Brief Encounter (1945)

“Brief Encounter” (1945)

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dois mundos

da forma como o vejo agora, este filme parece construído com um conjunto de descontextualizações, e a forma como lidamos com elas.

estamos em 1945, mas o canon usado ainda é pré-Kane, pré-guerra. Pela forma como o filme trata o amor e as suas impossibilidades, pertence ao grupo de Casablanca, e o que havia antes. O mundo, e os britânicos, estavam a reinventar-se, depois da guerra, e este mundo, o de ter de escolher entre as paixões ou as convenções, terminaria em breve. Mas a peça é de 1937, e foi mantida basicamente igual naquilo que mostra. Por isto este filme é tanto uma peça entre mundos, entre concepções de amor, cinema e convenções sociais, como Rachmaninov é uma mente Romântica que vive num mundo moderno.

Para mim isto é uma tragédia em roupagens de romance, mas como filme é já datado. não me interpretem mal, isso não é necessariamente mau. Simplesmente inventaram entretanto novos códigos, novas (ou diferentes) exigências foram injectadas nas audiências. Para a nossa forma moderna de ver, este filme é demasiado encenado, a actuação é demasiado ultrapassada. Mas também temos uma grande interpretação feminina de Celia Johnson, e isso é sem dúvida um ponto forte, porque o filme depende imenso de nós entrarmos no mundo pelos olhos de Laura. E entramos, pelo menos eu.

Mas Lean viria a tornar-se um grande realizador. Não teria imaginado até onde ele podia chegar se tivesse visto este filme quando era novo. Ele confia na herança de velhos dias, do expressionismo, e outras mais recentes, de Toland/Welles e as suas experiências então recentes com composição e iluminação. O cinematógrafo deste viria a filmar O Terceiro Homem, e isso já nos diz algo. Ainda assim, e considerando Rachmaninov e Lean, penso que estes dois se espelham na forma como o seu trabalho, no melhor, constrói imagens, extremamente exageradas, mas incrivelmente puras e poderosas. Paisagens. O que Lean viria a dar-nos, a sua Arábia, a sua grande visão que opõe o deserto à intimidade, não está sequer apontada. Não aqui, onde ele ainda vive num mundo de intimidades, de sentimentos reprimidos, de visões não alcançadas, como as imagens de Paris e Veneza que Laura imagina sem alguma vez concretizar. Aqui, neste filme, é a visão de Coward que ultrapassa todas as outras, é com isso que ficamos: a crítica da hipocrisia, o contraste com as seduções naturais e puras das classes mais “baixas”, a indicação velada de homossexualidade no personagem de Stephen.

O que ficará comigo é o fumo e o cheiro, e o café da estação. Este é um filme sobre comboios, que passam uns pelos outros, que se cruzam, nunca acabam, vidas aleatórias submetidas a uma moral inútil e a um mundo desactualizado, que já não existe. desadequação. memórias.

A minha opinião: 3/5

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve