Twilight (2008)

“Twilight” (2008)

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romanticismo

Este filme acabou por ser uma muito boa surpresa. Estava preparado para odiá-lo. Os livros apareceram como material adolescente feito à pressão, vazios e feitos apenas para capitalizar no mundo da transcendência tal como Harry Potter o definiu para o século XXI: seres estranhos, variações estranhas sobre o nosso mundo real, e uma ligação a esse mesmo mundo, que faz a história e os personagens parecerem verosímeis, e assim agarrando mais as audiências-alvo deste material. Esta série Twilight tinha um factor de aborrecimento extra que me punha fora: revolvia clichés de fantasia e ainda lhe adicionava o mundo cinematográfico dos vampiros. Era jogo seguro a dobrar.

A coisa que realmente falha aqui é o casting do personagem principal. Robert Pattinsion é uma nódoa aqui, não tem presença de qualquer tipo. Atira as suas frases como se estivesse sentado na retrete, as expressões faciais dele são pálidas, mas não de uma forma vampiresca, a pose dele é artificial, e isso até funciona para este personagem (teve sorte). Parece-me que eles queriam também aqui capitalizar o actor que teve um personagem curto mas emocional na série Potter, e assim atrair ainda mais as audiências de Potter. Por outro lado, Kristen Stewart foi uma boa surpresa. Não sei se ela vai sair bem do mundo dos filmes adolescentes, mas vou querer ver coisas novas com ela. Ela teve uma actuação tensa de uma forma natural que normalmente não conseguimos ver em actrizes tão novas.

Mas o que eu realmente gostei foi o ambiente geral do filme. Há um sentido geral de romantismo e tensão doce que atravessa todo o filme, e que realmente me cativou. É uma melancolia genuína e não sentimentalóide, onde os sentimentos crescentes entre vampiro e humana adolescentes ocupam um lugar doce no centro da narrativa. Os meus leitores regulares sabem que aprecio esses filmes que conseguem convincentemente construir e manter um ambiente, como uma aura invisível que cobre cada elemento do filme. Wong Kar-Wai é o mestre absoluto disto. Por isso interessa-me tentar compreender o que consegue produzir esses efeitos. Aqui parece-me que a primeira âncora desse ambiente é Stewart e a sua actuação controlada e intensa (pergunto-me se terá aprendido isso com Foster). A segunda âncora é a cinematografia e a escolha muito feliz de cores e cenários. Mas a parte mais importante é o trabalho de câmara. A câmara na mão nos primeiros planos enquanto os amantes dialogam são algo de uma classe superior. A edição ajuda, mas a forma como os planos são concebidos realmente funciona bem. Alguns momentos de diálogo são dignos de alguns momentos de alguns filmes de Lumet. Isso é dizer muito.

A minha opinião: 3/5

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve