Badlands (1973)

“Badlands” (1973)

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Se não sabemos nada sobre este filme antes de o vermos, ou se não vimos nenhum dos filmes que Malick fez depois deste, parece-me que ainda assim veremos bom cinema aqui. O filme é sólido dentro de qualquer medida que consideremos para este tipo de filme. Um tipo de anti-filme, uma expressão de ambiente em vez de história, contemplação em vez de reflexão. Os anos 70, no crepúsculo dos 60, eram ideais para isto. Isto não tem tanto a ver com mudar o mundo, como tem a ver com contemplá-lo, estar nele, ou deliberadamente por fora dele, enquanto o reconhecemos, como fazem os personagens deste filme. Por isso é que nos anos 70 tivemos os Antonionis mais profundamente introspectivos, tivemos a criação de ambientes mesmo no material underground de Monte Hellman, no seu Cockfighter. E a esta altura, tínhamos o desconhecido Malick, cujo passado é um de filosofia e não de cinema. Ele é um pensador, mais que um realizador.

No entanto, nas suas poucas iterações em cinema, ele deu-nos algumas das experiências visuais mais profundas de sempre. Aqui, ele fica-se pela fórmula do ambiente, suponho que por ser o seu primeiro filme e ele não conseguir ou não arriscar esticar as oportunidades sem se sentir seguro de conseguir dominá-las. Por isso o que ele nos dá é um filme numa forma reconhecível, enquanto lhe coloca o espírito daquilo que ele dominaria, em anos posteriores. Este género está totalmente inscrito no espírito de cinéfilos de todo o mundo, é um clássico no filme americano. Mas as intenções de Malick estão noutro sítio. Ele não é um Coen, nunca o quis ser. Ele não quer pegar num género e subvertê-lo tanto quanto consiga até descontextualizar todo o filme. Por isso é que ele escolheu esta história, sobre 2 personagens totalmente largados no nada, que vão gradualmente matando todas as suas ligações ao mundo reconhecível. A loucura latente justifica o que Malick faz. E o que ele faz são pedaços interligados, fragmentos de motivos incontáveis. Narrativas paralelas que não têm sentido na narrativa principal (se é que há uma) a não ser pelo facto de estarem lá.

Um dos melhores elogios que posso fazer a um filme e um realizador é que ele seja capaz de nos colocar num possível mundo mais ou menos alternativo. É esse o objectivo principal dos filmes. Malick empurra esse limite um pouco mais. Nunca estamos no filme, mas flutuamos ao redor dele, inseguros acerca do onde ou quando estamos, ou mais importante, o que somos enquanto espectadores, qual é o nosso lugar na narrativa.

Este filme é bastante cru, percebemos as intenções (agora que vimos já o que ele construiu depois deste) e há pedaços do filme em que atingimos esse estado de maravilha indeterminada. Mas este filme é apenas um esboço. O homem só estava a começar! Novo Mundo e Barreira Invisível são aqueles onde ele chegou mais alto. E suspeito que a Árvore da Vida poderá ser um passo tão grande como esses 2.

Sissy Spacek, que mulher em filme, que olhar, que inocência auto-consciente. Que fantástica Lolita ela poderia ter sido, se tivesse representado o papel.

A minha opinião: 4/5

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve