Arena (2009)

“Arena” (2009)

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grande forma na embalagem pequena

Este filme é especial em Portugal, para os portugueses. Porquê? Simplesmente porque ganhou um prémio em Cannes. Ninguém conhecia o realizador, muito novo. Por outras palavras, alguém fora de Portugal considerou que um português fez um bom trabalho, suficientemente bom para receber a palma de ouro para melhor curta. Isto atinge em cheio as cabeças e os genitais dos portugueses: o gajo tem de ser bom! Estranhamente, o frenesim criado à volta do prémio não foi suficientemente forte. Um ano depois já ninguém falava de Salaviza em Portugal. Muito poucos viram o filme. E no entanto aqueles que ainda se lembram do nome do tipo “sabem” que ele é bom. É assim que funciona por aqui. Por isso é que o trabalho criativo interessante tem uma dificuldade imensa de sair da obscuridade e conseguir algum tipo de visibilidade: simplesmente não há palmas de ouro suficientes para premiar tudo o que tenha um mínimo de interesse em Portugal.

Provavelmente, eu não teria sabido da existência do filme se não tivesse sido pelo prémio. E definitivamente ele não teria sido passado nos cinemas antes de um filme de massas se não fosse por isso. Isso é triste. Mas em todo o caso, quis vê-lo. Não quis ser um membro da manada do frenesim sem saber de que é que estava a falar.

O filme É interessante. Realmente acho muito difícil criar uma estrutura interessante numa curta. Parece-me que é mais difícil construir um enredo curto que conduza as audiências do que uma longa. Isso porque as histórias são normalmente o que faz o espectador seguir o filme. E as curtas simplesmente têm de enveredar por muitos atalhos, faz parte da sua natureza. Por isso muitas delas simplesmente desistem de tentar “contar uma história” e tornam-se filmes “conceito”, ideias abstractas exploradas através de alguns temas visuais apelativos. Nesse contexto, este filme tem o valor de possuir uma verdadeira narrativa. E a sua força está em como, em forma curta, segue a sua história ao mesmo tempo que cai num ambiente meditativo, contemplativo, que certamente era uma preocupação aqui. O tema é pesado e as actuações são surpreendentemente impressionantes!: controladas mas intensas. Isso foi o melhor.

Visualmente parece-me que o filme foi um laboratório para o realizador/equipa. Entre vários planos inteligentemente concebidos, destaco um, no topo do edifício, quando a vâmara baixa e move-se lateralmente de forma ligeira; começamos com um enquadramento que é sobretudo construção e um pouco de céu (e o nosso personagem no meio) e o movimento subtil da câmara faz o enquadramente alterar-se até termos apenas o céu azul e o torso/cabeça do personagem. Muito bom.

A minha opinião: 3/5 bom dentro dos limites que as curtas têm para os contadores de histórias.

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve