Wonderful Days (2003)

“Wonderful Days” (2003)

Fantasporto 2010

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tentáculos

Quem é leitor regular dos meus comentários sabe que tenho um interesse especial pelo tema da utilização do espaço em cinema. Normalmente, na maioria das vezes, estou a falar de espaços físicos construídos, arquitectura. Planeio desenvolver o tema, e num futuro próximo conseguir algum tipo de apoio para aprofundar a pesquisa e eventualmente chegar a algum lado. Até lá, colecciono exemplos de filmes que se dirigem com clareza ao tema.

O que se passa é que tenho notado que ao contrário de outras qualidades que podemos encontrar num filme, esta adequação espaço/imagem é algo que simplesmente não vai acontecer a não ser que os realizadores tenham consciência disso. Por outras palavras, para os edifícios se tornarem personagens ou entidades espaciais, tem de haver muito pensamento e premeditação envolvidos. Ser arquitecto pode ajudar, certamente ajudou Meirelles em Blindness.

Aqui temos um exemplo relativamente interessante do tema. A história é absolutamente desinteressante, aborrecida e dispensável, excepto pelo facto que permite a ligação arquitectónica: tudo gira em torno de um edifício, o ECOBAN, onde os maus têm a sua fortaleza, de onde controlam o mundo ao redor do filme. a sequência durante os créditos iniciais é poderosa na forma como sintetiza este conceito: o herói guia a sua chopper pela estrada, e entra no edifício. É interessante compreender esse edifício: tem uma planta central, e nós até vemos uma maqueta virtual dele no filme!, quando os maus discutem a segurança do ECOBAN. desde esse núcleo central (com um interior que copia o museu de Nova Iorque de Wright) temos vários acessos enormes, vários longuíssimos corredores que ligam o núcleo ao exterior. Esses corredores são em si grandes estruturas que misturam arcos góticos sucessivos com estruturas de inspiração mais biónica, uma dentro da outra. É por um destes corredores que vemos o herói entrar, na sequência inicial. Por isso essa primeira sequência essencial acaba com ele a chegar ao interior do edifício. É a sequência mais espacial de todo o filme, e faz a experiência valer a pena, apesar do resto dos planos serem normalmente descompensados (com algumas poucas excepções). É inútil dizer que a solução final para libertar o mundo da tirania está no centro do edifício.

Por isso, temos uma história agregada a um edifício, tornando esse edifício um personagem em si mesmo. esse edifício funciona na sua concepção como metáfora (símbolo) do que representa na história. Por isso é narrativa agregada à arquitectura. Isso é interessante. Tudo o resto no filme é pálido comparado com este conceito. Mais do que isso, a história é estranhamente ineficiente. Não sei como podemos ter a inteligência de fazer a arquitectura um personagem, suportando uma narrativa tão pouco clara. É como se houvesse pessoas diferentes e incomunicadas a trabalhar em diferentes aspectos do projecto.

A produção, e aspecto visual, são bastante bons, aliás como quase tudo o que sai da Coreia do Sul.

A minha opinião: 3/5

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve