The Adventures of Tintin (2011)

“The Adventures of Tintin” (2011)

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o ponto de vista do falcão

A animação está a tomar caminhos interessantes. A tecnologia está a ser conquistada pelo pensamento criativo, e isso está a dar-nos novas formas de ver. Suponho que foi sempre assim ao longo da história.

Há várias coisas boas sobre este filme, fiquei contente com as coisas boas que vi. Primeiro, temos Spielberg de volta, o melhor dele. Há um Spielberg que tem uma vontade incontrolável de entreter, com inteligência. Isso é fantástico, o tipo que nos deu Indiana Jones, ET, Minority Report, etc. Depois há o Spielberg que quer pôr o nome no livro dos realizadores sérios. O tipo da Lista de Schindler e do desastre AI. Não gosto desse realizador. E depois temos o produtor multimilionário, que por vezes realiza o que em princípio só iria produzir. Isso é negócio, tudo bem. Este filme é fantástico na forma como revive o 1º Spielberg, aquele que cresci a adorar. Aqui está ele, sem preconceito ou falhas, brilhante na concepção visual do grande arco da acção. Agora ele está junto com Peter Jackson, que tem vindo a construir um mundo de brinquedos interessantes para a criação de mundos cinematográficos e visuais, uma coisa que ele começou a fazer com LOTR. Os dois fazem algo positivo aqui.

E por fim temos o Tintim. Conheço perfeitamente os livros. Conheço todos decor. Não tenho a personalidade para me tornar um geek sobre seja o que for, mas sei muito sobre os livros, o seu contexto, o autor, etc. Adivinho que vai haver um número grande de fãs rigorosos que vão despachar todas as mudanças feitas às histórias originais, assim como as misturas entre elementos de diferentes álbuns. Para mim não há problema, porque me parece que as mudanças foram feitas sobretudo para favorecer as ideias visuais que eles queriam completar. A partir da primeira meia hora, o filme está concebido como uma sucessão de grandes sequências de acção. Estas requeriam diferentes cenários. Por isso eles incluíram as sequências do Karabudjan, que nos levam para o mar, e depois para o deserto, e finalmente para a cidade marroquina. Aí temos a sequência menos credível do filme em termos dos acontecimentos físicos em si, mas também aquela em que as possibilidades do olho virtual são levadas mais ao limite neste filme: temos uma sequência extendida de perseguição, que usa vários meios de transporte, e atravessa vários cenários. O personagem a quem perseguem é um falcão, que está obviamente livre em termos de movimento. Espaço vertical, múltiplos pontos de vista (ele nao está preso ao solo), e são esses os elementos que fazem a sequência, em que a câmara e a edição escolher mudar de ritmo e de pontos de vista, e onde a concepção espacial do lugar o revela a nós. Pessoalmente gostava de ter tido mais do ponto de vista do falcão, mas fiquei satisfeito. Essa e as outras sequências de acção são o motivo pelo qual este filme foi construído.

A primeira meia hora do filme até parece de outro universo fílmico. É uma sequência noir tensa, de pistas e alusões, sombras e mistério. Na verdade até é muito mais perto do que o personagem Tintim é, em termos do seu núcleo dramático. Ele é um personagem de aventuras, mas dificilmente um personagem de acção. Vou recordar essa primeira meia hora como aquilo que o filme deveria ter sido, se não houvesse todo um mundo de oportunidades visuais para a animação segundo a WETA.

A necessidade do 3D, para lá do seu apelo comercial (discutível) ultrapassa-me. Gostava de rever este filme em 2D, apenas para confirmar que o 3D não traz nada novo. E isso é pena.

Claro que há ainda a possibilidade de argumentarmos sobre se a representação plana dos desenhos de Tintim na banda desenhada está bem transportada para o ecran. Eu por acaso penso que sim, já que a dinâmica dos desenhos está mantida com competência, mesmo com o uso de diferentes personalidades visuais. Os velhos desenhos animados de Tintim que tentaram a transição para a televisão resultam bem pior, embora tentem ser exactamente os livros.

Os créditos iniciais são incríveis por direito próprio, estilo Pantera Cor-de-rosa.

A minha opinião: 4/5 boas notícias, temos um novo realizador chamado Spielberg.

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve