Les aventures extraordinaires d’Adèle Blanc-Sec (2010)

“Les aventures extraordinaires d’Adèle Blanc-Sec” (2010)

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mergulhar na piscina

No mesmo festival, pude ver os 2 filmes mais recentes de 2 dos meus realizadores franceses favoritos actuais. Jeunet e Besson estimularam a minha imaginação, e por isso os meus sonhos, com o trabalho anterior deles. Agora, com o seu trabalho mais recente, eles tiraram os 2 umas férias. Ambos os filmes são relativamente inúteis, comparando com aquilo que eles já fizeram. Mas no Micmacs de Jeunet, ainda temos muitos dos elementos que superficialmente construíram o estilo dele, e que nos fizeram em parte apaixonarmo-nos pelo seu trabalho em primeiro lugar: a fotografia filtrada, o uso das cores, o uso insuperável do espaço, a estranheza do mundo. Tinha falhas e em última análise é inútil, até moralista, mas o seu exagero compensava a falta de um conteúdo real.

Aqui não. Tenho medo que tenhamos perdido Besson como um realizador sério. Digo mais, parece-me que os efeitos especiais contaminaram a sua forma em tempos puramente visual de conceber os planos, que construíam um ambiente, normalmente para suportar uma forma poética de ver o mundo, e as obsessões pessoais de Besson. Tivemos isso desde cedo, desde Dernier Combat, até aquela carta de amor ao oceano que é Atlantis. Léon está lá em cima na minha lista, por vários motivos. Em anos recentes ele tem trabalhado com animação, na série Arthur. Provei o primeiro, e não gostei, porque as animações são, como muito, banais segundo os padrões de hoje, e porque a fluidez que nasce da narrativa, e se prolonga com a câmara até nós, espectadores, essa fluidez que sempre foi a maior força dos filmes de Besson, desapareceu. Não há rasto do homem que em tempos foi mergulhador, e que levou as sua visão de mergulhador para o mundo dos filmes.

Este Adèle é algo que vem depois de Arthur (ou no meio). Como enredo, como história, dá a Besson o mesmo tipo de possibilidades visuais que, por exemplo, o Quinto Elemento. Muitos cenários, muitos sítios, cenas de acção. Tudo pretextos para fazer a imagem oscilar e levar-nos com ela. Parece haver uma obsessão fora do filme pela actriz principal, e esse é o elemento mais valioso do filme. Vemo-la ser repetidamente acariciada pela câmara, que a eleva, a torna poderosa, faz-nos adorá-la um pouco. Essa é a parte boa. Mas os dinossauros, as múmias, tudo isso escapa ao controlo de Besson, tudo isso é o trabalho dos especialistas do computador, e para já pelo menos, parece claro que Besson não consegue manipular a animação como consegue manipular os movimentos reais das câmaras, como já provou por mais de 2 vezes. Mas ele parece interessado em explorar isto, para lá do seu papel de produtor. Se ele conseguir controlar estas ferramentas, poderemos ter algo memorável. Se não conseguir, então perdemos um realizador inteligente. É ele a jogar.

A minha opinião: 2/5

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve