Inception (2010)

“Inception” (2010)
Origem

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o despertar da mente, com um salto

Isto é um virar de página, uma declaração importante de um realizador importante de hoje. É também o topo (para já) de quaisquer coisas interessantes que Nolan tenha explorado até agora. Di Caprio está nesta viagem e provavelmente este é o melhor esforço dele para se tornar um actor sério no mundo dos filmes. Ele conquistou-me aqui.

Eu sou um espectador perfeitamente definido. Interessam-me emoções, sentimentos (de amor ou outros), e a sua representação visual. E realmente importam-me muito os dispositivos narrativos e a construção narrativa de um filme. Realmente desprezo os filmes que banalizam as emoções simples e reais. Por isso aprecio mais filmes que concebem uma estrutura narrativa coerente mesmo que não atinjam tanto uma tensão emocional, do que filmes que mostrem o amor, a amizade, a empatia, como pornografia sentimental. Por isso, o topo deste jogo para mim naquilo que diz respeito ao cinema é a sensibilidade e histórias honestas, suportadas por estruturas narrativas inteligentes.

É isso que temos aqui, brilhante e lindo como vi poucas vezes. O próprio conceito abstracto daquilo que está a ser contado mistura-se com o adn do filme. O filme em si constrói o conteúdo que é suposto termos na história. A estrutura do filme É a história. A forma como entramos em todas as sub estruturas mimetiza a forma como os personagens o fazem. É tão simples como isto para explicar, e tão complexo como este filme para compreender.

Há várias noções aqui, que me são caras, e que me emocionaram. Temos camadas Óbvias (sonhos dentro de sonhos) que nos são literalmente e constantemente explicadas por muitos personagens no filme. Mudarmos de camada é literalmente ir mais fundo, num sentido espacial. Cada camada tem autonomia, mas é severamente afectada pela forma como as outras camadas evoluem. Por isso, um espirro numa camada pode equivaler a um terramoto noutra.

A noção mais bonita é a de que temos pessoas no interior de pessoas. Temos pessoas que alteram a alma de outras, tocando-se intimamente, tocando num sentido mais profundo do que alguma vez tivemos em cinema. Nolan quase consegue que o cinema funcione como literatura na forma como atingimos o interior de um personagem para lá daquilo que conseguimos ver. A esse nível, a melhor sequência é provavelmente a visita a Paris. Di Caprio e Page. Como ela manipula as memórias que ele tem de Paris, como ela literalmente manipula o cenário. E a sequência final, a cidade em colapso, uma reinvenção das memórias que di Caprio tem das suas próprias memórias. Uma das melhores coisas aqui é a forma como a emoção surge colada ao espaço. Cada cenário é o próprio retrato de uma memória, de uma sensação. Pela forma como está feito, esta é uma forma original de associar filme com o uso visual do espaço. Vou marcar este filme.

Marion Cotillard como o personagem que, por aquilo que nós podemos ver, é apenas uma memória (inventada ou não) e dificilmente uma pessoa real. A performance dela é incrível, eventualmente a melhor do filme.

Jogamos o jogo das memórias inventadas/partilhadas, que existem sobre a realidade, e vamos descendo até ao nível onde essas memórias podem ser manipuladas e mudadas, criando-se ou inventando-se novas. Essa é a origem. Consegues criar a memória deste filme? Consegues recrear os seus níveis quando sonham com ele? E mais importante, consegues inseri-los nos níveis da tua própria vida tão naturalmente como se eles tivessem sido criados por ti?

A minha opinião: 5/5 experimentem este.

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2 Responses to “Inception (2010)”


  1. 1 André Setembro 24, 2010 às 3:27 pm

    Visita o meu blog em http://febre7arte.blogspot.com/ onde estão os grandes clássicos do cinema.

  2. 2 Merlin Vídeo Abril 29, 2011 às 2:08 pm

    A maneira como escreve é excelente! :)


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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve