America’s Sweethearts (2001)

“America’s Sweethearts” (2001)

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vidas falsas falsificadas

Há um cliché comum nos comentários a filmes, normalmente feito pelo espectador médio, os alvos para filmes como este, que é algo como: é bom ver o filme porque me permite não pensar e esquecer o mundo real. Algo assim. Isto é um engodo, claro. Ninguém que pense vai parar de pensar mesmo em frente a um pedaço de entretenimento banal como este filme, e aqueles que normalmente não questionam as coisas, não o farão independentemente do filme que se ponha em frente a eles. Mas compreende-se o significado do conceito de “não pensar”, e este filme tem um lugar de ouro no (imenso) armazém de filmes concebidos não serem interessantes, apenas entretenimento. Isto acontece porque os criadores não puseram pistas interessantes para nós seguirmos, não há nada aqui.

Mas a verdade é que mesmo nos pântanos crescem flores, por isso há duas coisas em que reparei:

Uma é John Cusack. Ele é bom, e trás algo novo até a papéis desgastados como o que tem aqui. Ele tem uma forma estranha de se colocar entre a narrativa do filme e nós, audiências. Nem é uma pessoa real (como nós, espectadores) nem um personagem totalmente integrado no filme. Em vez disso, parece que ele é uma espécie de David Attenborough do cinema, alguém que está na cena de acção, mas confortavelmente protegido por uns arbustos, enquanto comenta a perigosa refeição dos leões. Ele é excelente.

Pegando nesta situação de Cusack creio que encontramos o cerne do filme. Temos 2+2 personagens que oscilam todo o tempo entre duas realidades distintas dentro do filme: a do estrelato, e a da “vida real” no filme. Absolutament etudo, todas as piadas, todos os pedaços de romance, todas as discussões, todos os pontos do enredo giram à volta da ideia de que actores famosos como os personagens de Cusack e Zeta Jones têm duas faces, duas vidas; uma que se mostra a todo o mundo, brilhante e polida, e a realidade aborrecida, infeliz, e não integrada. No final, Zeta Jones agarra-se à falsa realidade da fama, e por isso é que ela fica com o personagem espanhol, igualmente falso; e Cusack fica com o personagem de Julia Roberts, alguém que viveu na sombra do estrelato toda a vida, vendo e vivendo os ambientes das estrelas todo o tempo sem se tornar parte deles. Há um palco público onde todas as hipótese (por parte do público e dos personagens) tomam lugar. É uma regra de ouro deste tipo de filmes.

Assim, na minha maneira de ver, temos isto: a vida “real” dos personagens de Jones e Cusack está para o seu perfil como estrelas como este filme está para ideias cinematográficas interessantes. Aborrecido, mortiço, vazio, mas que tenta parecer brilhante, polido, e atractivo. Mas ele entretém, e mesmo se começamos a pensar nele, não vamos tirar muito dele, por isso creio que cumpre os objectivos.

A minha opinião: 1/5

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve