Driven (2001)

“Driven” (2001)

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não é F1, é nascar

Corridas de carros e filmes. Desporto e filmes. Se pensarmos um pouco, é uma mistura poderosa. Desporto tem a ver com movimento, é como uma dança, e isso é cinematográfico, na verdade é um dos campos cinematográficos mais ricos. Tem emoção directa, o que significa que não sabemos o que esperar, mesmo que tomemos partidos. Há um aspecto forte de suspense que rodeia cada jogo, cada desporto, e as corridas de carros não são excepção. Mas há um enorme senão: ninguém (supostamente) sabe até onde chegará. Tudo pode acontecer no desporto, vive do momento, mais do que qualquer performance, ao vivo ou gravada, musical, teatral ou qualquer outra. Por isto, para manter a emoção do desporto viva e verdadeira, não podemos encená-lo. E não podemos fazer um filme sem termos praticamente tudo encenado. Aí está a diferença. Dança, música, teatro, tudo é performance, tudo tem a ver com fazer algo que estava já combinado. O cinema herda isto. Por isso é que precisamos de mentes interessantes (ou intuitivas) para termos arte interessante, quando mesmo os mais talentosos desportistas podem perfeitamente ser uns pacóvios intelectuais. Também é por causa disto que para mim é impossível, pelo menos com os meios que temos hoje, criar um filme (não documentário) que eficientemente junte desporto (qualquer um) e filme. Provavelmente por isso também é que os Wachovsky exploraram as corridas de carros confiando em novas tecnologias, porque sabiam que as ferramentas normais não seriam eficientes (ainda não vi “speed racer”). E sim, temos Chariots of Fire, mas aí o desporto é uma casualidade, e funciona como uma performance congelada, que a música realça. Filmes de desporto puros, não conheço nenhum que seja remotamente interessante.

Ainda menos quando temos a atitude deste filme. Isto é uma desgraça tão grande, muito para lá dos problemas da mistura entre desporto e filmes. Por isso temos Reynolds, a representar um ex macho herói das pistas, que é provavelmente o único papel que ele já representou. Temos Stallone, que é o velho herói de guerra, que volta à acção, para salvar o dia quando precisam dele. E temos um conjunto de outros personagens cliché, estrelas ascendentes, tipos que lutam para ser eles mesmos, e para se sentirem livres. Em todo o caso, vejam isto: todos os arcos pseudo dramáticos existem num mundo de relações humanas. Amor vs Sucesso, Orgulho, afirmação pessoal. Aborrecido, vulgar, feito num nível abaixo do tolerável. Não há a menor tentativa para filmar as corridas de uma forma interessante. É tudo explosões e lesões, moedas que ficam nos pneus, colisões, aborrecido, inútil.

Ah, a cena de salvamento pelos dois líderes do campeonato consegue parecer ridícula mesmo no meio deste filme ridículo.

A minha opinião: 1/5

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve