Harvie Krumpet (2003)

“Harvie Krumpet” (2003)

Fakts

Vi este filme quando ele tinha acabado de sair. Lembro-me que me atingiu como uma coisa fresca e imaginativa. Parte desta força poder ter vindo de eu estar nessa altura numa fase diferente da minha vida em filmes. Mas agora, 7 anos depois, o filme ainda retém muita da sua frescura. Não passou assim tanto, mas o filme ainda funciona em todos os seus objectivos, de humor e visuais.

O virtuosismo com que o filme está feito é incrível em todos os aspectos, claro. Os personagens, e filmes assim têm tudo que ver com personagens, são incríveis na forma como as especificidades da plasticina são usadas para atingir todas as nuances emocionais.

A história é boa escrita, usando a sempre poderosa combinação de tragédia e comédia, algo que Chaplin entendia tão bem. Penso que choramos mais quando sentimos que não deveríamos estar a rir. Esse contraste é que é poderoso. Somos levados a extremos de comédia, permitimo-nos rir, e de repente é-nos puxado o tapete dos pés, e os escritores deixam-nos num estado de vergonha interior, que interpretamos como desconforto. Ou é simplesmente a sobreposição de pedaços de comédia a um ambiente trágico. Mas parece-me que é mais a primeira possibilidade.

Geoffrey Rush é fantástico como actor, e transporta as suas subtilezas para a narração.

Mas aquilo que provavelmente me cativou e faz o filme para mim é o enquadramento inteligente que é usado. Os “Fakts”, como aparecem soletrados no filme. Harvie passa a vida a registar pontos de vista bizarros do mundo, em pequenas frases que ele chama (ensinado pela sua mãe) de fakts. Estes pensamentos espelham aquilo que vai acontecendo na sua vida, filtrado pela mente deficiente e linda dele. A piada está na forma como cada Fakt nunca reproduz correctamente o que realmente acontece, e por isso torna-se uma espécie de comentário à própria história. Nascido dela, mas exterior a ela, um elemento separado, claramente representado pelo livro que Harvie transporta pendurado ao pescoço sempre, mesmo quando está nu. Muito bom.

A minha opinião: 4/5

Este comentário no IMDb

1 Response to “Harvie Krumpet (2003)”


  1. 1 José Pereira Novembro 28, 2011 às 4:02 pm

    Se gostaste desta curta aposto que já viste a única longa metragem de Adam Elliot, Mary and Max. Uma animação obrigatória para fãs da plasticina e não só. É algo de muito especial…


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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve