The King’s Speech (2010)

“The King’s Speech” (2010)

IMDb

a voz contra a parede

Este filme é mais ou menos o que eu esperava, para bem e para mal, e na verdade isso não é um muito bom elogio. Quando vou a um filme, vou sempre de mente aberta, esperando ser surpreendido.

Isto é um filme para e sobre actores, da raíz até às folhas. O enredo principal é sobre um homem pouco importante que tem de aprender a actuar, para poder ser convincente diante de uma audiência, e para disfarçar a sua condição de gago. O truque que usar é uma coisa comum em drama: a busca pessoal de um homem para ultrapassar a sua debilidade é sobreposta às aspirações colectivas de um grupo, neste caso uma nação à beira de uma guerra. Por isso, ao focarmos no drama pessoal de um grupo de pessoas: o futuro rei, o seu irmão gago, a mulher dele, e o terapeuta de voz; enquanto nos são dadas pequenas visões daquilo que se passa no mundo, o conflito iminente entre a Inglaterra e a Alemanha; temos a sensação de que o que vai acontecer ao mundo depende da capacidade do rei falar claramente ao seu povo ou não. É um truque que normalmente se usa em épicos ou filmes de guerra. Neste caso não me parece que o “discurso” seja um álibi suficientemente forte para credibilizar toda a história, mas suponho que funciona como truque dramático.

Dentro desse drama, o ponto principal é a relação entre o terapeuta de voz e o rei. Por isso, aqui temos um filme sobre amizade, em si um género totalmente diferente que já vimos várias vezes. Isto é interessante aqui, porque os actores são competentes e o guião ajuda. Colin Firth faz bem as coisas, ele tornou-se um bom actor, que sabe como se integrar na textura do filme e ser uma parte dela. Mas Geoffrey Rush é alguém que vale a pena ver, independentemente do que faça. Ele é um actor impressionante, e os seus níveis múltiplos de actuação aqui valem a pena ver: ele representa um terapeuta de voz muito bom, que esconde o seu lado de actor frustrado, permanentemente rejeitado em castings para teatro. Ele consegue corrigir o discurso dos outros mas é incapaz de fazer o seu discurso de forma convincente. Ele transporta a sua actuação não conseguida para o rei, e projecta a sua frustração como actor incapaz de convencer para o sucesso do rei quando ele convincentemente incita a sua nação à resistência. O rádio é o meio escolhido, e é perfeito para este enredo porque a sua magia reside unicamente nas palavras, e na forma como elas são ditas.

Há um cenário interessante que vale a pena mencionar: o escritório de Rush. O ambiente é curioso, a velha mobília, tecnologia daqueles dias, o gira discos, o microfone, etc. Mas o que está realmente interessante é a textura da parede por trás do sofá do paciente. Todos aqueles pontos multicoloridos, colocados no último plano de uma face que tenta ultrapassar uma dificuldade. A parede tem grande poder visual, e suporta bem o drama. Apreciei.

A minha opinião: 3/5

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve