Blow (2001)

“Blow” (2001)

blow

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Depp merecia mais

Estava à espera de uma coisa diferente aqui. Creio que fui enganado pela imagem chave associada a este filme, uma com Depp e Penélope deitados lado a lado, a olhar para nós, sobre um fundo vermelho. A imagem disse-me que eu ia ver um filme sobre pessoas, sobre duas pessoas, eventualmente ligadas, eventualmente apaixonadas. Eventualmente eu ia ver uma história de amor, um filme centrado numa relação.

Foi uma promessa muito melhor que a desgraça que o filme é. Absolutamente inconsequente, tira-nos tempo e não nos dá nada em troca. É totalmente incompetente em tudo, excepto pelo elemento redentor que é ver Depp e Franka Potente a actuar.

O filme segue totalmente o modelo de filme de gangsters de Scorcese, aquele forjado no Goodfellas. É uma mistura de estilo, uma certa ideia de charme na máfia, associada à violência que vem com isso. Na prática, seguimos um certo personagem, e entramos em vários aspectos da vida dele. Literalmente entramos na cabeça dele, já que a voz off é um elemento importante para fazer isto funcionar. Entramos na cabeça dos personagens tanto como entramos na mecânica do mundo que nos é mostrado. Uma referência claro a isto é que temos aqui Liotta a representar o pai de Depp, o mesmo Liotta que era o personagem de Depp em Goodfellas. Vêm? O que se passa é que, com Goodfellas, esse mundo era polido, brilhante, tão sedutor como decadente. Os personagens eram peças reluctantes de um inevitável jogo de xadrez. E nós eramos um deles. O filme era visceral, a violência era inevitável. Aqui tudo é preguiçoso. Não vale a pena estar neste filme, não me interessa nada do que vejo. O mundo do filme é incompleto, não sentimos pulso verdadeiro em nada do que nos é dado. Não temos amor ou amizado, apenas sexo e palavras amigáveis. Não temos violência, só murros e truques, não temos comprometimento, as coisas simplesmente acontecem.

Mas no meio de tudo isto, temos Depp, e uma muito interessante e pouco exposta Potente. Os únicos momentos puros do filme são aqueles em que o ecran é partilhado pelos dois. Há compreensão mútua entre eles, que ultrapassa o guião, ou as frases ordinárias que eles têm de dizer. Ultrapassa a vista curta dos produtores. Infelizmente, Potente não aparece o suficiente, e é-nos retirada do ecran demasiado cedo. Depp luta para existir como artista no resto do filme. O contraste entre ele e os outros mostra-me que eu queria estar a ver outro filme, onde alguém realmente se importasse com o que Depp pode fazer. Não este. Este é o filme errado. Penélope Cruz aqui é só gritos, aspecto físico (que aliás é usado de forma nada lisonjeira), e o contraste com o personagem de Potente. 2 das 3 mulheres que definem a vida de Jung (a outra é a filha). Penélope faz essencialmente o que ela pena que deve ser feito, e isso é bom quando o realizador sabe onde quer chegar (como Almodóvar ou mesmo Woody). Aqui não. Precisávamos de um filme em que Depp estivesse deitado lado a lado com Potente, e essa imagem tivesse alguma importância.

A minha opinião: 2/5

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve