The American (2010)

“The American” (2010)

IMDb

pela culatra

A melhor maneira de apreciar este filme é estando consciente das suas referências, conhecer decor os terrenos onde ele pisa, e simplesmente deixarmo-nos ficar aí. Tomá-lo pelo que ele é, ir aos sítios onde ele nos leva.

O filme rodeia uma ideia a esta altura relativamente explorada: fazer um filme de género totalmente esvaziado do seu próprio género. Um filme que seja o seu próprio oposto. A aproximação irónica a uma ideia, tocando-a, acariciando-a, fazendo uma homenagem a ela, enquanto a inverte totalmente.

O mestre absoluto desta noção foi Leone. É aí que estamos, no edifício sólido de ironia auto-referencial que ele construiu para nós. No meu livro, Luc Besson também tem um lugar importante nesse canto. Corbijn seguramente perseguia Leone aqui, tão claramente que faz a alusão directa a um filme dele, ao passar um excerto.

Assim a ideia geral é a de um anti-filme. Um filme de acção potencial, com um personagem de acção potencial que, no entanto, passa o tempo literalmente a fugir da acção, literalmente a tentar sair do filme onde todos os outros personagens o procuram enquadrar. É essa a última reviravolta, a piada definitiva com o espectador. Podemos rir com a piada. E ter George Clooney aqui a protagonizar o filme é uma dupla piada. Ele construiu uma carreira ao redor de um tipo cool mas engraçado, engraçado mas profundo. Ele pisca o olho permanentemente à audiência, criando uma espécie de segundo nível de actuação, no qual vemos o personagem e vemos o tipo. Aqui ele desiste disso. Ele deliberadamente joga o jogo do filme, contorna a sua própria pessoa pública e provavelmente dá-nos o seu papel mais importante em filme.

*spoilers* A história inclui um símbolo muito subtil mas poderoso das suas concepções fundamentais. O personagem de Clooney tem de construir uma arma, personalizada para um determinado trabalho incerto. Vemo-lo ao longo do filme a fazê-la, a calibrá-la, fazendo-a de acordo com os desejos da pessoa que será responsável por usá-la. Vemos o fora de campo do que normalmente aparece. No vocabulário fílmico, as armas são normalmente irrelevantes em si, um mcguffin no máximo, normalmente um adereço. Aqui vemos cada fase da sua concepção e construção, e testes. Uma vez mais, Corbijn constrói algo dentro do género, a promessa de um trabalho de assassino, apenas para nos puxar o tapete no fim, quando o tiro deliberadamente sai pela culatra. O que é normalmente irrelevante (a construção da arma) é trazido para o centro da narrativa, quase acidentalmente. Isto é grande escrita, e grande cinema. Pergunto-me porque é que Corbijn só começou a realizar há tão poucos anos.

Itália é outra pequena ironia. Leone o italiano ia a Espanha para filmar as suas histórias supostamente localizadas na América. Corbijn vai para Itália para filmar os filmes referenciados a Leone que Leone nunca filmou ali.

A minha opinião: 4/5

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve