“Alfred Hitchcock Presents: Triggers in Leash (#1.3)” (1955)

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saca e eu disparo

Aqui temos uma versão interessante da fórmula de 30 minutos que define esta série. Parece-me que as pessoas envolvidas podiam fazer qualquer coisa com o episódio específico que lhes cabia. Eram exercícios de resolução de uma curta medida de tempo para desenvolver uma ideia que, para funcionar, teria de ser clara, limpa, cativante e eficiente. Ou não ser nada disto mas feito de uma forma a que as audiências se questionassem. Tinha de funcionar. À medida que investigo mais isto, penso que provavelmente podemos ver todos os episódios da série e ficar no final com um glossário interessante de manipulação narrativa cinematográfica, ainda que provavelmente não tanto em termos visuais, o que é compreensível porque: -dos realizadores que trabalharam na série, não há assim tantos com carreiras interessantes; -isto É televisão, as coisas são filmadas e editadas a ritmos muito superiores aos filmes.

Aqui temos uma ideia interessante. Construir (e manter!) uma tensão baseada em nada. Um único cenário, para prevenir distracções, e uma disputa que nos fará seguir os dois cowboys, e querer saber qual deles (ou nenhum) vai quebrar e sacar primeiro. O facto de usarem um único espaço é já importante, porque denota já uma tentativa de criar algo tenso (e intenso). Pelo facto deste ser um episódio de 25 minutos (mais as intervenções de Hitch) eles não precisam de assegurar quaisquer planos de contextualização fora deste espaço para permitir aos espectadores respirarem. Nós aguentamos 25 minutos dentro do mesmo espaço.

O interessante aqui é ver os truques narrativos e modos que eles escolheram para construir a tensão, ou aliviá-la quando necessário, e a inteligência da conclusão. Assim, a tensão aumenta dependendo da posição dos cowboys no espaço e, mais importante, da posição de Maggie em relação aos cowboys. Por isso há aqui um posicionamento muito espacial dos personagens que eu aprecio, e que a câmara apoia. Tememos por Maggie, quando ela está mesmo atrás de Del, e tememos quando ela está entre os dois. Comédia: isto é uma comédia, afinal, e temos um equilíbrio bastante curioso entre o tiroteio iminente e a estranheza de termos, por exemplo, dois tipos que não conseguem comer em condições porque não podem parar de se olhar nos olhos. A comédia acontece não porque eles actuam de forma cómica, mas porque a situação o implica. Esse é um excelente tipo de comédia. E claro, a reviravolta final, quando pensamos que vimos algo, é-nos dito que fomos tão enganados como os cowboys.

Os comentários de Hitch, especialmente o final, são uma vez mais impagáveis, aqui realçados pela reviravolta nonsense realmente engraçada. O valor destes comentários é que não são meras anotações do que vimos, são uma continuação da narrativa, depois do fim do episódio.

A minha opinião: 4/5

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve