Re-Animator (1985)

“Re-Animator” (1985)

Fantasporto 2010

IMDb

homenagem reflexiva

Esta foi a primeira parte de uma sessão dupla que terminou com Braindead. Teve piada, muita piada. O motivo porque nos rimos com filmes destes tem a ver, creio, com o facto de compreendermos de que forma são quebradas as convenções cinematográficas. por outras palavras, se eu nunca tivesse visto nenhum filme gore “sério” antes, este pareceria simplesmente estúpido.  Isto significa que temos uma comédia agarrada a um género específico, e que joga com ele. Bem, são-nos dados absolutamente todos os elementos que é suposto termos neste género: zombies, montes de sangue, representações gráficas de tripas, a mulher objecto, que necessariamente terá de perder as roupas e ser o catalisador dos desejos de basicamente toda a gente (menos o inventor). São-nos dados esses elementos no sítio certo, e ordem certa, e com o peso certo, de acordo com o que esperamos do género. Mas nós simplesmente rimo-nos deles, tal como os realizadores ao fazer o filme. Este filme não brinca com o género (como por exemplo o novo Thirst, de Park Chan-Wook faz), ao invés desenha uma caricatura do género, e isso também é uma boa experiência.

Este re-animator tem um interesse especial, básica e simplesmente porque está bem feito. Ao contrário da vasta maioria dos tipos que fizeram este tipo de filmes, Stuart Gordon tem um olhar cinematográfico. Interessa-lhe a forma como cada plano está construído, e isso acaba por beneficiar a experiência. Uma vez mais por outras palavras, o filme interessa como cinema, em vez de ser apenas um artefacto para os amantes do sangue gore apreciarem a forma como alguém modelou os intestinos que ganham vida na cena final. Alguns momentos, intencionalmente ridículos quando descritos, resultam incrivelmente engraçados pela forma como são filmados. O melhor exemplo é um plano em que temos, num único enquadramento, a metade do corpo nu da protagonista. Vemos os seios dela, a serem manuseados pelas mãos do corpo sem cabeça. Mesmo ao lado da rapariga vemos a cabeça, numa travessa, com olhares de prazer! é incrivelmente visual, tanto que estou a rir-me só por me lembrar desse frame. Para lá disso, a fluidez da câmara ajuda todo o filme.

Por isso no final, este filme não tem o sumo de outros filmes que jogam, torcem e voltam a dar-nos um género, em vez disso cai num grupo maior de filmes que são “homenagens”. Este é uma homenagem bastante decente, e certamente vão-se rir com ele.

A minha opinião: 4/5

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve