The Last Picture Show (1971)

“The Last Picture Show” (1971)

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o teórico, o amante, o realizador

Em alguns aspectos fundamentais, os anos 60 no cinema foram franceses. Não importa que agora, 40 anos depois, vejamos tantas coisas fora de sítio, ambições tão grandes materializadas em coisas práticas tão pequenas. O que importa é que a geração de teóricos feitos realizadores fez passar os seus pontos de vista. E o mundo seguiu-os. Hollywood passou essa década a reciclar os seus modelos já gastos, e em 1970 estavam à rasca. A nova geração abraçou os franceses.

Bogdanovich também é antes de mais um teórico. Ele pensou o cinema do ponto de vista de um espectador, não de um tipo prático, antes de entrar. Por isso, naturalmente, entre a geração de jovens realizadores americanos de então, ele era um dos mais predispostos a transplantar o “método francês” sem alterações. Aquele tipo de escrita deliberadamente vazia, personagens como parte de um estilo, imagens como suporte de um certo tipo de ambiente tranquilo e desesperado, e apenas indirectamente suporte de uma história.

Sobreponham isso a uma certa ideia do fim de um modo de vida rural e puritano, que a América atravessava a esta altura. Isto é algo que podemos sentir hoje, mas provavelmente só dirá algo a quem conheceu o contexto.

Junte-se a isso a paixão sexual que Bogdanovich mostra pela sua então amante, Cybil Sheperd. Ele despe-a no ecran, põe personagens masculinos a lutarem por ela. Mas por trás disso, sabemos que é ele quem a acaricia. A relação deles na vida real afectou profundamente a forma como o filme e o personagem dela nos são apresentados.

O problema aqui é que Bogdanovich é alguém que sabe muito sobre o que está a fazer, mas parece incapaz de dominar o que faz bem. Ele realmente cativou a equipa, as actuações são profundamente comprometidas como é raro vermos. Mas o resultado final não leva a lado nenhum. Não estou a dizer isto no sentido tradicional de uma história que não tem uma conclusão clássica ou um climax claro. Quero dizer que o filme deve ser “como” outros filmes, em vez de ter uma vida própria, mesmo que ligada aos seus predecessores. Não é fácil ter sucesso num filme destes, e parece-me que Bogdanovich esteve realmente perto de conseguir. Mas não conseguiu. Pelo menos não no longo curso, não 40 anos depois do filme ser feito.

A minha opinião: 3/5

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve