La tumba de los muertos vivientes (1983)

“La tumba de los muertos vivientes” (1983)

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lawrence com minhocas

A premissa base para qualquer filme trash é que, antes de mais, ele foi feito para… ser feito. A paixão por fazer um filme é o que conduz estes cineastas. E a história pode perfeitamente terminar aí. O filme pode recompensar na bilheteira ou no gosto do público, ou pode até tornar-se uma peça interessante de cinema. Mas sob a sua camada superficial, há sempre uma profunda paixão pelo fazer o filme. O que mais poderia levar estes realizadores e respectivas equipas a fazer estas bizarrices a não ser pelo gozo de as fazer?

Franco, d’Amato, Ossorio, trabalham assim. É porreiro juntar uma equipa para filmar, por isso é o que eles fazem. Com Franco temos provavelmente o processo mais louco. Os filmes são baratos, a fotografia rasca segundo qualquer padrão ou época, e a história é absurda e falha quase todas as regras convencionais de narrativa visual, por vezes até o Kulheshov é destroçado! Por isso se levarmos os valores convencionais que aprendemos seja com Hollywood, a nova vaga francesa, ou o neo-realismo italiano, mesmo os de jarman ou méliès, vamos sentir-nos enganados. Não é assim que é suposto vermos filmes. Mas se olharmos para os filmes como afirmações pessoais de alguém que queria pegar numa câmara, aí poderemos usar o filme como um veículo para chegar ao tipo por trás dele. Franco é capaz de o fazer. Se o virmos falar, ele deriva tanto e pragueja tanto no discurso como nos filmes. Por isso não estamos a ver uma história qualquer contada por um tipo qualquer. Estamos a ver uma espécie de meta-autoretrato do tipo. Vale a pena tentar não?

Dito isto, esta versão específica das obsessões de Franco é bastante aborrecida, mesmo pelos padrões dele. Nova fase, início dos anos 80, suponho que os interesses dele já se tinham afastado de representações tão gráficas (acho que este é o filme mais recente dele que já vi!). Duas coisas que vale a pena notar:

-a forma como ele filma os poucos planos onde a amante dele aparece. Num deles ela aparece de cuecas, sentada no chão de areia, enquanto fuma um cigarro e provoca dois durões, mesmo antes de ser brutalizada pelo macho alemão que a leva para uma tenda. Um pouco depois, cortamos para o interior da tenda, e ela surge de barriga para baixo, fazendo um esforço para realçar o rabo. Há suficiente paixão nestas cenas para empurrar um pouco a linha da mulher-objecto que todas as mulheres normalmente são nos filmes dele. isso é bom;

-há um realizador na história, um tipo que passa pouco tempo no ecran, suponho que Franco não sabia exactamente o que fazer com o personagem. Ele tenta (até ser morto) fazer o filme da expedição. fazer um filme onde alguém está a fazer um filme é sempre uma coisa boa (e muito anos 70);

a minha opinião: 1/5

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve