Black Rain (1989)

“Black Rain” (1989)

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Visão e preconceito

Há várias coisas aqui, que fazem este um filme não especialmente interessante, mas um que sublinha as características do tempo em que foi feito, e de alguns dos participantes nele:

.acção dos anos 80: tenho visto uma boa dose destes filmes designados como “acção” dos anos 80. Cresci com eles, o meu primeiro modelo do que acção significa derivou daqueles filmes de heróis duros (siegel, stallone, van damme, schwarzenegger) e as aventuras fantasiosas da linha Spielberg (que inclui Zemeckis). Ao revê-los, várias vezes tenho de redefinir o que acção significa. Sobretudo porque em muitos deles, temos um par de acção física real, e uma enorme dose de diálogos engraçados. Por isso, nos anos 80, acção e comédia são uma mistura aceitável. Não tanto aqui, claro, mas o filme é ainda assim um subproduto das influências que as audiências ainda estavam a aceitar nessa altura.

.no seguimento do que digo acima, é fundamental notar como tudo aqui é submetido à visão de Ridley Scott. O tipo é fantástico e concebe visualmente as coisas, à escala mais larga que o filme permite, considerando o arco mais alargado que todos os filmes deveriam ter. Mesmo hoje, ninguém a trabalhar actualmente faz isto melhor que ele. Aqui creio que ele tentou embeber o filme numa decadência derivada de Blade Runner. Claro que é outro contexto, e definitivamente outro guião! Mas vejam como cada plano é cuidadosamente enquadrado, para não valer (apenas) por si mesmo como, por exemplo, Bertolucci poderia fazer. Cada sequência é encadeada com todas as outras. Essa é a grande forma. É o melhor deste filme.

.Douglas não é particularmente interessante como actor, mas ele é um personagem na vida real, e eventualmente conseguia passar isso para os personagens dele. O exagero da actuação terrível de Garcia (parcialmente compensada por Scott que não deixa os actores parecerem tão mal) sublinha o personagem de Douglas no ecran. Bem, este é um prazer limitado de ver, mas tem a ver com o que se pretendia.

.Hollywood, e a perspectiva deles sobre grupos étnicos ou culturais fora do mainstream americano: fico contente que, pelo menos para mim, este filme soe terrivelmente racista e sem qualquer interesse em sair por um momento dos clichés comuns. Pelo menos isto significa que eu já saí desse buraco e sinceramente, creio que isto já não se faz hoje. Temos outros clichés, outros preconceitos, que provavelmente eu estarei a detectar daqui a 20 anos. Mas o que temos aqui é triste. Então, os tipos maus são os japoneses, os da Yakuza são simplesmente malévolos, os outros, os bem intencionados, são simplesmente incompetentes. E então os 2 americanos compinchas têm de ir ali, quebrar todas as concenções japonesas, para mostrar-lhes como eles podem ser razoáveis e justos. É isso não é? “É só um film”, dirão alguns, Reflecte recantos escuros da estupidez humana, digo eu.

A minha opinião: 3/5

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve