Moon (2009)

“Moon” (2009)

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escavação mental

Estou convencido que nenhum género está tão ligado à realidade das nossas vidas como a ficção científica. Os níveis de abstracção contextual e abstracta requeridos pelo género são tão altos que só se pode fazer boa ficção científica se a enraizarmos na essência do que somos, fora da vida do filme. É-nos retirado o conforto de reconhecermos lugares (a maioria das vezes),  de compreender ambientes, contextos, formas de viver. Mas ainda nos ficam as pessoas, ou seres que as representam (planeta dos macacos) ou ainda melhor, um ambiente, e contexto, que sugerem o estado de alma das pessoas. É essa a nossa ligação, o nosso portal para qualquer mundo de ficção científica bem construído. Méliès. 2001. Blade Runner. Agora este. Este filme é uma grande entrada na filmografia de 2009, e eventualmente o melhor acontecimento na ficção científica desta década.

O filme é uma espécie de 2001+Blade Runner, duas linhas da ficção científica que ainda não tinha visto misturadas, e duvidava que pudesse ser feito. É melhor que isso. Não se misturam. Apenas nos fazem crer que se mistura. O filme engana-nos todo o tempo, põe-nos no mesmo tipo de inconsciência que Sam Bell estaria a sentir. Por isso, o filme é aquilo que nos conta.

1 – é aqui que começamos; imagens minimalistas, à 2001, do espaço. Espaços abertos, vazio, isolamento, meditação. É o ponto de partida. o homem e a máquina (Sam e GERTY). Somos levados a crer que vamos assistir a uma batalha pelo controlo, quem ganha, quem controla? quem engana quem?. O que está a máquina a esconder? Está a esconder algo? O poder sobre o controlo narrativo da história, é do que isto trata.

2 – Mas logo são incluídos os duplos de Sam na história. Verdade ou mentira? estamos a ser enganados? São os duplos reais ou um produto da imaginação de Sam? há alguma coisa do que vemos que seja real, ou já estamos na imaginação alucinada de um homem isolado e com saudade de casa?

(spoilers aqui)
3 – a resolução do ponto anterior. Sim, os duplos são reais, fisicamente reais, pelo menos tudo indica. Por isso, se cada clone é Sam Bell, se cada clone tem o mesmo passado, quem é Sam Bell? Quem é cada um daqueles seres humanos, que partilham entre eles as mesmas emoções, os mesmos sentimentos, as mesmas recordações. Aqui entramos totalmente no território Dick/Blade Runner. replicantes. aqui temos o reverso da história de Blade Runner, o mundo segundo os replicantes. Não uma representação dúbia sobre se Harrison Ford era ou não um replicante, ao invés temos uma exploração dura daquilo que ser um significa. Memória inventada, emoções induzidas. E o que todas essas coisas significam para nós, seres humanos.

Todo o trabalho visual tem uma coerência com o que está a ser dito. Não há referências visuais que se superiorizem a outras, e isso até é uma coisa boa. Podemos ter um grande novo realizador aqui. Sem dúvida que temos um filme bom.

A minha opinião: 4/5

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve