U Turn (1997)

“U Turn” (1997)

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Oliver às portas do país das maravilhas

Não tenho grande consideração por Stone, e a maioria dos seus filmes. Ele parece ser um desses tipos aborrecidos que só falam para serem ouvidos, que só acham significativo que outras pessoas estejam à sua volta para que possa concordar com o que ele está a dizer, acenar afirmativamente, dando-lhe a ovação que o seu intelecto brilhante merece. Na verdade penso que há um número significativo de realizadores (e outros artistas) que caem neste tipo de categoria. Suponho que estar permanentemente a tentar formar uma opinião acima das mentes médias fá-los pensar que eles mesmos são diferentes das massas banais. Bem, algumas vezes eles são, e assim justificam a arrogância: Wenders, e Tarantino (por vezes). Outros são simplesmente personalidades egocêntricas. Stone é um deles. Todas as suas divagações políticas são teorias da conspiração que ele retrata como verdades inquestionáveis. Platoon é uma grande experiência, mas há pouco mais para lá disso.

Este filme, no entanto, merece alguma atenção. Não se enganem, a personalidade de Stone está aqui, e isto prejudica uma enorme parte da experiência. Mas há pessoas interessantes a trabalhar aqui, e foram corridos alguns riscos, mesmo por parte de Stone. Por isso apesar de no final este filme ser um falhanço, eu acho que é um falhanço valioso, quase glorioso, porque havia ambição aqui, e verdadeiro comprometimento para chegar lá.

Temos um contexto Coen, um em que um mundo normal nos dá respostas bizarras para situações estranhas. Começamos, junto com Penn, fora desse mundo. No início somos literalmente conduzidos para esse cenário físico louco, e também literalmente ficamos lá pendurados. E para lá da história que liga Penn a Lopez a Nolte, todos os personagens paralelos garantem-nos que o mundo é cheio de truques, bizarro, e não confiável. Isto é totalmente cinematográfico e é a melhor tentativa que se faz aqui. Os Coens são os actuais mestres disto, já o eram nessa altura. Penn faz um grande trabalho, como costume, neste caso representando a ambiguidade de se sentir fora desse mundo louco e ter de se deixar sugar por ele. O que quer que funcione aqui tem certamente a ver com ele. Jennifer Lopez na verdade não sabe actuar, mas eu até acho que neste caso isso jogou a favor do filme, porque ao não controlar a sua actuação, ela não nos permite ver através dela, e isso é uma coisa boa dado o personagem dela. Claro que ela é também um personagem físico, o corpo dela conta. Phoenix, Danes, Billy Bob, Voight. Cada episódio que os envolve depende deles como actores, por isso este é um filme sobre actuações, ainda que Stone não o quisesse assim tanto.

O que arruina isto é ver como Oliver Stone coleccionou tantos truques visuais, que usa indiscriminadamente, em cada momento. Aqueles truques todos de edição, de separar o que ouvimos do que vemos, mais os truques no filme para mudar cores por vezes. Stone pensava que isso seria suficiente para dar ao filme o ambiente que ele queria. Na verdade, alguns desses truques podiam ter sido muito poderosos, mas era preciso uma mente sensível para usá-los, não alguém que se olha ao espelho enquanto concebe o seu trabalho. Stone fez uma boa tentativa, quase conseguiu fazer-nos cruzar para o mundo que nos propõe, mas estragou tudo porque não conseguiu apagar-se do filme, o que permitira que tudo fosse totalmente uma experiência colectiva.

A banda sonora é o elemento mais focado que temos aqui.

A minha opinião: 3/5

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve