In Bruges (2008)

“In Bruges” (2008)

IMDb

Bosch, anões

*** spoilers ***

Há quase dois anos, vi e comentei um filme belga, chamado Moscovo, Bélgica (Aanrijding in Moscou). Apareceu-me do nada, num festival de cinema, e agradou-me imenso no diferente que era como experiência cinematográfica. De algum modo, era um filme afastado das convenções, relativamente afastado das regras do género onde se inscreve, pelo menos segundo as regras de Hollywood. Mas tinha o apelo das audiências, e se fosse falado em inglês ou espanhol, teria certamente tido um impacto diferente. Despretensioso, foi o título que dei ao meu comentário. Agora vejo este filme e ele produz-me um efeito semelhante. E tem lugar na Bélgica também. E porque este é falado em inglês, e tem algumas caras bem conhecidas, cai nesse canto agradável que eu penso que poderia ter pertencido também a Moscovo. Pergunto-me se a Bélgica, como lugar, tem alguma coisa a ver com isso.

Este é, no entanto, um filme bastante diferente. Tem uma escrita muito forte e condensada, tão controlada como o ambiente em que o filme se desenrola. Tudo tem lugar dentro desse contexto, e a primeira coisa realmente interessante aqui é a forma como, com uma (importante) excepção, todos os pontos importantes do enredo que acontecem ao longo da história são relacionados com os lugares da cidade a que tínhamos sido introduzidos antes, quando os assassinos eram apenas simples turistas. A torre, o hotel, o cenário onde estão a filmar. Entramos na cidade com os personagens, e vemos essa cidade pelos olhos deles. O ponto fundamental que nos é contado através de flashbacks é o que permite à história derivar para o mundo do noir onde o filme termina. O assassinato da criança é o que descobrimos. O que esse facto faz é despoletar todos os eventos que fazer os personagens encontrarem o seu destino, como é suposto. Por isso, o que é interessante aqui é a forma como o filme deriva entre géneros. Desde as leis da comédia (fucking Bruge) até ao ponto das perseguições duras finais. O câmbio dramático é subtil e realmente raro de assistir, e magnifica a força do final.

O elemento crucial que permite isto acontecer é, claro, o filme dentro do filme, o filme que estão a filmar em Brugges. Este intersecta a narrativa várias vezes ao longo do filme, e até temos actores desse filme interior (o anão) que interagem com os actores principais. O tema anão é, de resto, bastante referido. Passamos pelo cenário, Farrell até conhece lá a rapariga, e é-nos dito que o filme que está a ser feito tem alguma coisa a ver com Bosch. E claro, no final, o filme exterior a que nós estamos a assistir entra literalmente no cenário do filme interior, e nesse momento é já quando não vivemos mais no mundo da comédia, e os dois personagens restantes encontram o seu destino num mundo dramático totalmente diferente, no cenário do filme interior, levando o anão com eles.

A escrita é notável aqui que no entanto funciona apenas por uma sólida realização que permite que os actores tenham margem de manobra, sob um ambiente controlado.

A minha opinião: 4/5

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve