Monsieur Verdoux (1947)

“Monsieur Verdoux” (1947)

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ver e adivinhar

Há 2 filmes óbvios que podemos ver e imaginar aqui.

A história a famosa: Orson Welles propôs a ideia a Chaplin, e queria dirigi-lo num filme que não seria uma comédia. As coisas correram mal, Chaplin não quis ser realizado por Welles, comprou-lhe a ideia, e transformou-a numa comédia.

Aquilo que hoje temos é um mau filme. Chaplin nunca se adaptou realmente ao sonoro. O melhor filme dele é já do tempo dos filmes falados, mas o filme era silencioso. Depois ele fez o Grande Ditador que é um bom filme, mas se colocado no seu contexto, pela coragem e a forma como nos conta hoje como estava o mundo moldado naquela altura. Depois deste Verdoux temos 2 filmes interessantes pela auto-referência, não porque são bons. E este é apenas mau. Conseguimos sentir quando Chaplin está a falar dele próprio. O tipo que trabalha num banco durante uma vida, apenas para ser substituído pelos ventos de mudança, forçado a usar o seu “génio” de outras formas. Chaplin nunca levou a bem que o seu brilho fosse substituído pelo de novos talentos brilhantes (como o do próprio Welles). Aqui já não temos o charlot, as piadas já não funcionam, e suponho que já não funcionavam naquela altura. O ritmo frenético dos melhores filmes silenciosos de Chaplin desaparece, ele não controla o ritmo da palavra, a excitação dos diálogos. Para mim, ele nunca foi um grande realizador, excepto por alguns momentos transcendentes (Luzes da Cidade sendo o mais brilhante de todos), mas ele sempre foi um incrível actor, com uma sensibilidade humanista no centro. Mas aqui, nem o momento moralista final funciona.

Mas há algo realmente fascinante que podemos fazer. Podemos e devemos imaginar que filme veríamos hoje se Welles o tivesse realizado. A esta altura ele estava a desenvolver algumas das suas ideias mais poderosas. Narrativa e Espaço, apoiados por Enquadramento e Edição. Tudo conduzido por uma visão unificadora. Era nisso que ele estava a trabalhar. O que teria ele feito aqui? Como é que lidaria com os diferentes níveis das diferentes amantes de Verdoux? Será que mudaria a personalidade da câmara? Quebrar a linearidade dos episódios? Enquadrar cada um de uma forma diferente? Como é que ele equilibraria os diálogos com a actuação física de Chaplin? Qual seria o centro deste projecto?

Se Chaplin e Welles conseguiriam trabalhar juntos, nunca saberemos embora eu pense que não. Mas vale a pena imaginar. Aqui podemos ver um filme que nunca existiu, isso é o fascinante. Aquele que podemos ver não vale a pena. Por isso, aqui temos um sempre interessante caso de um filme que não é bom mas que vale a pena ver.

A minha opinião: 2/5

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve