Exodus (2007)

“Exodus” (2007)

IMDb

filhos de orwell

Outro mundo derivado de Orwell. Este tipo de filme irrita-me um pouco. Estou sempre fascinado pelas possibilidades visuais puras da invenção de um mundo, em que podemos fazer praticamente tudo. Podemos recriar a tecnologia, podemos inventar a roupa das pessoas, como se mexem, como pensam. Podemos estruturar todo um contexto social. Há melhor que isso? Orwell projectou uma visão e recriou-a para audiências modernas, mas esta é uma longa tradição há muito enraizada na tradição anglo-saxónica, eventualmente começada com Moore. O problema é que, para estes mundos funcionarem, e para fazer uma audiência, ou leitor, entrar neles, eles têm de ser um espelho claro do nosso próprio mundo, traduzido em simplificações de temáticas morais. Por outras palavras, temos de exagerar as noções de bem e mal, desenhar uma linha clara, e colocar as pessoas desse mundo dum lado ou do outro. Este tem um personagem que cruza literalmente de um lado para o outro.

Aqui os escritores, tentando chegar a uma audiência televisiva, pescaram a história na Bíblia. O Êxodo é um livro riquíssimo, cheio de significações, mas aqui eles desperdiçam a carne e ficam apenas com os ossos. É uma simples actualização dos eventos da história. Tudo bem, tendo em conta o tipo de marketing que suponho q este filme deveria ter. Mas não é suficientemente bom para ser interessante. E assume como trivial um texto que é rico, e é sempre uma perda para todos nós quando alguém simplifica elementos de qualidades transcendentes.

O problema é a quantidade massiva de moralizações feitas aqui. Por isso temos os maus “nativos” oprimindo os pobres “imigrantes”. Ah, mas os imigrantes também não são inocentes, e até o profeta da paz acaba por sucumbir à violência contra a qual ele sempre se levantou. Isto é demais para mim, suponho que há uma audiência que vai tolerá-lo e até aplaudir, mas não sou eu. O último (muito) bom filme que tentou a criação de um mundo negro, à Orwell, foi Children of Men. Funcionou para mim porque, entre muitas outras qualidades, colocava um tema existencial muito mais interessante no centro da narrativa, um que excede a mera questão “bom-mau”. Este Exodus até tem uma das actrizes do outro filme, a que fazia de mulher grávida, a imigrante que de repente era a luz para todos seguirem, num papel metafórico muito bem escrito. Aqui ela representa um papel semelhante, a mulher que intermedeia 2 mundos antagónicos, mas sem o interesse que tinha Children of Men.

Admito. O mundo é credível, os bairros de lata estão bem conseguidos com (creio) recursos não muito vastos. Há uma gestão inteligente de cenários e uma ilusão de espaço. Não é a Cidade de Deus nem Slumdog, mas funciona. A escultura humanóide também é uma boa peça.

A minha opinião: 2/5

Este comentário no IMDb

0 Responses to “Exodus (2007)”



  1. Deixe um Comentário

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s




Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve