Frenzy (1972)

“Frenzy” (1972)

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olho de Londres

Hitchcock é um dos realizadores mais visuais de sempre. A sua imaginação estava totalmente enraizada no desenvolvimento visual. Agarrados à compreensão e interpretação visual do mundo como ele, temos apenas uma mão cheia de outros realizadores. Por visual, quero dizer que ele imagina um mundo em que o enquadramento, o ambiente, tudo depende do que vemos, e como vemos. Isso é a base. A história, enredo, etc, só entram mais tarde, apenas para permitir o preenchimento do conceito visual.

Por isso, quando vemos qualquer filme de Hitchcock, é importante e realmente fascinante reflectir e adivinhar o que estava ele a pensar exactamente. Melhor ainda, Porque é que ele quis fazer cada filme? Com Frenzy, consigo pensar em algumas razões:

-talvez a mais importante para Hitch: o sentido (real) de local. Este é o primeiro filme dele em que a maioria das cenas foram filmadas em locais reais, todas em Londres, sobretudo ao redor de Covent Garden. Este é o filme em que ele regressou a Londres. Ele queria embeber o filme com Londres, por isso temos relativamente poucos pontos de enredo que se passam em cenários interiores, ao contrário no normal em Hitchcock, para quem os exteriores costumavam ser cartões falsos que funcionavam apenas para termos planos de contextualização. Aqui temos pela primeira (e única?) vez na carreira de Hitch, uma cidade que pulsa. Na verdade era um conceito relativamente novo, esse de capturar cidades reais, pessoas reais, e colocá-las em contexto de ficção. Creio que no final, Hitch fez um trabalho competente e, acima de tudo, honesto. Ele escolheu o Garden, relacionado com a sua infância, antes de ele se tornar o que é hoje. Temos um sentimento genuíno em relação a isso. Aparte dos múltiplos planos no mercado, gostei da cena inicial, soa a regresso a casa. O plano de helicópetro, aéreo, e totalmente contextualizador, em que começamos distantes e vamos baixando para a cidade, até termos um plano aproximado de um grupo de pessoas, em que Hitch faz a sua normal aparição. Isto soa carinhoso, é uma homenagem a Londres, certamente Hitch pensou nisto. E a música ajuda nessa parte. Em geral é competente, mas sente-se a falta de Herrmann;

-as duas sequências mais celebradas são também as mais puramente visuais que Hitchcock concebeu para este filme. O plano “goodbye Babs” é brilhante, um pedaço puro do cinema visual que Hitch fazia. Ele sabia que queria ter a câmara a descer as escadas e de costas, depois de ter subido. Ele sabia que isso nos diria mais do que qualquer cena explícita que ele pudesse conceber. Por isso é brilhante, a forma como a sequência começa com o primeiro plano dos olhos de Babs, na porta da casa do assassino sabemos que veremos Babs viva pela última vez, descemos, chegamos à rua (com um “truque de edição Rope”), e sentimo-nos devastados. E tudo é visual. Vêm? a sequência do camião de batatas é menos eficiente e pura para mim, mas é um exercício de humor visual e de McGuffin, humor negro, e aquele suspense lindo, que não nos permite pensar para lá da visão.

No entanto, este filme é menos limpo do que outros. A imaginação visual já não cai sobre todo o filme, apenas pedaços intermitentes. É bom que Hitch tenha aberto as possibilidades de exploração de uma cidade, ou de um ambiente, a partir de locais reais, os seus últimos filmes são doces, mas já não são perfeitamente concebidos como as suas experiências mais profundas.

A minha opinião: 4/5

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve