Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2 (2011)

“Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2” (2011)

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ir, derivar, chegar

Esta foi uma série interessante de seguir. Não partilho a excitação que trouxe fãs incondicionais dos livros a estes filmes nos últimos 10 anos. Nunca li nenhum livro completo, embora tenha tido contacto directo e próximo com alguns fãs loucos da série, por isso conheço as motivações deles. A discussão entre essas pessoas mexe-se à volta de como cada filme foi ou não capaz de chegar a todos os temas do livro, e produzir as imagens que os livros sugerem a cada leitor. Ou se aceitável ter deixado de fora certos elementos da história que um film Sempre tem de deixar. Nunca me interessaram esses argumentos, porque os filmes criam um universo próprio, relativamente aproximado ao dos livros, e por vezes até coincidente com eles, mas ainda assim autónomo. Por isso num certo sentido, os livros estão para os filmes como Hogwarts está para o mundo real dos filmes. Enraizado, mas não nele.

O que continuou a trazer-me para o franchise foi a ideia relativamente interessante de ver como estes filmes conseguiriam seguir uma história que dura 7 anos, usando os mesmos actores (adolescentes) que cresceriam com os seus personagens. A ideia mais interessante era esta: os filmes crescem como os personagens neles, como os actores que representam esses personagens E como o público alvo cresce com eles. Vemos os filmes amadurecerem em conteúdo, vemos os actores a ficarem mais velhos, vemos a textura do mundo cinematográfico mudar diante dos nossos olhos. Esse era um caminho interessante, sobreposto à minha própria evolução como espectador nos últimos 8 anos (quando comecei a ver os filmes). Este não foi um percursos linear e sem obstáculos. Os donos da série fizeram asneira pelo caminho, mas a verdade é que estavam a tentar fazer algo que não tinha sido feito ainda nestes termos, por isso temos de dar um desconto.

Por isso eles escolheram Columbus para os primeiros 2, um mestre dos filmes infantis, alguém cuja mente funciona especificamente para compreender as cabeças das crianças, visualmente e narrativamente. Os seus 2 filmes tinham um tema, visual, cinematográfico. Depois o terceiro, provavelmente o melhor filme, adicionou-lhe noções de tempo e espaço como um, e para esse chamaram um mestre nesse reino, Cuarón, o melhor realizador a trabalhar nesta série. Azkaban foi um filme amadurecido, evoluiu como um adolescente faria, e adicionou alguma profundidade cinematográfica ao mundo sedutor mas plano dos primeiros dois. Cuarón deu-nos o melhor Hogwarts e o melhor uso cinematográfico da história. A mudança dramática veio depois. O quarto e quinto filmes foram desastres absolutos, sofrendo dos mesmos erros de qualquer mau filme de adolescentes, ao pretender ser especial e apelar ao carácter único de cada pessoa enquanto é em si uma cópia aborrecida de milhões de outros filmes. Isto foi mau, tive pena que Yates não fosse capaz de seguir as pistas dos primeiros 3, ele quebrou uma corrente. Mas redimiu-se no 6º filme, e fez isso ao enraizar outra vez a série no espaço. Hogwarts outra vez, mas com uma nova visão. Esse foi um filme fascinante que, junto com Azkaban, deu-nos duas grandes visões de espaço cinematográfico. Depois disso, a história requeria que o filme seguinte fosse descontextualizado em termos de espaço e assim foi. Falei sobre isso noutro local. Foi uma jogada interessante, embora não especialmente poderosa no final.

E chegamos a este filme. Como esperado, este seria uma simples conclusão. Tinha de ser grande, ter fogo de artifício, cenas impressionantes, mortes dramáticas, sofrimento, dor, redenção. E tinha uma batalha, central no filme, na qual todas as forças colidem, todas as tensões são soltas, todos os esquemas terminam. Está modelado segundo o terceiro senhor dos anéis, e não traz muito para a mesa, uma simples conclusão, certamente requerida, mas não especialmente interessante.

Uma coisa é interessante no entanto. Temos um conjunto de pontas soltas que são atadas no filme. O irmão de Dumbledore, o passado de Snape, a “semi-morte” de Harry. A forma como cada um desses nós é atado à narrativa maior usa truques cinematográficos interessantes. Dumbledore, cuja imagem é reflectida num pedaço de espelho que Harry transporta com ele. Snape, através do pensatorium, que basicamente cria um filme dentro da cabeça de Harry. E a morte de Harry, apesar de ser uma trapalhada na forma como trataram do cenário, insere dois personagens (um deles já morto) numa terceira abstracção, sobre a abstracção que é Hogwarts e o mundo mágico, em relação ao mundo “real” não mágico do filme, em relação ao nosso mundo real como espectadores. Tenho pena que o filme tenha tido de gastar tanto tempo em batalhas e magnificiência para se permitir explorar estes truques.

Não diria que é essencial ou perto disso, mas não faria mal gastar tempo com estes filmes e vê-los como um no seu contexto.

A minha opinião: 3/5 (por este filme)

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve