trabalho consistente. A minha maior queixa é o facto de a fase final do filme abdicar totalmente desta exploração espacial para dar um seguimento às partes (quanto mim) menos interessantes da história.

A minha opinião: 5/5 é uma experiência, vou descobrir como ela se acomoda na minha cabeça… e isso dirá como evolui esta classificação.

Milovan Circus (2008)

“Milovan Circus” (2008)

Cinanima2009

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mentes bonitas

Em geral, o que me fascina nos pequenos filmes de animação independentes como este e outros que venho comentando massivamente nos últimos dias, é como cada um deles, melhor ou pior, é um reflexo perfecto da intimidade de uma mente. Tudo nestas animações é concebido pelos seus criadores, não há um único pedaço de cenário, uma única expressão nos personagens, uma única evolução na história, que não tenha saído da mete de um realizador apaixonado, alguém que quer ser ouvido. Por isso, quando essa mente tem talento, um pequeno filme animado de autor pode ser uma viagem aos medos de alguém, as preocupações de alguém, os seus sentimentos. É o que temos aqui.

Vejam a doçura em cada expressão desta marioneta de madeira, vejam a subtileza nos movimentos corporais. conta uma história. este filme é narrativa, diz-nos algo, e poderá significar algo para ti. para mim, tudo depende da nossa capacidade de sermos absorvidos pelo que este realizador queria dizer-nos, tanto como ele próprio estava absorvido pela iluminação cuidadosa de cada frame deste pequeno e lindo filme. Mentes lindas. animações como estas são um dos portais mais directos para a mente dos seus criadores, é o que eu creio.

A minha opinião: 4/5

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Le bûcheron des mots (2009)

“Le bûcheron des mots” (2009)

Cinanima2009

IMDb

texturas

Há um sentimento 1984 neste filme que sinceramente começa a aborrecer-me. Ok, o mundo é um sítio cruel e as palavras, que significam conhecimento, livre-pensamento, são perseguidas porque uns tipos desconhecidos, indefinidos, desinteressantes. Aqueles que ainda buscam a liberdade e que estão dispostos a vivê-la são igualmente perseguidos, e vivem em perigo constante. Alguém que vem de dentro do sistema começa como um caçador, um lenhador das árvores das palavras. Depois, ele começa a fascinar-se com a beleza do mundo dessas palavras, e eventualmente pisa a linha, e vai para o outro lado, e torna-se fugitivo, um dos que ele costumava perseguir. Este é um dos muitos filmes de um ramo derivado da literatura de Orwell, Bradbury e outros. Algo devia ser inventado em cima disso… afinal Children of Men trabalhou a decadência de um futuro desagradável de forma muito mais interessante.

O que funciona neste filme é a sobreposição de imagens para criar algo visualmente coerente e atractivo. As palavras são consideradas literalmente aqui, são uma camada visual, sobre umas sombras agradavelmente indefinidas de personagens, eles mesmos sobrepostos a um último plano amarelo/castanho. Funciona, como uma peça plástica, funciona de um ponto de vista puramente visual. Isto não é cinematográfico na raiz, o tema está enraizado na literatura (nas palavras, para lá da sua expressão física), mas o filme é suficientemente bonito para o seguirmos.

A minha opinião: 3/5

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Les ventres (2009)

“Les ventres” (2009)

cinanima2009

Cinanima2009

IMDb

bach é singular, não serial

Este filme foi um falhanço enorme para mim, mas um interessante. Não é assim tão comum ver coisas assim, quando sentimos que vimos algo que ficou longe de me preencher, mas sabemos que o realizador queria fazer bem, e queria fazer algo ambicioso. Por isso, vou sempre preferir filmes como este em vez de trabalho copiado em série como muito do que vemos.

O filme está em território quase de terror. É um conto bem construído sobre como tudo o que é parte da nossa vida, neste caso a comida que consumimos, se vai tornando mais e mais artificial, até chegarmos ao ponto simulado de imaginarmos que nos estamos a comer a nós mesmos sem notarmos. Por isso temos um jogo curioso de escalas, em que o homem começa como comedor (de caracóis) até se tornar um canibal inconsciente. Pensem o que quiserem da metáfora, a mim não me interessa especialmente embora reconheça a validade do raciocínio. Mas é um bom tema dramático.

O que me interessou foi a música, a forma como foi deliberadamente cortada e integrada na narrativa. Ele escolheu Bach. Para mim, Bach é o zénite da música ocidental, para sempre insuperável na compreensão das possibilidades e no estudo dessas possibilidades, uma por uma, de uso de harmonia, ou melodia, ou ambos ao mesmo tempo. A peça que o realizador escolhe, o prelúdio nº2 do primeiro livro de prelúdios e fugas, é parte de um dos trabalhos mais importantes de sempre da história da música. É aí que Bach se endereça às suas ideias de sobreposições de linhas melódicas que funcionam tanto como frases independentes como harmonicamente. O que se passa é que parece haver duas formas de encarar Bach: uma é considerá-lo um compositor altamente racional que, através dessa racionalidade atinge uma transcendência mítica, religiosa, do outro mundo. a outra forma é considerar Bach pela sua importância no desenvolvimento da música ocidental, mas compreender a música como mecânica, sem alma, até repetitiva, o que o torna um compositor de interesse histórico. Para mim ele é a primeira situação. Este filme assuma a segunda versão, e é aí que me separo. Bach como a banda sonora pervertida de um mundo canibal, revirado do avesso e decadente? Não, não me parece. Apreciei o esforço de transformar a música para a fazer corresponder ao contexto, mas não aceito a associação com repetição, mundos frios, ruas vazias com fachadas repetitivas, mesas de jantar enormes onde todos parecem iguais e comem o mesmo. Para mim isto não é Bach.

A minha opinião: 2/5

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Vive la rose (2009)

“Vive la rose” (2009)

cinanima2009

Cinanima2009

IMDb

enquadramento

Ando a ter uma espécie de caso amoroso com filmes stop motion, que usam imagens reais. Com marionetas também, mas é uma coisa diferente. As imagens reais em stop motion é o que mais me anda a interessar. Penso que o fascina é a sensação de lapso temporal. Ou seja, os objectos ganham uma vida própria, mexem-se sozinhos, sim. Mas mesmo que estejamos a ver objectos fotografados e não pessoas, há uma sensação de tempo que se escoa. Por isso, penso que o nos cativa tem a ver com o que não vemos. É uma boa experiência. Este filme é refrescante, em relação ao uso da técnica, e o aspecto que ganha. Tão refrescante e adorável como a paisagem que começa por enquadrar. Basicamente é um vídeoclip de uma certa canção, e não foge daquilo que um clip costuma ser. Mas há duas noções que me interessaram aqui, e provavelmente fazem o filme valer:

– uma é a forma como somos transportados do exterior para o interior. Começamos a olhar para uma enorme paisagem, e fazemos uma panorâmica até uma cabana, entramos nessa cabana, vamos até uma secretária, onde uma gaveta se abre, e chegamos até um plano aproximado dessa gaveta. É um plano bem estruturado, que provavelmente poderia ser interessante mesmo se o filme fosse acção real, mas a forma como isto é feito, com o stop motion que corta a fluidez da sequência, torna isto interessante de uma forma estranha. No final do filme, teremos uma vez mais a paisagem, já que teremos um reverso acelerado do plano inicial. Isto permite ao filme respirar, e enquadrar a sequência dentro da gaveta, assim como dar-lhe um contexto;

-a gaveta, que corresponde à maioria do filme. O que me interessa aqui é como o enquadramento que vemos coincide com os limites da gaveta e como essa moldura se divide em diferentes quadros, literalmente separados pelas separações de madeira dentro da gaveta. Por isso temos diferentes quadros, diferentes coisas que acontecem. Para realçar isto, num desses quadros temos, em vez de stop motion, animação com desenhos, inseridos na fotografia do stop motion. No outro quadro temos simples stop motion.

Duas noções de enquadramento. Uma à escala do grande filme, a outra dentro da própria moldura da gaveta. Bom. A música dá um bom ambiente ao filme, ou o contrário. É um exercício simples, e não vai para além do que vemos, mas é bom mesmo assim

A minha opinião: 3/5

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Madagascar, carnet de voyage (2008)

“Madagascar, carnet de voyage” (2009)

cinanima2009

Cinanima2009

Sítio oficial do filme

exploração

Uma crítica prévia ao IMDb. Estou a escrever sobre um filme que passou há 2 dias num festival listado pelo IMDb, e segundo o site oficial do filme até já passou noutros festivais. Do IMDb esperava-se que já estivesse listado.

Que experiência interessante. Ainda estou a lidar com este pequeno filme, dias depois de o ver. Há uma atitude descomplexada perante o meio que se trabalha, perante as técnicas de animação, e perante o próprio aspecto que se pretende atribuir ao filme que me cativa enormemente. E, como nos filmes que mais aprecio, e que considero merecerem ser vistos e revistos repetidamente, há uma coerência entre estrutura, forma, e conteúdo, que é rara e sempre louvável. Ao mesmo tempo, neste filme como, aliás, em muitos outros filmes curtos de animação, claramente as raízes criativas das mentes envolvidas estão em outras áreas que não o cinema, e isso, neste caso é uma coisa boa. Isso porque não existem por trás de filmes como este compromissos formais, nem formatações herdadas de um excesso de exposição a outras obras. Neste caso os “vícios” formais estão totalmente relacionados com os desenhos em si. Esses desenhos são a razão de ser do filme. São obra de um artista talentoso sobre a folha branca, que sabe trabalhar o contorno e a aguarela, e que soube transportar o espírito de um e de outro para a animação em filme.

Mas o que mais me interessou aqui foi uma atitude assumida provavelmente durante a viagem que deu origem a este filme, que foi transportada para os desenhos produzidos sobre ela (e para as fotos!) e que finalmente transpirou igualmente para o filme que agora comento. Todo o filme tem um carácter provisório, de improviso, e de trabalho contínuo, aberto, e ainda em progresso. Todas as sequências, assim como as relações entre elas, surgem de forma informal, quase até casualmente. Ora, é possível que um caderno de viagens, o real, em papel, tenha genuinamente esse carácter informal, porque o caderno sucede conforme os acontecimentos muitas vezes imprevisíveis de uma viagem. A viagem acontece, simplesmente, e os desenhos vão-se construindo, “simplesmente”. Mas transportar esse espírito inquisidor de viajante, e a espontaneidade resultante para um filme, que naturalmente tem meses ou até anos de preparação e execução, é algo muito complicado, e que eu apreciei aqui.

O truque para o sucesso aqui, para mim, é a plasticidade adicional que o realizador consegue atribuir aos desenhos. Aquelas subtilezas que nos permitem entrar nos contornos, e ver personagens animados nas aguarelas. E um aspecto também interessantíssimo, é o facto de por várias vezes estar acusado no filme o facto de que na verdade não estamos a ver um filme, estamos a visitar um caderno pessoal. Esse caderno é por várias vezes assumido, quando vemos as argolas laterais que seguram as folhas, ou a capa do caderno, ou páginas a virar. Vou querer rever este filme.

A minha opinião: 4/5

Klotz & Klumpen (2008)

“Klotz & Klumpen” (2008)

cinanima2009

Cinanima 2009

IMDb

tem tudo que ver com os olhos

Esta é uma das formas mais engraçadas de trabalhar o humor com animação: desenvolvimento de personagens. Neste caso, falar de desenvolvimento de personagens não tem o significado habitual que usamos em cinema. Não tem a ver com profundidade, com motivações, com ter personagens a descrever arcos de evolução. Em animação, para mim, desenvolver um personagem significa explorar as expressões, nas caras, nos movimentos corporais, permitidos pela própria forma escolhida para cada personagem. Tem a ver com a exploração das possibilidades plásticas das formas. Este filme engraçado é um exercício simples desse tipo de exploração.

Verifiquem o cenário. Uma paisagem vasta de neve, uma estrada, e uma paragem de autocarro. Tudo renderizado de forma muito simples, parece-me que foi intenção descomplicar os elementos que vemos, para que pudessemos concentrar-nos no que interessa, os personagens, Chump e Clump. Um é um paralelipípedo suavizado, o outro é simplesmente redondo. Por si só, isto já lhes dá características diferentes. Depois, a maior parte da piada está naquilo que eles fazem com os olhos. A expressão dos olhos, os capilares vermelhos causados pela ressaca, olhos que sorriem, olhos desesperados, olhos tristes, olhos chorosos. Tem piada, muita. Muito bom trabalho. Vejam-no, este filme está a milhas dos renders perfeitos dos grandes estúdios de animação de hoje (Pixar e Dreamworks). Mas estes tipos sabem o que faz os personagens serem engraçados, não precisam muito mais do que as ferramentas básicas.

A história encaixa bem naquilo que eles queriam fazer com os personagens e o cenário. Por isso é que temos cogumelos mágicos colocados para que se pudesse construir uma ficção alucinogénica com os personagens. Muito bem.

A minha opinião: 4/5

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Pigeon: Impossible (2009)

“Pigeon: Impossible” (2009)

cinanima2009

Cinanima 2009

IMDb

escala

A comédia é um género especialmente bom para se trabalhar em animação. Isso porque os conceitos de comédia de situação, os maneirismos, ou interacções irreais entre elementos (como animais ou objectos) ganham novas possibilidades.

Na mesma sessão do cinanima, vi duas comédias seguidas. Duas visões diferentes de como usar as mesmas ferramentas. Este é o menos interessante dos dois (o outro foi ‘chumps & clumps). Não é que as ideias trabalhadas aqui sejam menos interessantes do que as de chumps. Simplesmente eles não as trabalham tão bem como os tipos do chumps fazem com as opções deles. Por isso aqui temos basicamente o sucesso da comédia confiado na interacção entre o pombo e o james bond, e as coisas imprevisíveis que o pombo pode fazer porque é suficientemente pequeno para entrar na mala assassina. Interacção homem-animal, e relações de escala estranhas. É isso.

Algumas piadas são boas, mas o sentido de estilo e a precisão visual das piadas não estão assim tão desenvolvidos. Mas tem piada.

A minha opinião: 3/5

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Bave circus (2008)

“Bave circus” (2008)

cinanima2009

Cinanima

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movimentos normais

As possibilidades da animação na construção de mundos diferentes ou simplesmente diferentes relações entre elementos comuns do nosso mundo (como neste caso) são infinitas. Um dos truques mais comuns é animar elementos do nosso quotidiano e estabelecer relações especiais entre esses elementos e nós. Lembro-me de um pequeno filme onde essa relação funcionava perfeitamente, In Memoriam, porque referia-se directamente ao tema: era sobre um marionetista cujas marionetas ganhavam vida quando ele não estava a ver, e cumpriam os sonhos mais queridos do seu criador. Aqui a associação é bastante baseada no simples jogo de escala dos caracóis em relação ao rapaz, e a simulação de um circo com as possibilidades de uma simples casa na árvore. Não é um cenário imediatamente fascinante, mas penso que era possível usá-lo para o que se pretendia. Mas o cenário não é suficientemente interessante, penso que a definição do espaço não é suficientemente contrastada, e falta alguma escuridão em todas as cores. Na verdade, há uma cena interessante: um caracol, que salta alto, a câmara começa a cena a olhar para baixo e gira até que vemos o caracol na contra luz, contra um buraco na cobertura da casa. Foi um bom momento porque a luz simula as luzes da ribalta de um circo. Tirando isso, os movimentos são bastante pobres, acho que nos dias que correm podemos esperar mais das animações digitais que deliberadamente trabalham temas de movimento como as acrobacias de circo.

A minha opinião: 1/5

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve