Piercing 1 (2009)

“Piercing 1” (2009)

Cinanima 2010

Flagey

Questionar

É sabido ou previsível que num futuro não muito distante todos teremos de olhar para a China tal como até há pouco ainda olhávamos para os Estados Unidos: os espirros deles definem as doenças que o mundo sente. Por isso, é importante sabermos quais as narrativas que a China está disposta a oferecer ao mundo. Obviamente temos um versão oficial, tal como com qualquer governo de qualquer país do mundo. A narrativa americana actual, que a esta altura já está descalça, conta-nos que embora obviamente os americanos façam muitas coisas desumanas, até ilegais segundo as suas próprias leis e condenáveis segundos os seus próprios princípios, eles têm de fazê-las em nome de um determinado conceito de mundo livre que envolve todos aqueles com poder real para contestar essas opções. Alianças económicas e outros tipos de interesse mantiveram a história em pé, mesmo que atropelando limites que a grande maioria dos elementos pensantes das sociedades ocidentais não estão dispostos a tolerar. O caso do fundador da wikileaks é o último capítulo desta negra narrativa, em que de repente um caso de assédio sexual parece suficiente para afastar a discussão do tema fundamental, o da fuga de informação e o que daí se soube. A China oferece uma versão menos subtil, mais bruta, provavelmente menos inteligente, da mesma postura. As censuras existem, a manipulação também, mas é mais assumida, mais autoritária. Eu prevejo que a postura chinesa vai-se aproximar nos próximos anos da atitude que funcionou durante décadas com os Estados Unidos. As pressões vão aumentar, cedências terão de ser feitas. Mas para isso, os primidos terão de protestar, levantar questões, eventualmente morrer. O “outro lado”, o ocidente, contribui para essa pressão, à sua maneira. Por isso o prémio Nobel da paz deste ano é quem se sabe. Pergunto se Assange ganharia o prémio se o Nobel fosse chinês…

Uma das melhores formas de vermos que tipo de narrativas conduzem determinado colectivo é pelo cinema que se produz. O cinema é ainda o maior construtor de histórias, onde todos os dramas que se vivem transpiram transformadas em ficção. Este filme é um produto interessante. Não sei exactamente o contexto desta história na China. Se foi feito desde o exterior, ou se apareceu tolerado pelo sistema chinês. Mas é um filme interessante acerca de como o contexto condiciona quem nele vive. Vidas amputadas por totalitarismos castradores. Sobrevivência. Este é um produto afastado das grandes massas pelas suas próprias características: animação de autor não é um dos tipos de filme com mais saída. Mas eu suspeito que teremos uma grande quantidade de filmes chineses feitos sobre esta temática.

E há cinema aqui, há um domínio interessante, ainda que não transcendente, sobre ritmo edição. Vale a pena ver.

A minha opinião: 4/5

1 Response to “Piercing 1 (2009)”


  1. 1 william Dezembro 16, 2010 às 5:40 pm

    Olá, gostei muito do se blog. Estou procurando parceiros, mas parceiros que tenham bons blogs de cinema.

    se estiver interessado mande-me um e-mail: william_zanoni@hotmail.com

    Ah! Meu blog é cinestigma.wordpress.com


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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve