Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 1 (2010)

“Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 1” (2010)

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Há que admitir; não é assim tão difícil manter um franchise destes. Os livros são best-sellers, e os adolescentes são dos fãs mais resistentes de qualquer tipo de fenómeno pop que escolham seguir. Os livros batem num canto sensível das almas contemporâneas: a falta de magia na forma como as vidas de hoje acontecem, guiadas por uma visão do mundo que tem excluído o poder do misticismo, o verdadeiro misticismo, nascido das ligações mais básicas entre humanos e o seu ambiente, e intrahumanas. Os livros desenvolvem pequenos pedaços de velhas mitologias, e devolvem-nas num embrulho apelativo, cheio de elementos visuais e metafóricos com ressonância na nossa consciência colectiva ocidental. Fénixes, varinhas mágicas, poções, feitiços…

Mas estas histórias só me interessam porque foram transformadas em filmes, os livros em si não me atraem, os filmes talvez. E a opção principal na construção dos 8 (que afinal serão 9) filmes que traduzem os livros foi que a série deveria evoluir tal como os seus personagens principais, que eram crianças no início. Por isso começamos com filmes de crianças, evoluímos para filmes adolescentes de escola secundária, e agora os filmes foram associados a uma espécie de género híbrido, que oscila entre a história de detectives e o filme de acção. Esta 8ª tentativa cai nesta última categoria, tal como o anterior já caía. Parece-me que o último será mais tipo “o regresso do rei”: épico e visceral.

Para lá desta evolução dos filmes, temos em alguns deles conceitos cinematográficos que são explorados, com mais ou menos sucesso. É aqui que as coisas se tornam interessantes para mim. O terceiro filme foi o melhor: tinha a ver com uma manipulação do tempo e espaço (e a história do livro ajudava a isso) e confiava com inteligência num dos melhores exploradores de espaço (pela câmara) dos dias de hoje para realizá-lo. Por isso temos os planos mais profundos das séries, a melhor Hogwarts, os ambientes mais mágicos. O príncipe mestiço confiava em princípios semelhantes, mas em vez de explorar o espaço, a arquitectura era encenada de forma inteligente, dependendo do ponto de vista, o enquadramento e a mise-en-scéne. Foi inteligente e o melhor filme da era pos-Columbus.

Chegamos assim aqui, a este filme, que representa uma mudança radical naquilo que vinha sendo feito. Uma vez mais, a história dá as pistas para a materialização visual do filme: os nossos personagens principais são náufragos, vagueando entre múltiplos mundos, múltiplas realidades, todas elas desprovidas de elementos humanos onde ancorar a acção: neve, matos, rochas. Por isso puxam-nos o tapete, e o ritmo relativamente frenético do filme tem a ver com o facto de nós sermos incapazes de agarrar a nossa visão aos cenários que Não vemos: não vemos Hogwarts. Isso poderia até ser considerado uma decisão de risco, mas parece-me que a esta altura, os fãs só querem ver as ilustrações no ecran dos factos que sabem que vão acontecer, por isso os tipos podem quase literalmente fazer o que querem.

Uma vez mais, como no filme anterior, apreciei o tema visual: tempo linear, mas cenários descorporizados. Mas os cenários não são suficientemente interessantes, e os efeitos desvanecem-se com a multiplicação de cenários.

A minha opinião: 3/5

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve