Angels & Demons (2009)

“Angels & Demons” (2009)

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hercule

Nunca espero muito de um filme de Ron Howard, que são pouco atractivos e sem vida, apesar dos efeitos sofisticados que muitas vezes envolvem. As ideias cinematográficas dele são básicas e desinteressantes, como por exemplo aqueles efeitos de câmara que temos nos filmes Dan Brown – câmara que se move através das paredes como que para mostrar a “verdade escondida” por trás do que é aparente. Aborrecido. O maior desastre foi o código Da Vinci, porque foi feito quando o livro era incrivelmente consensual por todo o mundo, consensual até nas supostas revelações chocantes que continha. O filme é tão pobre que não serviu sequer como ilustração do livro como, por exemplo, os filmes Harry Potter fazem com os livros.

Este aqui era um falhanço previsível. Se eles não tinham sido capazes de quebrar uma única regra do género no primeiro filme que já era adorado pelo público antes mesmo de ser filmado, não seria aqui que o iam fazer. Este aqui tinha de manter os espectadores que ainda continuaram a seguir Langdon mesmo depois do desastre cinematográfico do código. Por isso este filme usa o esqueleto do primeiro, e coloca-lhe uma pele diferente. Agora já não é sobre o Graal, ou o sangue de Cristo, é sobre um enredo político qualquer dentro do Vaticano. O código tinha uma história muito mais interessante, naquilo que ao livro diz respeito, mas ambas as histórias resultam-me pouco cinematográficas, porque a piada deles está em ir adquirindo os detalhes que Brown inteligentemente escolhe para construir a sua narrativa. O que ele apresenta são narrativas, versões, histórias que poderiam ser verdade. Isto é feito por associação de factos, não por imagens. É adequado a um livro, não tanto para um filme.

A única alteração significativa aqui é que, mais do que no Código, Langdon é um detective aqui, mais que um investigador. No código, a piada era compreendermos a narrativa que nos era contada no plano histórico, ao juntarmos as peças do puzzle que nos iam sendo mostradas. Aqui tinha a ver com descobrir o “infiltrado”, descobrir quem estava a manipular as coisas. Por baixo da apresentação maciça de factos históricos há uma simples história de detectives, na tradição Agatha Christie. E por baixo dessa tradição há toda a herança que o noir americano nos deixou, para apreciar e explorar. Se Ron Howard e as pessoas envolvidas aqui tivessem percebido isto, podiam ter feito um filme decente. Assim, não fizeram.

A minha opinião: 1/5

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve