Zelig (1983)

“Zelig” (1983)

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Citizen Puzzle

Esta é uma grande experiência, que oscila entre território woody allen puro e as ideias sérias sobre filmes que ele sempre tem por trás de todos os filmes dele, mesmo os falhados.

Aqui ele coloca-se aparentemente no meio de uma exploração narrativa que Welles começou com Kane. Mas apenas aparentemente. Em Kane, tínhamos vários pontos de vista da mesma história, naquele caso a história era a vida de um homem. Cada ponto de vista vinha da perspectiva directa de um narrador específico (um filme noticioso, a ex-mulher, o melhor amigo…). Quebrou uma data de regras e, junto com o trabalho visual impressionante de Toland/Welles, mudou o rumo do cinema, todos sabemos isso.

Este Zelig também usa elementos visuais de fontes aparentemente distintas para montar uma história. Também tem uma colaboração com um dos melhores cinematógrafos de sempre, cuja parceria com Allen produziu um número de filmes de qualidade inultrapassável (incluindo o incrivelmente sensível Manhattan, rejeitado pelo próprio Woody!). A história aqui também é a vida de um homem. E essa vida é também altamente auto-biográfica em relação ao seu autor/actor, tal como em Kane.

Mas há algo aqui fundamentalmente diferente. Cada meio diferente, cada tipo de linguagem visual está aqui para nos dar mais sobre uma história. Cada pedaço completa os outros, nunca compete com eles. Por isso a estratégia narrativa é que o narrador (um único narrador) colabora aparentemente com a audiência para mostrar a história que se propôs contar. Por isso é que a forma do documentário falso encaixa perfeitamente. São utilizados todos os tipos de documentários de televisão banais, desde testemunhos de pessoas agora velhas a velhos filmes de notícias dos anos 20. Visualmente, está bem cosido tudo, e admito que provavelmente foi muito difícil manter o ritmo de um filme assim, porque esta forma serve perfeitamente quando temos histórias reais, onde o interesse de querer saber a história faz-nos querer continuar a ver. Mas isto está bem feito.

Sempre que nos desviamos destas regras que Woody estabeleceu para este filme, entramos no território da comédia dele. De todos os pedaçoes, as sessões do quarto branco com Mia Farrow são os mais engraçados, também porque saímos da ficção e vemos a paixão de Woody nesses dias.

A minha opinião: 4/5

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1 Response to “Zelig (1983)”


  1. 1 Idafeld@gmail.com Outubro 25, 2010 às 8:42 pm

    Olá!

    Meu nome é Ida Feldman e estou divulgando o II Festival IESB de Cinema.

    Esse Festival visa valorizar e difundir a produção audiovisual realizada por estudantes universitários do Brasil, além propiciar um espaço de interação, troca e estímulo a trabalhos semi-profissionais do audiovisual. Poderão participar estudantes de todos os cursos das universidades brasileiras e cursos livres de audiovisual, desde que o autor da obra seja o estudante.

    Meu contato com você é para saber se é possível a divulgacão do nosso Festival no seu blog.

    Mais infos estão no blog oficial do Festival: http://festivaliesbdecinema.blogspot.com/p/regulamento.html

    Ficarei grata se puder contar com o seu apoio.

    Ida Feldman
    Divulgadora On Line
    II FESTIVAL IESB DE CINEMA
    blog do festival
    grupo no facebook
    página no facebook
    11.7838-6765


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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve