Marquis de Sade: Justine (1969)

“Marquis de Sade: Justine” (1969)

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frigidez espacial

Acreditem ou não, escolhi ver este filme depois de ver a Árvore da Vida de Malick. E fi-lo não porque queria algo totalmente diferente, mas porque procurava algum tipo de abordagem semelhante ao cinema. Não confundam. O filme de Malick mudou a minha vida, e este é apenas lixo total e deliberado. Mas aqui como no outro, temos realizadores que filmam o que querem, fora de convenções. Ambos confiam fortemente na intuição, no caso de Malick suportada por uma pesada bagagem de estudo e reflexão, e no caso de Franco apenas pelo puro prazer de filmar, ou melhor, de filmar como atitude de vida.

Os filmes lixo são fantásticos, porque por momentos saímos das convenções habituais. O sexo é um dado adquirido na maioria destes filmes, chamam-lhes exploitation, porque supostamente estamos a “explorar” corpos, e o sexo como voyeurs. Poderia argumentar que não sei em que medida isso difere da maioria do nosso mainstream hoje em dia e desde há algum tempo, mas isso é uma conversa diferente. Em todo o caso, a garantia que temos é que dentro dos constrangimentos da produção, veremos o que um tipo ou um número reduzido de pessoas realmente queriam fazer. Isso é reconfortante.

Aqui temos provavelmente o maior orçamento de sempre de um filme de Franco, e por isso provavelmente aquele em que ele esteve mais constrangido, pelo menos em termos de casting. O resultado não é tão visceral, não tão loucamente alucinante como alguns pedaços de outros filmes conseguem ser, mas tem alguns aspectos que recompensam:

-cinema auto-reflexivo: o personagem de Kinski escreve a história das duas irmãs à medida que avançamos. Por isso temos um realizador que faz um filme sobre um escritor (aprisionado) que inventa 2 narrativas paralelas sobre 2 irmãs sem esperança, que espelham 2 atitudes distintas: uma é maliciosa, a outra aprende a retirar prazer das humilhações. Justine é aquela que seguiremos;

-no seu caminho pela humilhação, intriga, e todos os tipos de cobiça sexual por todos os tipos de pessoas, Justine vai passando por um conjunto de cenários. Alguns são perfeitamente olvidáveis, meras árvores em bosques filmados de forma incompetente. Alguns são apenas ordinários, alguns são lugares bem escolhidos de Barcelona (a praça S.Felipe Neri é o mais sedutor desses), e alguns são Gaudí. Isto é interessante, porque os cinematógrafos, talvez o próprio Franco, tiveram interesse nestes cenários. Em termos gerais, a fotografia neste filme é bastante boa comparando com o que podemos ver neste género. Nos locais Gaudí, há a intenção de filmar espaço (veja-se o uso denunciado das grandes angulares em alguns sítios, até ao ponto de distorcer a forma e o foco dos limites da imagem) e, nas cenas do parque, filmar o percursos arquitectónico ao longo dos arcos. Sexo e espaço, essa é uma ideia engraçada e compensadora. Mas Romina Power não faz ideia do que se pede dela, e tudo acaba por se tornar um passeio no parque, em última análise desinteressante na sua maior promessa.

A minha opinião: 2/5

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1 Response to “Marquis de Sade: Justine (1969)”


  1. 1 سيو Outubro 27, 2015 às 1:14 am

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve