The Ghost Writer (2010)

“The Ghost Writer” (2010)

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pequenos espaços

Este filme é uma visão tão clara do seu criador, e tão reconhecível na sua forma, e família de histórias, que se torna automaticamente uma pérola.

Polansky sempre foi um realizador de pequenos espaços, de uma certa claustrofobia induzida, ainda que sempre controlada pelo realizador, que leva sempre o nosso fôlego nas suas mãos. contrastes. espaços abertos vs quartos apertados. claustrofobia nos dois tipos de espaços. A praia que vemos da janela da casa oposta à prisão disfarçada em que o personagem de Ewan trabalha (numa ilha!). Isto sempre foi um terreno fértil para este realizador. Por isso é que o primeiro filme dele foi filmado num barco, onde as limitações espaciais deste contrastavam com a vastidão do mar. Considerando esses filmes em que ele exibe este tipo de oposição, este aqui junta-se a Bitter Moon, Death and the Maiden, ou a Faca na água. É dessa família. Já agora, a casa neste filme é interessante como arquitectura, pela forma como enquadra a paisagem (uma vez mais oposição aberto/fechado) e, como costume com Polansky, isso é bastante bem usado.

Mas realmente, o poder dos filmes dele vem do seu ponto de vista. Se este termo não tivesse outros significados dentro do vocabulário técnico do cinema, eu diria que a câmara dele é sempre subjectiva. Cada plano em qualquer dos seus filmes parece nascer de um ponto de vista específico, de alguém que nem está no filme, nem entre nós, nem no meio. Vem de fora, e de cima, uma espécie de deus que observa tanto o mundo do filme como para nós, espectadores. Num filme de Polanski, o espectador está tão inseguro e desprotegido como qualquer outro personagem. Isso torna qualquer coisa que ele faça um filme noir natural. Mesmo quando a história não se dirige directamente às características do noir, o filme torna-se visualmente noir, no olho de Polanski.

Neste caso, a história ajuda. É uma narrativa interessante que fala de um peão, um manipulador enorme, e o “detective” que luta para descobrir tudo. *spoilers* Casualmente (ou não), a escolha de actores é bastante adequada aqui, já que Mcgreggor é um dos actores mais inteligentes de hoje, e por isso compreendeu a sua colocação na narrativa (tal como sempre faz), e Brosnan é tão convencido que é manipulado pelo realizador tanto como o seu personagem é manipulado no filme. Por isso o que temos é um Mcguffin, que lida com um tema de corrupção política, que nos leva à ambiguidade, que partilhamos com Ewan (noir) e que nos faz não confiar em ninguém. No final é-nos dado uma reviravolta previsível, mas tudo tem a ver com a forma como somos manipulados antes. A solução dos “inícios” é um truque bastante espalhafatoso, mas ainda assim é um final competente e, afinal, não há muitas formas novas de acabar uma história destas pois não? E Olivia Williams é uma mulher interessante no ecran, e por isso credibiliza o truque. Esperemos que Polanski, dentro ou fora da sua prisão (como a casa neste filme) ainda possa dar-nos mais algumas pérolas.

Este é o primeiro que vi lançado em 2010. Que grande forma de começar uma década de filmes!

A minha opinião: 4/5

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1 Response to “The Ghost Writer (2010)”


  1. 1 Merlin Vídeo Abril 29, 2011 às 2:11 pm

    Seus comentários são muito bons! Dá vontade de assistir o filme assim que acabamos de ler! Parabéns!


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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve