Death and the Maiden (1994)

“Death and the Maiden” (1994)

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rodear uma ideia

Esta é uma das casas cinematográficas deste realizador. Ele nada confortavelmente nestas águas. Polanski necessita de muito poucos elementos para introduzir uma grande tensão em qualquer filme. Por isso é que ele procurou várias vezes na carreira guiões como este.

Isso é uma grande qualidade, a capacidade de pegar em muito poucos elementos do cenário, neste caso uma casa pequena e a paisagem que a rodeia, e construir uma narrativa sobre isso. É isso que temos. A história é suficientemente simples para não produzir distracções, e a paisagem é vasta e suficientemente deserta para fazer o mesmo. O que temos é todo um contexto que rodeia uma certa ideia de verdade incerta, realidade provisória (para os nossos olhos). Por isso é que nunca paramos de nos questionar se Weaver está certa ou errada, se Kingsley é um violador ou uma vítima. Também Stuart se questiona, que tem de ultrapassar as mesmas dúvidas que nós, espectadores, e isso fá-lo o nosso representante no filme. Nós somos juízes das nossas sentenças. Toda a crueldade de um regime inventado de um suposto país sul americano existe apenas para credibilizar o mundo do filme. Isto não tem a ver com a denúncia de crimes, nem com uma discussão política, como tem sido dito. Também muito tem sido discutido acerca da verdade que o diálogo final revela, ou não; para mim ele deixa as possibilidades abertas, embora sugira sinceridade.

Como ideia, esta é tão simples como parece, e como todas as ideias simples, é difícil de formalizar, mantendo a simplicidade. É aí que as coisas se tornam interessantes, quando vemos os dispositivos cinematográficos que rodeiam e colaboram com a simplicidade da dúvida pura que este enredo teatral sugere.

Primeiro, temos o núcleo da história enquadrado, no início e no fim, pela música nuclear, um quarteto que dá nome ao filme, e que dá consistência ao drama do personagem de Sigourney.

Temos a manipulação da paisagem, com o seu farol. O sentido de isolamento verde, a poética do local, que vai crescendo em nós, já que nos é dada em pequenos pedaços, até se tornar o palco final do drama real.

A casa. Esta parte interessa, já que este é um filme de um realizador que realmente sabe manipular o espaço e inclui-lo no drama. Isto vale para um quarto de hotel, um barco, ou uma pequena casa. É isto que ele tem feito ao longo da sua vida, em “a faca na água”, a triologia dos apartamentos, bitter moon e este. É algo que admiro imenso, a capacidade para incluir o espaço que rodeia os personagens nos seus dramas e discussões. Essa é uma das formas mais profundas de incluir o espaço (arquitectónico) em cinema. Orson Welles, Hitchcock (às vezes), Polanski… todos eles confiam na sua câmara para isso.

Temos as actuações no centro do sucesso deste filme. Cada um dos 3 actores envolvidos estão no seu melhor aqui, cada sabe exactamente como se deve colocar, e interpreta perfeitamente o que lhe é pedido para fazer as coisas funcionar. Ambiguidade, para Ben Kingsley, cabeça perturbada para Sigourney Weaver, inacção e indecisão para Stuart Wilson.

Este filme é menos conseguido do que outros, mas Roman nunca deixa de nos dar o seu olhar especial, e isso vale sempre a pena ver.

A minha opinião: 4/5

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve