Red-end and the Seemingly Symbiotic Society (2009)

“Red-end and the Seemingly Symbiotic Society” (2009)

O filme no FestivalFocus
O filme no sítio da produtora

Cinanima2009

construtores de espaço

Que filme interessante, no momento certo. Depois de um festival rico, interessante, com o qual ainda estou a lidar neste momento, tenho a recordar vários momentos altos. Este filme é, de todas as experiências que tive aqui, uma das mais fortes, mais fascinantes e que mais me interessa., pelos meus interesses pessoais no estudo das relações entre espaço e a exploração desse espaço por meios visuais. Este filme é uma das melhores experiências recentes que eu tenha visto em filme que abordem tão explicitamente o tema. Apenas por isso, já merece entrar numa lista especial, que vou fazendo, de filmes que importam para a minha construção mental do tema de espaço e cinema.

Mas para além disso, este filme é realmente interessante. Vamos ver do que trata. Há uma história. Essa história tem a ver com a vantagem da diferença, um mundo onde todos são negros, a diferença que pode fazer alguém vermelho. Banal, até aqui. Para além disso, há a ideia de ciclo que perpassa toda a narrativa. A ideia lavoisiana de que tudo se vai transformando, e tudo vai irremediavelmente desaparecendo. Melhor aqui, porque o filme apoia visualmente o texto que procura sustentar. Tudo isto é razoavelmente interessante, mas nada que me faça perder o sono, ou sonhar especialmente alto.

Mas depois, há algo mais que sim fascina, e sim está feito de forma exemplar, quase perfeita. Está incorporado na história, e é totalmente apoiado e compensado por aquilo que vemos. A história é sobre seres que constroem os espaços que habitam, que usam, que desenvolvem. Nós vemos a construção. o filme começa dentro de espaços supostamente naturais, mas já por si interessantes, onde os insectos recolhem os cubos que serão as peças que construirão os espaços mais tarde usados para experiências. Nós vemos a recolha das peças, nós vemos o transporte, e sobretudo, nós vemos a construção de cada espaço, até à última peça. Por fim, após isto, nós vemos esses espaços, que não existem apenas no campo abstracto da história, estão realmente construídos, para a câmara os possa fotografar. Agora reparem nisto: embora haja apoio digital na pós-produção deste filme, ele é no essencial um stop motion. Quer isto dizer que não só os insectos são objectos reais que foram fotografados, todos os espaços que vemos são maquetes concebidas para serem fotografadas. Ou seja, quando vemos os insectos a construírem o espaço, é como uma vincagem das características constructivas dos cenários, é como se estivessemos a acompanhar o processo de trabalho. A história do filme é a história no filme. Subtil, bem feito, e arquitectónico!

Alguns dos espaços são bem concebidos, para o efeito que se pretende. As grutas iniciais, a cúpula construída com cubos (de açúcar?) e um espaço construído com placas perfuradas. Deste último espaço, que até me pareceu o mais interessante e complexo, e mais adequado para ser explorado pela câmara, penso que faltou um investimento na iluminação mais cuidada dos planos aí construídos. A vantagem (para mim) das placas perfuradas é a possibilidade de criar ambientes através da difusão da luz. Mas isso iria contra a imagem geral do filme. A câmara aposta sobretudo nos travelings laterais para dar coesão a todos os planos do filme, e a exploração do espaço tem sobretudo a ver com os ângulos e pontos de vista escolhidos. Não há nada inventado aí, até porque é difícil expandir mais o glossário de possibilidades que Welles ou Tarkovsky inventaram. Mas é um trabalho consistente. A minha maior queixa é o facto de a fase final do filme abdicar totalmente desta exploração espacial para dar um seguimento às partes (quanto mim) menos interessantes da história.

A minha opinião: 5/5 é uma experiência, vou descobrir como ela se acomoda na minha cabeça… e isso dirá como evolui esta classificação.

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve