Archive for the '1900' Category

Zigeunerdans af troubaduren (1906)

“Zigeunerdans af troubaduren” (1906)

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dispensável

Este é outro filme muito velho, de Peter Elfet, que captura pedaços de dança de bailarinos clássicos profissionais, através do então novo meio de “imagens em movimento”.

A principal coisa que havia que lidar aqui, nesta fase, era a reconversão das coreografias para serem representadas para a câmara. Isso significa que eles tinham de actuar num espaço reduzido, comparado com o palco de um teatro, e actuar para um ponto específico, em vez de toda uma sala.

Este exemplo específico não funciona, os cenários concebidos não são minimamente cinematográficos, já que reduzem o espaço (apesar das árvores pintadas tentarem aumentá-lo) e trazem um ruído à composição que reduz a importância da bailarina e dos seus movimentos, que seriam certamente a única razão de ser do filme.

Vejam “Tarantellen af ‘Napoli'” para algo melhor do mesmo criador, ou vejam as experiências de Paul Nadar com os mesmo temas se quiserem ficar impressionados com estas experiências pioneiras. Para mim, este é dispensável.

A minha opinião: 1/5

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Tarantellen af ‘Napoli’ (1903)

“Tarantellen af ‘Napoli'”  (1903)

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a outra opção

Ver estas velhas tentativas, o início do movimento por imagens, é sempre um privilégio. Estes filmes frágeis tiveram de viver 100 anos para chegar até mim por isso, independentemente do que contenham, devem ser mantidos como documentos vivos de tempos não tão filmados.

No entanto há questões fundamentais que devemos colocar ao ver estes filmes. Tínhamos aqui uma arte nos seus inícios, apesar de eu suspeitar que muitos dos pioneiros envolvidos não adivinhassem que estavam a começar mais que uma revolução técnica. Como arte, esta inovação tinha de lidar com a relação entre um criador, intermediado pela sua arte, e um observador. Nesse sentido, quais eram os temas? Hoje em dia, a maioria dos filmes parte da ideia que tem de contar uma história. Muitas das boas coisas feitas hoje lidam com a reinvenção das formas de contar essas histórias. Mas estes filmes primários e rudimentares normalmente lidavam com outra coisa: movimento visual. Literalmente, sem outras desculpas. O que tenho observado é que o cinema é uma arte inicialmente herdada e começada por pessoas que eram já artistas visuais, ou técnicos com preocupações visuais. Poetas, não romancistas. Por isso eles procuraram temas que fossem visualmente adequados à ideia de movimento. Nesse contexto, a dança era um motivo bastante usado.

Esta pequena peça é um filme desse tipo. Vi-o junto com outro do mesmo realizador, um filme de Wenders que explora o trabalho de 3 pioneiros alemães, e uma colecção de filmes do notável Paul Nadar. Todos estes filmes partilham a presença de números de dança como a chave para uma reacção visual. O incrível é que, apesar destes filmes terem bandas sonoras adicionadas, todos funcionam no total silêncio, sem a ajuda da música. Dança, ballet clássico, neste caso, funcionam no olho mais do que o fazem no ouvido. Isso é fantástico.

Neste número específico, não temos uma história para lá do contexto da própria dança, que trata a infatuação de um casal. Em vez disso temos pés, coreografia, que já não é representada para uma sala de audiência, mas para um ponto fixo, e compreendemos como isso afecta a dança. Para mim, esse é o interesse deste filme. Suponho que se é um bailarino ou alguém especialmente interessado em ballet clássico poderá encontrar aqui algum motivo de interesse em perceber o que mudou nesta área no último século. Eu vi-o pelo simples prazer de observar movimento abstracto, como uma pintura viva; este não é o melhor exemplo que vi ultimamente, mas é bastante interessante.

Estranho pensar que os “contadores de histórias” ganharam a batalha pelo estabelecimento das convenções nas mentes dos espectadores. Estranho mas compreensível. As pessoas gostam que lhes contem histórias, e o espectador comum lida mal com as abstracções quando elas os atingem como abstracções e não como abstracções disfarçadas (histórias!)

A minha opinião: 3/5

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Das Eitle Stubenmädchen (1907)

“Das Eitle Stubenmädchen” (1907)

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espelho

Mais uma aventura de Schwarzer que tenta explorar a sexualidade através de cinema. Esta tem a construção mais complexa dos 3 que vi.

Comecemos com um estúdio, o lugar de trabalho de um escultor. Temos, central nesse cenário, uma ‘estátuta’, que na verdade é uma mulher real que representa uma estátua. Isto é interessante. Depois, temos a mulher da limpeza, que chega para limpar o estúdio; ela vê a estátuta e imita-a. Já que é uma estátua de nu, ela compara o seu corpo com o da estátuta, o que significa que ela explora o seu corpo. Agora, a forma como ela o faz, é realmente erótico, e imagino que teve um impacto grande nas audiências desses dias. Primeiro, ela analisa os seios da estátua, chega a tocar num deles (!!) e mostra um dos seus próprios seios. E depois despe-se, pouco a pouco, até à nudez completa. Apesar de o seu personagem estar sozinho nesse espaço, ela acusa a presença da câmara, e faz tudo para ela. Ela fá-la de forma relativamente lenta, tendo em conta o ritmo destes filmes, e isso permito-nos ver apenas partes do seu corpo até ela terminar. O momento em que ela toca o corpo da estátua é feito com uma aparente inconsciência por parte do personagem, mas claramente tenta provocar audiências. Por isso é um nível acima em relação aos filmes que vi antes deste do mesmo realizador (Das Sandbad, Bad verboten).

Tal como em Bad verboten, o homem existe como o anti-climax, com temas morais subentendidos, e que mata o ambiente erótico. Neste caso, ele devolve as roupas à mulher para que ela se possa vestir. No entanto, ele observa o seu corpo nu…

A minha opinião: 4/5 bem estruturado

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Baden verboten (1907)

“Baden verboten” (1907)

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pureza aquática

Este é um filme interessante. Mais um produzido por uma companhia austríaca, Saturno, e dirigido por Johann Schwarzer.

Aqui temos um conjunto de elementos interessantes que aparecem várias vezes nestes pequenos filmes que a “europafilmtreasures” me anda a deixar ver:

-as mulheres são sempre puramente eróticas mas também totalmente inconscientes do efeito que causam (aparentemente). Elas são Eva antes da maçã. Isso acontece aqui, as mulheres exploram a alegria da nudez, e brincam umas com as outras. Esse é o cenário, um lago, árvores, e mulheres como parte da natureza;

-o homem é um observador designado, aqui ele interrompe o jogo que é o tema: o banho. Curiosamente, tal como acontece noutros filmes, o homem também acaba com a inocência do jogo, e dá às mulheres a consciência do que para elas era inocente; aqui isso é mostrado quando elas pegam nas suas roupas e fogem do homem que, sendo um púdico, ao mesmo tempo persegue-as;

Este filme tem um aspecto particularmente interessante: água. O cinema era ainda uma técnica primitiva, mas o trabalho fotográfico é muito bom aqui, na forma como usa os reflexos da água, e os movimentos circulares dela. O enquadramento único do filme é altamente cinematográfico, e creio que a água é o elemento chave disso.

A minha opinião: 3/5 filme interessante

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Das Sandbad (1907)

“Das Sandbad” (1907)

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vestir-despir

Claro que a demonstração ou sugestão de sexo (o que poderá ser chamado de erotismo) está no centro da criação humana desde o início. Por isso é interessante descobrir onde esse tema eterno, em constante evolução a todos os níveis, começou em cinema. Bem, obviamente, começou no início do cinema também. Por isso estes filmes que Schwarzer realizou são importantes para comprendermos a sexualidade naqueles dias e, mais importante para mim, como o tema foi explorado visualmente desde o início.

Aqui, a intenção era fazer a mulher parecer tão ‘natural’ como a areia. A cor da sua pele corresponde à cor da areia, e para sublinhar isso, o homem ‘veste-a’ com areia. Ela encara-o como algo inocente, visualmente soa harmónico, mas o homem não é inconsciente, e ele é o nosso representante no filme, como voyeurs que querem tocar (estou a falar de audiências masculinas, para quem estes filmes era certamente feitos).

Claro que o filme não tem efeito hoje, não com a evolução que as nossas noções de sexualidade tiveram nos últimos 100 anos. Mas tem sim uma importância histórica.

A minha opinião: 1/5

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve