The Private Lives of Pippa Lee (2009)

“The Private Lives of Pippa Lee” (2009)

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Há cada vez menos pessoas a ir ao cinema hoje em dia, e cada vez mais filmes a serem estreados cada semana. Mundo estranho, este. No meio desta loucura, tenho por hábito tentar adivinhar quais os filmes, entre a avalanche em catálogo, que valerão a pena. Alguns são escolhas fáceis, porque têm pessoas que me interessam. Outros são puro acaso (gosto de chamar-lhe intuição). Este é um desses. Sim, tem a Robin Wright, que me impressionou nas minhas revisões de Breaking and Entering (não tanto da primeira vez que o vi, tenho de reescrever esse comentário). No entanto, ainda foi um tiro no escuro. Mas por vezes acontece o destino e alguma capacidade de prever uma experiência valiosa mesmo descontando os seus conteúdos. Por isso, vi este filme numa última sessão numa sala totalmente vazia. Foi incrível. E o próprio filme tem a ver com rodear múltiplas concepções de solidão, de vazio espiritual, de objectivos vazios. O filme é uma dádiva válida. Foi-me dado, só para mim, mas estive na companhia do filme.

Temos uma vida central, de uma mulher que aparentemente afecta as vidas das pessoas que a rodeiam. Sem intenção. Ela fica com o que lhe acontece, não o que ela prevê. Isso é tanto a sua maldição como a luz do seu ser. Para representar esta mulher, a realizadora (também mulher) escolheu uma mulher jovem, viva e interessante, Lively, espelhada numa pessoa muito interessante, Wright Penn, cuja maior qualidade está no que ela faz com a cara. Por isso começamos o filme nessa cara, em primeiro plano extremo. As expressões dela vão dizer-nos tudo o que queremos saber sobre onde esse personagem está em cada momento. Dois tipos de actuação, um externo, de Lively, outro interno e concentrado, por Wright. Por isso em perfeita coerência com a ideia de uma mulher que aparentemente apagou-se da existência verdadeira, da vida verdadeira, para se tornar a sombra de alguém que num momento trágico viu a sua vida ligado a ela. Escolhas sensíveis.

A grande questão aqui poderá ter uma natureza auto-referencial. Vidas vazias significam as que criam nada? Afinal, Pippa sente o mesmo tipo de frustração que o seu marido sentia, quando percebeu que não seria um escritor. A questão surge várias vezes, notavelmente quando Sam pergunta a Pippa qual é o trabalho criativo dela, ao que ela responde que trabalha numa loja de roupa. Em última análise, a luz criativa que rodeia Pippa é ela mesma, como tema, e como dínamo das vidas que a rodeiam, alguém que agita e perturba. Por isso é que o personagem de Julianne Moore está ali, para realçar Pippa como tema, não a criadora. Casualmente, Moore é perfeita no papel porque ela mesma é muito dificilmente uma marioneta no meio da arte onde se move. Ela representa papéis importantes como a criadora de arte em si. Auto-referência, outra vez.

Temos a mãe, doente, viciada, e obcecada com a filha, temos Sam, sempre apaixonado, temos o personagem de Arkin, que materializa em Pippa a frustração de uma existência não criativa. Temos o personagem de Bellucci, ela mesma uma competidora de Pippa, que não aguenta ser substituida.

Tudo isto é Rebecca Miller, que escreveu um livro, eventualmente como projecção dela mesma, e extendeu a ideia a um filme, pessoal intuitivo. Uma boa experiência.

A minha opinião: 4/5

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve