La belle et la bête (1946)

“La belle et la bête” (1946)

Fantasporto 2010

IMDb

Filmar a pintura

Deveria ser sempre um acontecimento ver um filme de Cocteau. Ele foi um dos bons artistas do século XX. No entanto também era alguém demasiado consciente disso para poder produzir mais trabalho importante, para lá do que nos deu. Como outros artistas verdadeiros, ele tentou nadar em águas diferentes, e experimentar meios diferentes. Isso é respeitável, assim como a vontade que ele tinha em trazer uma visão pessoal a cada um desses meios.

Esta é a minha primeira experiência com os filmes dele. Reconheço que esperava mais. Talvez porque pensei que no momento em que Cocteau quisesse entrar no mundo dos filmes, ele iria questionar o meio, e não apenas colocar lá a sua sensibilidade visual. Afinal de contas, este tipo era tanto pintor como escritor. Não é isso que alguns mestres do cinema fazem? Pintar textos? Mas não, o amigo Jean evitou pensar sobre o que ele poderia trazer ao cinema em si, como forma de arte. Em vez disso ele dá-nos imagens impressionantes e cenários incrivelmente imaginativos. Mas não nos dá cinema interessante.

A melhor coisa aqui é a própria visão do filme. Podemos isolar qualquer frame que apresente um novo canto no cenário, e teremos imagens interessantes. Há o conceito de um cenário (no palácio mágico do monstro) que ganha vida, que se move, que actua com os personagens. Por isso temos esse cenário construído literalmente com elementos humanos, pessoas que fazem o cenário. braços que saem do escuro e agarrem castiçais. estátuas com olhos revirados, mãos que surgem de parte incerta. Há um jogo que enquadra esses elementos humanos, a colocação das luzes (e mais importante da escuridão! que relembra o teatro negro checo) e os personagens humanos que descobrem o cenário, na história. Este jogo é excelente, assim como a fotografia. Há arte aqui.

Não tanto na forma como contam a história, e é aqui que as coisas esfriam. Penso que a história, tal como está, seria ainda assim aceitável para as audiências desses dias. A revolução Kane ainda estava a decorrer, e a mentalidade romântica ainda persistia nas mentes das pessoas desses dias. Hoje já não. É aborrecido, é datado, é inútil como forma de contar uma história. Não há uma faísca, não é nem atractivo o suficiente para a seguirmos. É pálida, e ainda mais pálida quando confrontada com os cenários.

Um prazer paralelo ao ver este é pensar que estavamos na verdade a ver uma daquelas ligações doces entre realizadores e amantes. Mas aqui entre dois homens, cocteau e marais, que, não por coincidência, representa o monstro e, suponho, a bela também. A mulher é apenas uma incidência, necessária para a história.

A minha opinião: 3/5

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve