Where the Wild Things Are (2009)

“Where the Wild Things Are” (2009)

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Muitos críticos, comentadores, ou simplesmente cinéfilos sérios acreditam que vivemos um tempo de decadência, em que filmes sérios, inovadores e ambiciosos são cada vez mais difíceis de encontrar. Eu discordo. É possível que em nenhum outro momento tivesse havido tantos realizadores inteligentes e sensíveis como agora. Entre várias linhas, normalmente construídas em torno de raízes culturais (os mexicanos, os coreanos), temos um conjunto de criadores contemporâneos que criam colectivamente e sozinhos novas soluções, inovam de formas duradouras, enquanto produzem um tipo de filme sincero e altamente pessoal. Jonze, Gondry, Kaufman (talvez possamos extender isto a Medem). Para mim “Malkovich” e “despertar da mente” são dois marcos fundamentais deste tipo de filme. Se consideramos Medem teremos então de considerar mais alguns trabalhos.

De que é tratam esses filmes? Ligações, conexões, exploração da mente, imaginação enraizada em como funcona a imaginação. Portais, transições, terrenos pantanosos para mentes pouco acomodadas. Isto é o material essencial deste cinema pós-moderno. Como espectadores, tornamo-nos espectadores da mente de alguém, visitantes dessa mente, várias vezes literalmente, como aqui. Este filme soma a essa noção a ideia da criação de todo um mundo completo (retirado de um livro), cheio de personagens perfeitamente definidos, cada um uma fracção de um todo. Auto referência. E temos Jonze, que renova uma certa ideia lírica de cinema. Carter Burwell ajuda, muito. Jonze não carrega muito na tecla da ironia, como o faz Kaufman, nem se torna cínico, como várias vezes Gondry faz. Ele é um lírico, e investe toda a sua criatividade na visão poética das coisas, do mundo em si, de como ele se desenvolve. A estrutura nos filmes dele é-nos totalmente revelada, e não deixa dúvidas. Por isso concentramo-nos nas texturas do mundo, na forma como os sentimentos magoam, no doloroso que é ser cada uma das fracções (personagens) do mundo que ele propõe. Malkovich superou tudo, e criou algo único. Este filme é a segunda melhor coisa dele.

Aqui, o esforço colectivo de uma única mente está investida visualmente na criação de uma estrutura, arquitectónica, o forte que Max constrói na sua imaginação. Pela forma como vemos essa estrutura crescer, vemos Max desenvolver as suas ligações imaginadas com os seus eus inventados. Numa certa forma, a estrutura e a visão dessa estrutura (a maquete) é um mundo dentro do mundo que Max cria, e torna-se em si mesma um personagem. Paisagens: deserto, floresta, mar; marcam os ambientes necessários.

Este é um mundo de sensibilidades, como o interior de um corpo, onde tudo o que tocamos tem o impacto maior, como o interior de KW, onde Max se esconde. É um mundo de portas, janelas, ligações. Sexo.

A minha opinião: 4/5

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve