A Life Less Ordinary (1997)

“A Life Less Ordinary” (1997)

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expectativas

Este não é um bom filme. É divertido de acordo com um conjunto de aspectos que podemos recolher em muitos outros filmes. Os valores convencionais de comédia construídos ao redor de uma história romântica. Escapismo numa forma reconhecível por qualquer pessoa vagamente familiarizada com Hollywood.

Mas temos um pouco mais que isso aqui. Este filme é parte de uma trilogia de filmes onde entra uma trilogia de artistas interessantes: Boyle/Hodge/McGregor. Este conjunto de filmes foi importante para estabelecer a base de 2 carreiras interessantes e importantes (Hodge, entretanto, parece ter-se desviado das coisas interessantes, vamos esperar que regresse). O que eles fizeram foi o que poderemos chamar de experimentalismo, ou mesmo de experiências teóricas vertidas para um produto prático final. Dos 3 filmes, este é provavelmente o menos interessante. Não é especialmente apelativo, ou interessante como experiência. O objectivo era pegar num género específico, a comédia romântica, e manipulá-lo até termos uma nova perspectiva dele. O resultado fica bastante aquém do que, por exemplo, os Coen fizeram com Intolerable Cruelty.

Ainda assim, McGregor tornar-se-ia um actor poderoso, um dos melhores, e Boyle vale sempre a pena independentemente do que faça, e ele já fez coisas muito impressionantes desde então. Por isso este filme torna-se uma espécie de artefacto histórico se querem fazer arqueologia das carreiras destas pessoas.

O que aprendemos aqui é que desde o início que Boyle confia na sua intuição, e essa veia prevalece sobre a forma como ele racionaliza os seus conceitos. Essas intuições podem ser realmente poderosas ou resultar em nada (como aqui), mas ele está sempre disposto a correr o risco, e aprecio-o por isso, vou querer ver o que quer que seja que ele tenha para mostrar. E aprendemos que McGregor, já nesta altura, era um actor auto-consciente. Ele sabe que está a actuar, por isso a questão não é tanto a de parecer “real” (como uma quantidade obscena de actores sempre tentam parecer), mas sim entregar a actuação enquanto a reconhecem como tal. Esse provavelmente é o tema mais importante desta arte, no último século. No que toca a actuação para cinema, Ewan McGregor é uma espécie de estado da arte.

Mas este filme, a não ser que o coloquem na perspectiva do futuro dos seus criadores, é basicamente inútil.

A minha opinião: 2/5

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve